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Primeiros tripulantes chegam à estação espacial chinesa; veja como foi

Momento do lançamento da missão Shenzhou-2  - Greg Baker/AFP
Momento do lançamento da missão Shenzhou-2 Imagem: Greg Baker/AFP

Em Jiuquan (China)

17/06/2021 11h02

Os primeiros tripulantes chegaram nesta quinta-feira (17) à nova estação espacial chinesa, como parte da mais extensa missão deste país, em um momento de grande rivalidade tecnológica com os Estados Unidos.

Esta é a primeira missão espacial tripulada chinesa em cinco anos e seus integrantes permanecerão em órbita por três meses.

Em um contexto de grande tensão com o Ocidente, o resultado da missão é uma questão de prestígio para Pequim, que se prepara para celebrar o centenário do Partido Comunista Chinês (PCC) em 1º de julho.

Nesta quinta-feira à tarde, a agência espacial do país anunciou que a nave Shenzhou-12 se acoplou com sucesso à estação Tiangong ("Palácio Celestial").

Sete horas antes, o foguete Longa Marcha-2F decolou com os três tripulantes, às 9h22 do horário local (22h22 quarta-feira, no horário de Brasília), do centro de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, no noroeste da China.

O canal de televisão estatal CCTV exibiu ao vivo as imagens do interior da nave, onde os três astronautas levantaram as viseiras dos capacetes para mostrar seus rostos sorridentes.

"Os painéis solares foram acionados com êxito, e podemos declarar que o lançamento foi um sucesso", comemorou o diretor do centro de lançamento de Jiquan, Zhang Zhifen.

Durante a noite, o canal estatal exibiu a entrada dos tripulantes no primeiro modulo em órbita da estação Palácio Celestial.

O comandante da missão é Nie Haisheng, um condecorado piloto do Exército de Libertação Popular, que já participou de duas missões espaciais. Seus dois companheiros também são militares.

astronautas chineses - China Manned Space/Divulgação - China Manned Space/Divulgação
Os astronautas Nie Haisheng, Liu Boming and Tang Hongbo
Imagem: China Manned Space/Divulgação

O trio fez mais de 6.000 horas de treinamento para se acostumar com a ausência de gravidade.

"Lutamos a cada minuto para realizar nosso sonho espacial", declarou Liu Boming, outro membro da tripulação. "Treinei me dedicando à causa", acrescentou.

Vida espacial

Uma vez concluída, a estação "Palácio Celestial" terá dimensões parecidas com a antiga instalação soviética Mir (1986-2001), com uma vida útil de pelo menos dez anos, segundo a agência espacial chinesa.

A missão Shenzhou-12 é o terceiro dos 11 lançamentos que serão necessários para a construção da estação, entre 2021 e 2022. Quatro dessas missões serão tripuladas.

Além do módulo Tianhe, que já está em órbita, os outros dois restantes - que serão laboratórios de biotecnologia, medicina e astronomia - serão enviados ao espaço no próximo ano.

No Tianhe, os tripulantes se dedicarão a trabalhos de manutenção, instalações, caminhadas ao espaço, preparação de futuras missões e de próximas estadias.

O módulo tem um espaço para cada um deles, equipamentos para exercícios e um centro de comunicação com o controle terrestre.

Os três militares poderão escolher entre 120 alimentos nas refeições e treinar em uma esteira para manter a forma.

O interesse chinês em ter sua própria base humana na órbita da Terra foi estimulado pela proibição americana de dar acesso ao país à Estação Espacial Internacional (ISS).

Esta última - uma colaboração entre Estados Unidos, Rússia, Canadá, Europa e Japão - deve ser aposentada em 2024, embora a Nasa (a agência espacial americana) tenha dito que poderia permanecer operacional além de 2028.

"Estamos prontos para cooperar com qualquer país que esteja comprometido com o uso pacífico do espaço", declarou Ji Qiming, alto funcionário da Agência Chinesa de Voos Tripulados (CMSA).