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Thiago Gonçalves

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Pulo do astronauta: vídeos mostram diferenças da gravidade em cada planeta

Vídeo mostra a altura que você alcançaria em um salto em diferentes planetas - Reprodução/ YouTube/ Bright Side
Vídeo mostra a altura que você alcançaria em um salto em diferentes planetas Imagem: Reprodução/ YouTube/ Bright Side
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Thiago Signorini Gonçalves

Thiago Signorini Gonçalves é doutor em astrofísica pelo Instituto de Tecnologia da Califórnia, professor do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e coordenador de comunicação da Sociedade Astronômica Brasileira. Utilizando os maiores telescópios da Terra e do espaço, estuda a formação e evolução de galáxias, desde o Big Bang até os dias atuais. Apaixonado por ciência, tenta levar os encantos do Universo ao público como divulgador científico.

17/03/2022 04h00

Desde a semana passada, vi circular por aí alguns vídeos comparando a gravidade em cada um dos planetas do Sistema Solar, além de planetas anões e outros corpos celestes.

Os vídeos são um pouco diferentes, desde um astronauta tentando saltar sobre uma plataforma até um contêiner caindo em cima de um carro.

Fica a gosto do freguês escolher qual é mais interessante, ou talvez mais dramático.

De uma forma ou de outra, para entender os resultados, é fundamental lembrar que a gravidade na superfície de um planeta não depende apenas da sua massa, mas também do seu tamanho.

Quanto menor o raio do planeta (e, consequentemente, quanto maior sua densidade), maior será a aceleração da gravidade na sua superfície.

Isso acontece porque a força da gravidade é inversamente proporcional ao quadrado da distância: se tivéssemos um corpo com a massa da Terra mas com o dobro do seu tamanho, a força com que você seria puxado ao centro do planeta seria um quarto da original, ou pouco maior que a da Lua.

Por isso mesmo um buraco negro depende da concentração de massa. Corpos com a massa do Sol poderiam ser buracos negros, desde que toda a sua massa estivesse concentrada em um espaço muito, muito pequeno — nesse caso, algo um pouco menor que 3 quilômetros!

Vale lembrar também que muitos planetas nem possuem uma superfície sólida, como é o caso de Júpiter. Ali, as camadas externas do planeta são feitas de gases, semelhantes a nuvens. Assim, não podemos simplesmente imaginar um objeto na sua superfície, e por isso mesmo o vídeo mostra o astronauta sobre uma plataforma sólida.

Sabendo isso tudo, basta apreciar as diferenças.

Acho que sabemos como um astronauta na Lua se comporta, graças aos vídeos das missões da Nasa, mas podemos ver também como funciona a gravidade em cada um dos outros planetas.

Júpiter e Saturno, por exemplo, têm uma gravidade forte, sobretudo graças às suas grandes massas, centenas de vezes maiores que a da Terra. Ali, mal seríamos capazes de sair do chão com um salto, e imagino que caminhar requereria um grande esforço.

No Sol, então, nem se fala. Mesmo se houvesse alguma maneira de ignorar a elevadíssima temperatura de quase 6 mil graus Celsius, a aceleração da gravidade seria fortíssima, dificultando enormemente qualquer tentativa de movimento.

Por outro lado, os menores corpos têm pouquíssima gravidade. Por isso mesmo foi tão difícil planejar uma missão que aterrissasse em um cometa, como foi o caso da Rosetta em 2014. Era necessário instalar arpões que prendessem o módulo ao asteroide, caso contrário a nave simplesmente rebotaria no asteroide e iria embora.

E você, se pudesse visitar outro planeta do Sistema Solar, qual seria sua escolha?