PUBLICIDADE
Topo

Sem supervisão de autoridades, grupo busca sua própria vacina contra covid

George Church, professor geneticista da Universidade de Harvard e um dos membros do RaDVaC, aplica dose da vacina "faça você mesmo" contra covid-19 - Reprodução/ Twitter
George Church, professor geneticista da Universidade de Harvard e um dos membros do RaDVaC, aplica dose da vacina "faça você mesmo" contra covid-19 Imagem: Reprodução/ Twitter
Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

04/08/2020 04h00

Cientistas, pesquisadores, engenheiros e entusiastas formaram o grupo chamado RaDVaC, um acrônimo para Desenvolvimento Rápido de Vacina Colaborativo. O que o grupo faz? Eles estão tentando realizar o sonho de Narcisa Tamborindeguy, descobrindo a vacina contra o coronavírus. E eles estão fazendo isso sozinhos, no melhor estilo DIY (faça você mesmo).

Entre os criadores estão ex-alunos e um professor de Universidade de Harvard. O grupo foi formado em março. No site do grupo, eles se colocam como cientistas cidadãos motivados à ação pelo sofrimento causado pela pandemia. São uma organização sem fins lucrativos e informam que não fizeram e não farão nenhum pedido de patente ou qualquer pedido de proteção de propriedade intelectual sobre a vacina.

Diferente da maioria das vacinas que estão sendo criadas para combater a covid-19, a solução da RaDVaC é de aplicação nasal. O grupo não pediu permissão para o FDA, órgão equivalente a Anvisa nos EUA. Eles acreditam que não estão sujeitos a supervisão. Isso porque eles estão distribuindo apenas instruções e os suprimentos da vacina, as pessoas que estão tomando, estão fazendo — e tomando — por conta própria.

Consultado pela revista MIT Technology Review, que tornou a iniciativa conhecida, o FDA não respondeu sobre a legalidade da vacina.

A iniciativa parece não agradar a todos. A revista entrevistou Arthur Caplan, diretor da Divisão de Ética Médica da Universidade de Nova York. Ele afirmou que a iniciativa tem "alto potencial de dano".

Divulgada pelo grupo como um ato necessário de compaixão, é difícil não se entusiasmar e não ter certa empatia pelo grupo. Mas o risco de termos cientistas criando e tomando vacinas sem nenhum controle não é exatamente algo para se comemorar.

Talvez esse seja um dos efeitos negativos da falta de comando e direcionamento que estamos vivendo. Governos perdidos, sem ação nem planejamento. Alguns, inclusive, negando a ciência. Países passando a perna em outros, pagando mais caro e fazendo todo tipo de pressão para conseguir exclusividade ou vantagens em equipamentos, medicamentos e patentes.

A ganância e falta de liderança provocam este tipo de coisa. Quando é cada um por si, como esperar algo diferente?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.