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Qual máscara usar? Entenda a diferença técnica de cada modelo

Ricardo Cavallini

Autor de 6 livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. É professor da Singularity University, embaixador MIT Sloan Management Review Brasil e um dos apresentadores do Batalha Makers no Discovery Channel (Brasil e Latam). Criador do RUTE, o kit educacional eletrônico aberto, ecológico e mais acessível.

11/05/2020 04h00

Apesar de existirem muitos makers profissionais, a parcela amadora é muito forte no Brasil. Como, infelizmente, boa parte destes não usa os equipamentos de proteção adequados, resolvi aproveitar toda a atenção que as máscaras estão tendo neste tempo de pandemia para explicar um pouco a diferença entre cada tipo, qual a indicada para cada uso e tirar algumas dúvidas que foram enviadas na última semana (veja no vídeo acima).

Antes, cabem dois alertas. Primeiro, este texto tem o intuito de mostrar a variedade e a importância de se escolher os equipamentos corretos, portanto, você deve sempre buscar o auxílio profissional para escolher seu equipamento de proteção. No caso da Covid-19, deve seguir as recomendações das autoridades de saúde. O segundo alerta é lembrar que, em muitas situações, é preciso também proteger outras partes do corpo, como as mãos e os olhos.

Descartável ou não descartável

A primeira diferença está entre descartáveis e não-descartáveis, caso das máscaras duras com espaço para filtros e cartuchos. Os filtros seriam equivalentes às máscaras descartáveis, falaremos sobre cartuchos mais para frente. Ambas servem para se proteger da Covid, desde que usadas corretamente.

Costuma-se recomendar o uso das descartáveis, pois não precisam ser limpas, basta serem descartadas.

No caso das não descartáveis, além da limpeza, os filtros costumam ser mais caros que uma máscara descartável, pois são feitos para durarem mais —na pandemia, a troca deveria ser mais frequente, idealmente a cada uso.

Escudos faciais

Outra diferença é o quanto cada uma cobre do rosto. Existem as semifaciais, cuja cobertura é similar as descartáveis (cobrindo boca e nariz), e a facial inteira, que cobre todo o rosto. Quanto mais fechada, mais a máscara reduz a concentração de contaminante.

Outra vantagem da facial inteira é que ela também protege os olhos. Uma solução que tem sido muito usada em tempos de Covid é usar a máscara descartável em conjunto com o protetor facial (face shield), uma proteção de plástico transparente. Com isso, o protetor poupa a máscara das gotículas, aumentando sua vida útil — já que estamos com escassez de máscaras.

Filtros

Os filtros servem para proteger de particulados, ou seja, poeira (ex. madeira), névoa (gotas líquidas suspensas no ar) e fumo (material aquecido que foi vaporizado e, ao esfriar, cria partículas que ficam suspensas no ar).

Eles são categorizados em sua capacidade de filtragem. No Brasil, existem 3 categorias (PFF1, PFF2 e PFF3) — sigla para Peça Facial Filtrante. Cada país tem sua classificação: a PFF2 (Brasil) seria equivalente a FFP2 (Europa), N95 (Estados Unidos) ou a KN95 (China).

  • PFF1: protege contra poeiras mais simples. Indicada para quem vai lixar madeira, ferro ou vidro.
  • PFF2: além da proteção da PFF1, protege contra fumos metálicos e agentes biológicos (caso do covid). Indicada para solda eletrônica, impressão 3D FDM (a tecnologia mais comum e mais usada pelos makers) ou fibra de vidro.
  • PFF3: além da proteção da PFF2, protege contra partículas altamente tóxicas.

Cartuchos

Servem para proteger de gases e vapores e, para cada tipo de contaminante, existe um cartucho específico. No caso dos makers, quem vai pintar algo com tinta acrílica ou usar acetona para dar acabamento em peças impressas, deveria usar uma máscara com cartucho para vapores orgânicos.

Máscaras caseiras

Uma das dúvidas mais comuns que foram enviadas é: se a máscara caseira não é certificada, por que ela tem sido recomendada pelas autoridades de saúde?

É preciso entender que, ainda que não seja tão segura quanto uma máscara PFF2, ter alguma barreira é importante para proteger a população. Um estudo do MIT mostrou que as gotículas podem viajar vários metros de distância. Portanto, usar uma máscara protege não somente quem está usando, mas também protege o ambiente.

Muitas pessoas infectadas não apresentam sintomas, portanto não sabem que estão infectadas. Se todo mundo usar máscara, isso diminui muito as chances do vírus se alastrar. E, como estão faltando máscaras, a escolha natural é deixar as certificadas para o uso dos profissionais da saúde, que estão na linha de frente e cuja contaminação pode agravar a situação da pandemia.

Outro ponto é que existem materiais de fácil acesso com boa capacidade de filtragem, caso do algodão. Desta forma, você pode fazer uma máscara com duas camadas usando alguma roupa cujo tecido seja 100% algodão.

Veja no vídeo abaixo como fazer:

Dúvidas mais comuns

A seguir, levantei algumas das dúvidas enviadas serão respondidas por Luiz Otávio Arantes, engenheiro de aplicação da 3M Brasil na divisão de segurança pessoal.

Algumas máscaras descartáveis tem uma peça de plástico grudada nela, o que é e para que serve?

Arantes: Esta válvula tem a função de diminuir o acúmulo de calor dentro do respirador e torna a respiração mais natural. Quando o usuário solta o ar, a válvula de exalação abre, liberando o ar mais facilmente, e quando o usuário inspira, a válvula de exalação fecha. Em momento de pandemia, os profissionais da saúde devem utilizar preferencialmente o modelo sem válvula, pois ela pode se tornar um meio de propagação do vírus. Se a pessoa tossir, falar ou espirrar, a válvula abre e as gotículas podem ser projetadas para o ambiente.

A barba atrapalha o uso da máscara?

Arantes: Se a máscara não vedar bem no rosto, contaminantes podem entrar através das falhas de vedação facial. E pelos faciais no rosto (barbas e bigodes longos), por menores que sejam, podem causar estas falhas de vedação no respirador e prejudicar a eficiência de proteção.

Quando as máscaras devem ser descartadas?

Arantes: Descartáveis do tipo PFF podem ser usados até ficarem saturados (difícil de respirar), quando estão expostos a uma alta concentração de particulados ou quando sujos ou danificados (úmidos, rasgados, amassados).