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Letícia Piccolotto

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Na COP26, países apostam em tecnologia inovadora para frear crise climática

Grupo de delegados participa da COP26, em Glasgow - Yves Herman/Reuters
Grupo de delegados participa da COP26, em Glasgow Imagem: Yves Herman/Reuters
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Letícia Piccolotto

Letícia Piccolotto especialista em gestão pública pela Harvard Kennedy School, presidente da Fundação Brava e fundadora do BrazilLAB, primeiro hub de inovação que conecta startups com o poder público. Em 2020, foi a única brasileira na lista das 20 principais lideranças mundiais em GovTech da Creators, laboratório de inovação sediado em Tel Aviv (Israel).

20/11/2021 04h00

Depois de duas semanas de intensos debates e negociações, teve fim a 26ª Conferência do Clima das Nações Unidas. Também conhecido como COP26, o megaevento reuniu mais de 10 mil participantes, entre delegados, representantes governamentais, especialistas e cidadãos. Uma mobilização sem precedentes que tinha como tarefa produzir consensos para atingir uma meta ambiciosa: deter o avanço das mudanças climáticas que estão ameaçando a vida de bilhões de pessoas e ecossistemas em todo o mundo. Tive a oportunidade de presenciar esse momento histórico —contei mais sobre minha participação aqui.

Os resultados da COP26 já foram amplamente divulgados. O acordo final assinado por centenas de países toca em pontos importantes, como a previsão de que as nações apresentem metas "mais ambiciosas" para a redução de gases do efeito estufa, a tão esperada definição de regras para as políticas de compensação de carbono —também conhecidas como "crédito de carbono"— e, pela primeira vez, uma menção à redução do uso de combustíveis fósseis e carvão.

Há motivos para celebrar, afirmam diversos especialistas, mas também a sensação de que temas sensíveis e estratégicos não foram tratados.

Um exemplo é a ausência de acordos claros sobre o financiamento por parte de nações mais ricas —e mais poluidoras— para as ações de combate ao aquecimento global implementadas por países em desenvolvimento, como o Brasil.

Além dos acordos pactuados, o encontro de Glasgow, na Escócia, me marcou profundamente ao evidenciar três importantes vetores de mudança. Eles serão fundamentais para frear uma catástrofe climática que parece ser iminente: juventude, tecnologia e lideranças políticas.

Vinda de diferentes países, etnias e realidades, posso afirmar que a juventude dominou os debates durante a COP26. O protagonismo dos jovens esteve presente nas ruas, com diversas manifestações por justiça climática, mas também em painéis e negociações junto a lideranças políticas.

Confesso que foi lindo ver como esse movimento, que iniciou há poucos anos, tendo como representante a ativista sueca Greta Thunberg, tem se fortalecido e ampliado.

A juventude do mundo tem cumprido um papel fundamental. Diante da constatação de que a mudança climática ameaça sua existência, ela luta para que sejamos todos responsáveis por implementar imediatamente as transformações necessárias para garantir a perspectiva de um futuro próspero.

A COP26 também mostrou como as nações do mundo estão convencidas de que, sem investimentos em soluções tecnológicas e disruptivas, não será possível alcançar os compromissos pactuados para frear o avanço da crise climática mundial.

Nesse cenário, o papel das startups será central. Afinal, grande parte das soluções disruptivas —da produção de energia limpa, descarbonização do transporte, até o combate ao desperdício de alimentos— surge de iniciativas de pequenos empreendedores que desejam contribuir com soluções para o desafio coletivo.

Representando o BrazilLAB, acompanhei toda programação da COP26 e integrei a comitiva brasileira responsável pelo The Civitech Alliance, uma iniciativa que selecionou startups com soluções para o combate às mudanças climáticas.

As representantes brasileiras —você pode consultar quem são aqui— apresentaram soluções incríveis e que continuarão sendo apoiadas por governos de diferentes países da Europa.

Por fim, a COP26 mostrou a centralidade das lideranças nacionais. Em muitos casos, esses atores —presidentes, primeiros-ministros— cumpriram um papel aquém do esperado, especialmente quando se ausentaram de firmar compromissos audaciosos, ainda que desafiadores para seus respectivos países.

Em outros, serão lembrados por um posicionamento firme, diretivo e responsável em prol de mudanças. É o caso das mais de 40 nações que assumiram o compromisso de eliminar o carvão de suas matrizes energéticas entre as décadas de 2030 e 2040, ainda que o acordo oficial da COP26 não preveja tal meta.

Em todos os casos, fica clara a mensagem de que as transformações não serão fáceis e exigirão adaptações de todos. Mas elas se tornam muito mais possíveis quando lideranças acreditam em sua importância e fazem os sacrifícios necessários para que elas aconteçam.

A COP26 foi fundamental, não há dúvidas, mas ela é um marco em um longo processo para reversão da grave transição climática que estamos enfrentando.

O trabalho não termina em Glasgow. Ao contrário, ele deve continuar, de forma ainda mais intensa, nos próximos anos.

Nossa sobrevivência futura depende do que fizermos hoje.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL