PUBLICIDADE
Topo

Letícia Piccolotto

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Green tech: como a 'tecnologia verde' pode combater as mudanças climáticas

rawpixel/Freepik
Imagem: rawpixel/Freepik
Letícia Piccolotto

Letícia Piccolotto especialista em gestão pública pela Harvard Kennedy School, presidente da Fundação Brava e fundadora do BrazilLAB, primeiro hub de inovação que conecta startups com o poder público. Em 2020, foi a única brasileira na lista das 20 principais lideranças mundiais em GovTech da Creators, laboratório de inovação sediado em Tel Aviv (Israel).

10/07/2021 04h00

Faltam poucos meses para o evento que promete ser um marco para combater as catástrofes climáticas. É o que afirma António Guterres, secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), ao descrever a importância da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP26, evento que foi adiado no ano passado e, em 2021, deve acontecer presencialmente, no mês de novembro, no Reino Unido.

O evento, que também é conhecido como cúpula do clima, deve ter como tema central o combate aos efeitos trazidos pelas mudanças climáticas. Reunindo pesquisadores, especialistas e autoridades de diversos países do mundo, a COP26 buscará alcançar quatro metas:

  • Reduzir a emissão de gases poluentes, de modo a alcançar os objetivos de redução do aquecimento global.

  • Adaptar e proteger comunidades e habitats naturais.

  • Garantir recursos, com países desenvolvidos mobilizando, até 2020, ao menos US$ 10 bilhões por ano para o combate aos efeitos das mudanças climáticas.

  • Trabalhar conjuntamente para entregar resultados, com destaque para a finalização do "Paris Rulebook", um manual detalhado que transformará o Acordo de Paris em um instrumento que pode ser operacionalizado.

Com isso, a COP26 deve ser muito mais do que um espaço para o compartilhamento de evidências sobre os efeitos perversos das mudanças climáticas, mas também e, principalmente, um ambiente para a construção de consensos sobre as medidas fundamentais para combater o cenário catastrófico que se avizinha.

O Acordo de Paris pode ser considerado como uma dessas medidas fundamentais. Assinado na COP21, ele é um tratado internacional no qual 196 partes se comprometem a limitar o aquecimento global a, preferencialmente, 1,5 graus Celsius, comparando-se aos níveis observados no período pré-industrial.

Para esse esforço gigantesco, não há alternativa: as nações precisam se comprometer com a promoção de mudanças sociais e econômicas. É preciso substituir o foco em crescimento econômico, pela prosperidade —como discuto aqui.

E já não há mais dúvidas sobre o papel que as soluções tecnológicas têm nesse novo mundo. Sem elas, falharemos em tarefas fundamentais no esforço coletivo de preservação das vidas humanas, dos demais seres vivos e dos ecossistemas.

Tecnologia e meio ambiente

Os exemplos de como as tecnologias podem ser aplicadas no combate aos efeitos das mudanças climáticas é diverso e vasto. Esse tem sido um tema muito frequente por aqui e também em minhas redes sociais, e ficou ainda mais evidente nos últimos meses, afinal, já há evidências bastante robustas de que a pandemia de covid-19 também pode ser enquadrada como um efeito muito perverso da crise climática enfrentada por nossa geração.

O fato é que um desafio tão complexo não poderá ser combatido sem uma perspectiva inovadora e que garanta resultados rápidos e em larga escala. E as green techs, startups que atuam para enfrentar desafios do meio ambiente, serão cada vez mais fundamentais.

Ao longo de sua trajetória, o BrazilLAB teve a oportunidade de conhecer e acelerar diversas dessas iniciativas.

É o caso da Plataforma Verde, que utiliza o blockchain para a gestão de toda a cadeia de resíduos sólidos, desde sua geração até o destino final.

Ou a SIntecsys, solução que monitora e detecta de maneira automática, possíveis focos de incêndios em florestas e plantações.

E também a BRFlor, startup que contribui para combater o desmatamento ilegal, que, segundo estimativas, é fonte de 80% da madeira produzida no Brasil. Com base em tecnologias como blockchain, internet das coisas (IoT) e inteligência artificial, ela permite registrar e rastrear a produção madeireira garantindo sua legalidade.

Os avanços são fundamentais, mas ainda há espaço e, sobretudo, necessidade para caminhar muito além. É pensando nisso que o BrazilLAB se uniu a outras 12 organizações, de dez países diferentes, entre Espanha, Austrália e Alemanha, para apoiar o Programa "CivTech Alliance COP26 Global Scale-up", organizado pela CivTech Alliance.

O objetivo da iniciativa é ser um programa de scale-up - ou seja, de aceleração do crescimento para startups que ofereçam soluções green tech para três desafios: resiliência ambiental, desperdício de alimentos e descarbonização de veículos comerciais.

As empresas selecionadas poderão apresentar suas soluções na COP26, em novembro, além de participarem de atividades de diversos programas de aceleração ao redor do mundo nos meses que antecedem o evento.

Iniciativas como essa são cada vez mais fundamentais para movimentar a força empreendedora para ampliar o número e a diversidade de soluções tech que podem ser aplicadas para enfrentar os desafios atuais e futuros.

As inscrições para o Civic Tech Alliance COP26 estão abertas até o dia 18 de julho - você pode acessar todos os requisitos aqui.

Se você tiver ou conhecer alguém que tenha uma solução e possa se interessar pela iniciativa, não deixe de compartilhar mais informações. A regeneração do planeta Terra depende de todos nós.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL