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Guilherme Rambo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tamanho é vantagem e desvantagem para usar o iPad mini no lugar do iPhone

iPad mini - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo
iPad mini Imagem: Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo
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Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

12/11/2021 04h00

Recentemente escrevi sobre a possibilidade de substituir o uso diário do iPhone pelo novo iPad mini, lançado pela Apple em setembro. Quem quiser entender essa ideia pode ler a coluna, mas resumidamente o novo iPad mini se tornou um dispositivo tão capaz num formato tão compacto, que passou a ser interessante a ideia de utilizá-lo no dia a dia em vez do iPhone.

Prometi na época que faria o teste e de fato o fiz. Logo após receber meu iPad mini, configurei ele com os apps que mais uso e me comprometi a utilizá-lo no lugar do iPhone por alguns dias. Os únicos apps que não instalei e que fui obrigado de certa forma a usar no iPhone foram meus apps de banco, apenas por que não quis ter que autorizar o iPad mini e transferir os tokens dos bancos apenas para o teste.

Utilizei o iPad mini para as tarefas que geralmente faço no iPhone como leitura, ler e responder e-mails de trabalho, organização de calendário, lembretes, apps de mensagem, Duolingo, entre outros. Até o WhatsApp eu consegui utilizar no iPad, com o novo recurso (em beta) de login em múltiplos dispositivos, foi possível autorizar o iPad mini para acessar o mensageiro na web, no Safari.

A experiência foi bastante interessante e, de modo geral, positiva.

A tela maior do iPad mini em relação ao iPhone que eu usava (o 12 Pro na época) torna certas coisas como leitura de textos maiores bem mais confortável.

Assistir vídeos no YouTube e outros apps também é mais agradável pela tela maior, sem contar que, graças à Smart Cover, posso posicionar o iPad mini em pé na mesa para assistir a algo durante uma refeição, por exemplo.

Outra grande vantagem do iPad mini é a possibilidade de utilizar o Apple Pencil. Embora eu não seja um grande artista ou ilustrador, gostei de utilizar o Apple Pencil para interagir com alguns apps, como o Duolingo, além de utilizá-lo na hora de editar fotos no Pixelmator Photo, permitindo correções finas de detalhes nas fotos que seriam bem mais complicadas de fazer com os dedos.

Apple Pencil - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo
Apple Pencil
Imagem: Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo

As principais desvantagens no uso do iPad substituindo o iPhone são causadas pelo mesmo motivo das vantagens: o tamanho.

Apesar do novo iPad mini ser bastante compacto e leve, ele não cabe facilmente no bolso como o iPhone, então é preciso carregá-lo na mão quando se está indo de um lado para o outro da casa. Se for sair, é necessário algum tipo de mochila ou bolsa para acomodar o dispositivo.

Por conta disso, após cerca de 5 dias, interrompi o experimento e voltei a utilizar meu iPhone como de costume.

Gostei de muitas das coisas que o iPad mini pode proporcionar, mas a facilidade de ter o iPhone sempre no bolso ainda vence.

Apesar disso, o iPad mini ocupa agora um papel que o iPad Pro maior que eu tinha antes não ocupava, que é do aparelho para usar dentro de casa.

Ainda uso muito o iPhone para navegar no Instagram, trocar mensagens e acessar meus apps de banco, mas quando resolvo me sentar para ler alguma coisa, ou quando quero assistir algo num lugar da casa que não tem TV, prefiro utilizar o iPad mini.

Isso só é possível no meu caso graças ao tamanho compacto do iPad mini em relação ao meu iPad Pro anterior, que acabava ficando sempre no mesmo lugar, por ser muito grande e pesado para ser facilmente carregado pela casa.

iPad mini e iPad Pro - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo - Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo
iPad mini e iPad Pro
Imagem: Arquivo pessoal/ Guilherme Rambo

Experimento à parte, o novo iPad mini como um todo é um iPad excelente. Apesar de não possuir botão Home, ele não tem Face ID, mas sim Touch ID no botão liga/desliga. Estava curioso para saber como seria a experiência de uso desse Touch ID no botão e tive uma experiência muito boa com ele.

Geralmente consigo desbloquear o iPad mini rapidamente. A posição do botão na parte de cima do iPad mini significa que, independentemente de como você está segurando o iPad, o botão quase sempre estará bem próximo de um polegar ou indicador, facilitando muito o desbloqueio com a digital. Cadastrei polegar e indicador das duas mãos e com isso posso desbloquear o iPad mini confortavelmente em qualquer orientação.

Outro recurso que eu ainda não havia testado pessoalmente é o Palco Central, que inicialmente chegou com o iPad Pro deste ano e está agora também presente na câmera frontal do iPad mini (e até do iPad de entrada).

O Palco Central simula um movimento de câmera ao utilizar apenas uma porção da área do sensor, que é grande angular, movendo o recorte para encaixar as pessoas que estão sendo captadas na câmera.

Gostei bastante do Palco Central, que nos meus testes funcionou muito bem. O único problema é que acho difícil posicionar o iPad mini de uma forma que o ângulo de visão da câmera fique bom para chamadas em vídeo.

Com a Smart Cover e o iPad mini de pé, se você ficar olhando para o rosto da pessoa no FaceTime, por exemplo, o ângulo do seu rosto em relação à câmera do iPad mini não fica muito bom, dando a impressão de que você não está "olhando nos olhos" da outra pessoa.

Quando o assunto é performance, nem preciso falar muito, já que o iPad mini tem o processador A15 que também está presente nos novos iPhones da linha 13. Não senti nenhum tipo de lentidão no uso do iPad mini, mesmo ao executar tarefas mais pesadas como edição de vídeo e fotos.

Não posso terminar este review sem falar do tal "efeito geleca".

Sempre que a Apple introduz algum dispositivo novo, acontece uma "corrida do ouro" para tentar encontrar qualquer defeito que o modelo possa ter. Com o novo iPad mini, não foi diferente.

Esse efeito acontece quando se rola rapidamente conteúdos na tela, especialmente quando o iPad mini está posicionado em modo retrato. É possível perceber um leve atraso entre a atualização do que está no lado direito da tela em relação ao que está do lado esquerdo, dando essa impressão de que o conteúdo da tela é uma "geleca".

Nem todos percebem, mas eu consegui perceber realmente esse efeito, que também é perceptível em alguns casos quando há alguma animação lateral rápida (abrir/fechar uma barra lateral do Mail, por exemplo) e o iPad mini está posicionado em modo paisagem.

Na minha opinião, não considero isso um defeito, já que não chega a me incomodar. É apenas uma curiosidade sobre como funciona a tecnologia da tela do aparelho. Inclusive é possível perceber um efeito semelhante em muitas telas de muitos dispositivos, de diversos fabricantes.

A única coisa da qual sinto falta na tela do novo iPad mini, ainda mais agora que estou usando um iPhone 13 Pro, é o ProMotion, com sua taxa de atualização de 120 quadros por segundo. Quando você se acostuma com uma tela ProMotion, usar uma tela que não conta com a tecnologia pode incomodar um pouco.

Então se você está procurando um iPad compacto, bonito, para carregar pela casa e usar nos tipos de atividades que mencionei, o novo iPad mini pode ser sim uma excelente opção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL