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Guilherme Rambo

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Roubo de iPhone dá dor de cabeça, mas dá para dificultar a vida do ladrão

Manuel Iallonardi/ Unsplash
Imagem: Manuel Iallonardi/ Unsplash
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Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

25/06/2021 04h00

Com tantos recursos de segurança presentes nos smartphones modernos, o roubo e furto de aparelhos com o fim de revendê-los ou simplesmente utilizá-los para atividades criminosas se tornou bem menos interessante. Com o iPhone, por exemplo, é possível bloquear o aparelho através do iCloud, processo muito difícil de reverter sem acesso à conta do dono do aparelho.

No entanto, os criminosos infelizmente são criativos, se adaptando às novas tecnologias às vezes mais rápido que os próprios usuários. Exemplo disso são os casos recentes, inicialmente relatados pela Folha de S.Paulo, de smartphones roubados que foram utilizados para esvaziar a conta bancária de seus respectivos donos em questão de minutos após o acontecimento.

Na maioria dos casos, os alvos são aparelhos que já se encontram desbloqueados —em uso no carro como GPS, por exemplo— porque dessa forma é muito fácil acessar todas as informações e apps presentes no celular. Mesmo assim, existem formas de desbloquear aparelhos, especialmente os que se encontram com seu sistema operacional desatualizado.

Nenhum sistema é 100% seguro, mas a vulnerabilidade mais comum em sistemas de tecnologia costuma ser o fator humano. Portanto, é importante tomar diversos cuidados no uso do seu celular e dos apps contidos nele, para reduzir ao máximo as chances de algo do tipo acontecer com você, caso seu celular caia nas mãos de criminosos.

Meu foco nesta coluna é o iPhone, portanto darei dicas mais específicas para a plataforma, mas algumas delas se aplicam a qualquer smartphone.

Os primeiros minutos

Caso tenha seu celular roubado, acesse iCloud.com assim que possível, entre no app Buscar dentro do portal e efetue o bloqueio remoto do aparelho. Isso pode ser feito com um celular emprestado de alguém, ou em qualquer computador com acesso a internet.

Para que seja possível esse acesso rápido, é importante que você tenha memorizado a senha do seu Apple ID. Ainda assim, não vá usar a mesma senha que usa para outras coisas: use uma senha difícil e única, mas tenha o hábito de digitá-la frequentemente para que decore.

Além desse bloqueio, também é importante entrar em contato com sua operadora e realizar o bloqueio do IMEI. Você pode obter o IMEI do seu iPhone discando *#06# no app Telefone. Guarde essa informação em algum local seguro caso precise dela no futuro.

Os bloqueios do aparelho e do IMEI não impedem que alguém remova o chip que está no seu celular e utilize em outro aparelho, para autenticação ou para entrar no WhatsApp e tentar aplicar golpes, por exemplo. Nesse caso, é importante definir um PIN para seu chip, assim ele não funcionará em outro celular sem a entrada do PIN. Se possível, opte pelo eSIM, pois como é inteiramente virtual, não é possível simplesmente retirar um chip do seu celular e colocar em outro.

Os iPhones também possuem um mecanismo que pode te ajudar caso você perceba algum risco de roubo iminente.

Em iPhones com Face ID, pressione o botão lateral e o botão de aumentar o volume ao mesmo tempo por cerca de 3 segundos. Isso fará com que o Face ID seja temporariamente desabilitado, exigindo a digitação da sua senha para desbloquear o aparelho.

Parece algo simples, mas nesse processo o iPhone apaga diversas chaves de segurança efêmeras, tornando sua invasão muito menos provável.

Hábitos de segurança saudáveis (e o que não fazer)

As dicas que dei acima são sobre o que fazer quando o problema já ocorreu ou está prestes a ocorrer, mas existem diversos hábitos de segurança que você pode adotar no seu iPhone, para que possa ficar menos preocupado caso algo assim venha a acontecer com você.

Código de desbloqueio

O primeiro deles é não utilizar simplesmente um código de 6 dígitos como código de desbloqueio do seu iPhone. O iOS permite o uso de senhas alfanuméricas para desbloqueio. Se você tem aplicativos de banco ou qualquer outro tipo de dado sensível no seu iPhone, você deveria estar usando uma senha maior que 6 dígitos para desbloqueá-lo.

Esse hábito se tornou muito mais viável agora que temos Face ID e Touch ID na maioria dos aparelhos, tornando a digitação da senha de desbloqueio muito menos frequente.

O uso de máscara atrapalha o Face ID, mas quem tem Apple Watch já pode se beneficiar do desbloqueio por proximidade, então na prática você terá que digitar a senha alfanumérica raramente.

Utilizar uma senha alfanumérica para desbloquear o iPhone traz diversos benefícios de segurança, já que a maioria das ferramentas automatizadas que permitem o desbloqueio de aparelhos não consegue fazê-lo em dispositivos que utilizam uma senha alfanumérica. Além disso, é muito mais difícil alguém que vê você digitar a senha conseguir memorizá-la se for uma senha alfanumérica, diferente do que acontece com uma senha de 6 dígitos.

Configuração de aplicativos

Outra modalidade de golpe que pode envolver celulares roubados é a invasão de WhatsApp para aplicação de golpes em parentes das vítimas.

O que muita gente não sabe é que o WhatsApp permite a configuração e autenticação em duas etapas, de modo que seja necessário autenticar com biometria ou digitar um código numérico para acessar o app.

Além disso, eduque seus familiares e amigos mais próximos sobre a aplicação desses golpes. Muitas vezes os criminosos enviam mensagens para parentes pedindo dinheiro e, infelizmente, muitas pessoas acabam caindo nesses golpes.

Uma dica que posso dar seria combinar uma "palavra secreta" com seus parentes e amigos mais próximos que possa ser usada para validar que você é você mesmo caso haja desconfiança (só lembre de combinar essa palavra secreta fora da plataforma de chat, claro).

Existem diversos aplicativos que permitem o seu bloqueio por biometria, exigindo autenticação para que sejam abertos. Recomendo ativar essa opção em todos os apps que você usa que permitam isso.

O ideal aqui seria o próprio iOS ter isso como recurso nativo do sistema, mas por enquanto dependemos dos desenvolvedores incluírem o recurso manualmente.

Autenticação de dois fatores

Em todos os serviços que você utiliza —especialmente os mais importantes— habilite a autenticação de dois fatores. Evite ao máximo o uso de SMS ou email como autenticação, já que no caso do seu celular ser roubado, os criminosos muito provavelmente terão acesso, mesmo que temporário, a esses serviços.

Portanto, procure utilizar um aplicativo de senhas — como Google Authenticator ou 1Password — e lembre-se de bloquear esses apps com biometria, além de uma senha forte e única.

Senhas

Nunca, jamais, em hipótese alguma, guarde senhas de forma aberta no seu celular. Isso vale para salvar senhas no app Notas, enviar senhas para contatos via iMessage ou WhatsApp, ou salvar senhas em emails.

Se você deseja gerenciar suas senhas, instale um aplicativo específico para isso, como 1Password, e proteja esse app com uma senha forte e biometria.

Se você tem o hábito de anotar senhas no Notas ou enviar senhas por mensagem/email, fica muito fácil para um criminoso com seu celular desbloqueado em mãos simplesmente buscar pela palavra "senha" e encontrar as senhas dos serviços que você utiliza.

O uso de um app específico para gerenciamento de senhas é o mais recomendado, assim você pode gerar senhas grandes e únicas para cada serviço e utilizar o app sempre que precisar delas.

Obviamente a segurança disso dependerá do uso de uma senha forte para proteção do gerenciador de senhas em si, mas pelo menos você só precisará lembrar de uma senha e será menos tentado a repetir a mesma senha em tudo pela facilidade de lembrar.

Estas foram apenas algumas dicas, se você seguir todas elas, diminuirá muito as chances de se tornar mais uma vítima dessas quadrilhas de roubo de dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL