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Guilherme Rambo

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Já que quase ninguém gosta mais de ligar, o iPad substitui bem o iPhone?

Cottonbro/ Pexels
Imagem: Cottonbro/ Pexels
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Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

01/10/2021 04h00

Quando Steve Jobs anunciou o primeiro iPhone, lá no início de 2007, ele disse que o novo produto seria um "iPod widescreen com tela sensível ao toque", um "telefone celular revolucionário" e "um navegador de internet inovador". O iPhone de fato cumpriu essas três promessas, se tornando referência para todos os smartphones que seriam lançados em seguida e um fenômeno cultural.

A principal mudança que percebo desde então foi na divisão entre o uso desses três aspectos do produto: iPod, telefone e internet.

Logo após seu lançamento, a maioria das pessoas ainda usava o iPhone como um telefone tradicional, fazendo e recebendo ligações, segurando o aparelho na orelha, como se fazia com qualquer outro telefone.

Com o tempo e o avanço da internet, especialmente das redes móveis, o telefone foi dando cada vez mais espaço à internet, se tornando um recurso secundário deste produto. O telefone era o prato principal, mas o consumidor queria mesmo era a sobremesa.

Era comum nos lançamentos de novos iPhones anúncios na apresentação da Apple sobre melhorias na qualidade de áudio e estabilidade dos telefonemas, mas aos poucos estes comentários foram desaparecendo, substituídos por apresentações do novo sistema de câmeras e dos novos recursos do Safari (navegador do iPhone).

Hoje em dia, muita gente nem se lembra que seu iPhone (ou qualquer que seja seu smartphone) é um telefone. Quando utilizam o aparelho para ligações, geralmente é através de algum serviço online como Google Meet, WhatsApp ou FaceTime, não utilizando a rede de voz da operadora.

No meu caso, o app "Telefone" nem está presente na tela de início do meu iPhone. Além disso, deixo ligado o recurso "Silenciar Desconhecidos" e desligadas todas as notificações do Telefone, já que quando recebo uma chamada telefônica "tradicional", em 99,9% dos casos se trata de telemarketing ou algum tipo de golpe.

Se fosse possível desligar a função "rede de voz" no meu iPhone, eu o faria sem pensar duas vezes.

Pois existe uma linha de produtos da Apple que há bastante tempo oferece exatamente esta opção: a linha de iPads.

Todos os iPads estão disponíveis tanto na versão wi-fi quanto na versão celular, contando com conectividade graças às redes móveis, mas sem a função de ligações de voz ou SMS.

Um iPad equipado com um modem celular de fábrica é capaz de fazer tudo aquilo que um iPhone é capaz de fazer quando o assunto é comunicação celular, exceto ligações usando a rede de voz ou envio/recebimento de mensagens via SMS.

Mais recentemente, com a apresentação da nova linha do iPhone 13, a Apple anunciou a nova geração do iPad mini. O tablet conta com um design renovado, sem botão de início e com o Touch ID no botão do topo, além do processador A15 (o mesmo que equipa os iPhones 13).

Além do design renovado e da melhoria do processador, o novo iPad mini também recebeu compatibilidade com as redes 5G.

Dado seu tamanho pequeno e design mais compacto, o site Axios argumenta que muitos usuários poderiam deixar de comprar o iPhone, substituindo o smartphone pelo novo iPad mini.

Ilustração compara dimensões do iPad mini em relação ao iPhone 13 Pro Max - Reprodução - Reprodução
Ilustração compara dimensões do iPad mini em relação ao iPhone 13 Pro Max
Imagem: Reprodução

Existe uma vantagem muito clara em optar pelo iPad mini no lugar de um iPhone: preço.

O iPhone 13 Pro Max, único modelo com tamanho de tela comparável ao iPad mini, custará no mínimo R$ 9.450 no Brasil. O iPad mini de entrada custará R$ 5.580.

Para quem gosta muito de ler e consumir conteúdos multimídia, a tela maior do iPad mini certamente seria uma vantagem.

Comparando o peso do iPad mini contra o iPhone 13 Pro Max, o iPad mini é apenas 60 gramas mais pesado que o iPhone. Em termos de tamanho, a diferença é um pouco maior, mas não absurda: o iPad mini é 3,5 cm mais alto e 5,6 cm mais largo que o iPhone 13 Pro Max.

Claro que essa troca não seria prática para todos, especialmente aqueles que preferem usar roupas mais apertadas, com bolsos menores. Para quem já está acostumado a andar por aí com uma mochila ou bolsa, isto nem chega a ser um problema.

Quem usa muito a câmera do iPhone e gosta de recursos mais avançados de vídeo e fotografia também sentiria falta deles no iPad mini que, apesar de ter um sistema de câmeras excelente, não traz todos os recursos do iPhone.

A realidade é que essas mudanças na forma como usamos nossos smartphones e o avanço de dispositivos móveis adjacentes estão tornando esse cenário cada vez mais plausível.

Talvez isso explica o porquê da Apple não atualizar o iPod Touch com muita frequência e nem adicionar grandes novidades no produto: um iPod Touch muito atraente acabaria roubando muitas vendas do iPhone.

Pessoalmente, já encomendei meu iPad mini e tentarei fazer o experimento de utilizá-lo no lugar do meu iPhone por alguns dias para ter essa experiência. Acompanhe artigos futuros para ver os resultados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL