PUBLICIDADE
Topo

Guilherme Rambo

Na prática, qual o diferencial do processador próprio da Apple no novo Mac?

Os novos MacBook Air, MacBook Pro e Mac Mini - Divulgação
Os novos MacBook Air, MacBook Pro e Mac Mini Imagem: Divulgação
Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

17/11/2020 04h00

Em sua apresentação mais recente, a Apple finalmente revelou seus primeiros computadores Mac com processador próprio, sem utilizar processadores da Intel. Enquanto os círculos geek focam nos benchmarks, gigahertz e gigabytes, pensei em explicar aqui o que essa mudança significa para você que está preocupado em usar seu Mac para trabalho ou diversão, ou para os curiosos que gostariam de entender um pouco mais sobre esse mundo fantástico dos processadores.

Primeiro, vamos ao que foi anunciado: novo MacBook Air, novo MacBook Pro de 13 polegadas e novo Mac Mini. Os três Macs são equipados com o SoC M1, desenvolvido pela própria Apple. Eles podem ser configurados com até 16gb de memória RAM e até 2TB de SSD. Vou parar por aqui com os números.

Para os especialistas em eletrônica ou engenharia da computação de plantão, tenham em mente que explicarei as coisas aqui com termos simples para que fique fácil de entender.

"So" o quê?

SoC, ou "system on a chip" (sistema em um chip), é mais do que simplesmente uma CPU. Computadores são compostos de vários "minicomputadores" que geralmente ficam em uma placa e são ligados por "fios" para que possam conversar entre si.

Os minicomputadores mais comuns dentro de um computador são a CPU, responsável pela execução do sistema operacional e aplicativos e a GPU, responsável por colocar lindas imagens na tela e garantir que aquele seu scroll no feed do Instagram escorregue como manteiga em temperatura ambiente num pedaço de filé mignon (talvez a analogia tenha ido longe demais).

A maioria dos Macs vendidos até então são equipados com uma CPU e uma GPU, alguns deles também possuem um segundo processador que a Apple chama de T2, para alguns processos relacionados a criptografia e segurança.

O novo M1 não é apenas uma CPU, ele é um SoC. Mas esse chip vai além da CPU e da GPU (que são bastante potentes). Ele também possui a "Neural Engine", para processamento de inteligência artificial, o "always on processor" que permite ao Mac acordar instantaneamente ao abrir sua tampa, o "Secure Enclave" que serve para criptografia e biometria, codificador e decodificador de áudio e vídeo, memória RAM, além de outros componentes.

Além disso, os diferentes núcleos da CPU do M1 (pense nos núcleos como minicópias da CPU que funcionam em paralelo) possuem características diferentes.

No M1 de 8 núcleos, 4 deles são de alta performance e os outros 4 são de alta eficiência. Isso permite ao sistema operacional otimizar o uso dos diferentes núcleos dependendo do que está sendo feito no computador, para garantir a melhor performance e ao mesmo tempo excelente duração de bateria, nunca antes vista num computador portátil.

Principais vantagens de Macs com M1

Agora que já vimos o que é um SoC e por que o M1 é diferente de uma CPU tradicional, vamos ver algumas das principais vantagens que um Mac equipado com esse SoC pode fornecer.

Maior duração da bateria

Por conta da sua vasta experiência no desenvolvimento de processadores para equipamentos com baterias pequenas, desde os AirPods até o iPad, a Apple evoluiu uma arquitetura que consegue preservar muito a duração da bateria.

Isso acontece graças aos núcleos de alta eficiência e ao fato desses processadores desperdiçarem menos energia na forma de calor. A maioria dos computadores —de notebooks a desktops— precisa de ventoinhas para ajudar na dissipação do calor emitido pelos componentes, principalmente o processador.

Com o chip M1, a Apple conseguiu criar um MacBook Air completamente sem ventoinhas, mas com performance comparável a um MacBook Pro de 16 polegadas topo de linha atual.

Performance

Sem dúvida o maior benefício dos Macs com chip M1 é sua performance para todo tipo de tarefa.

Apps abrem mais rápido, exportar um vídeo em alta resolução ou compilar código no Xcode é muito mais rápido e qualquer tarefa relacionada a machine learning pode ser feita em uma fração do tempo que levaria num processador Intel.

Apps de iOS no Mac

Sim, como agora os Macs usam processadores parecidos com os de iPad ou iPhone, os apps do iOS podem ser baixados na App Store do macOS, sem que seus desenvolvedores precisem criar uma versão específica para o sistema.

Nem todos os apps estarão disponíveis, pois desenvolvedores têm a opção de não disponibilizar seus apps de iOS na plataforma, mas é bem provável que ao menos alguns apps que você usa hoje no iOS e não possuem versão para Mac estarão disponíveis na App Store em Macs com processadores da Apple.

Principais desvantagens de Macs com M1

Claro que não existem apenas vantagens nesses novos Macs. Vamos ver algumas desvantagens, que dependem do tipo de trabalho que você executa no Mac. A maioria delas está relacionada ao fato de que, por enquanto, os Macs com processador da Apple que foram lançados são modelos de entrada, não os modelos mais topo de linha usados por profissionais.

Memória RAM máxima de 16gb

Embora eu venha usando Macs com 16gb de memória RAM por muitos anos sem qualquer problema, entendo que alguns tipos de trabalho podem exigir mais do que isso. Então, se você realmente precisa de mais de 16gb de RAM no Mac, vai ter que esperar o lançamento de modelos mais topo de linha com processadores da Apple.

Não é possível rodar Windows diretamente

Se você atualmente utiliza um Mac, mas possui o Windows instalado diretamente na máquina via Boot Camp, não seria uma boa ideia mudar para um Mac com processador da Apple.

Aqueles que utilizam softwares de virtualização como Parallels podem ficar tranquilos: a empresa já anunciou que tem uma versão com suporte ao novo processador que deve ser lançada em breve.

Conclusão: comprar agora ou esperar?

É sempre difícil responder esse tipo de pergunta, pois a resposta varia muito dependendo do tipo de trabalho que você faz e suas prioridades. Eu diria que não é necessário temer essa primeira geração de Macs com processador da Apple.

Se você acredita, após ver o que apontei aqui, que um Mac com M1 parece bom para o seu trabalho, não acho que deva esperar, pois sempre haverá um produto melhor a ser lançado no futuro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL