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O novo iPhone 12 é ótimo, mas comprá-lo neste ano não é tão necessário

iPhone 12 Pro - Reprodução/YouTube
iPhone 12 Pro Imagem: Reprodução/YouTube
Guilherme Rambo

Guilherme Rambo é programador desde os 12 anos. Especialista em engenharia reversa, é conhecido mundialmente por revelar os segredos da Apple antes mesmo dos anúncios da empresa, além de programar para as plataformas da empresa.

16/10/2020 04h00

Quando o ano começou, poucas pessoas esperavam o que estava por vir. A rotina de todos mudou drasticamente em março e, apesar disso ser uma preocupação insignificante dada a situação, os fãs de tecnologia se perguntaram se os produtos que tanto gostamos teriam atualizações e novidades anunciadas e lançadas ao longo do ano. Acompanhando o que tem acontecido no mercado de tecnologia em 2020, tenho a impressão de que a enorme maioria das empresas do segmento conseguiram se virar muito bem considerando as condições impostas pela pandemia.

Não foi diferente no caso da Apple, que fez diversos anúncios durante o ano, fez sua conferência para desenvolvedores totalmente virtual (muito elogiada por sinal) e lançou atualizações dos seus sistemas operacionais com novidades interessantes e sem grandes problemas. Tudo isso culminou no evento desta semana, com o anúncio da sua nova linha de iPhones. Este evento é sempre o mais esperado do ano e, apesar do atraso e do número limitado de novidades, não deixou de ser interessante.

HomePod mini

O mercado de caixinhas de som inteligentes está bastante aquecido. A Apple, com o HomePod original, entrou com uma proposta diferente, de oferecer som de altíssima qualidade. O problema é que isso tem um preço — muito alto — que não faz sentido para quem quer apenas uma caixinha de som para tocar música de vez em quando, ouvir podcasts e ter pequenas interações com um assistente virtual.

Com o anúncio do HomePod mini, por apenas 99 dólares, a oferta da empresa começa a se tornar interessante nesse segundo cenário. O HomePod mini pesa singelos 340 gramas, enquanto que o anterior pesa mais de 2 quilos. Além disso, ele é muito menor, podendo ser integrado mais facilmente na casa. O cérebro dele é o chip S5, o mesmo que controle o Apple Watch Series 5.

Eu gostei bastante do HomePod mini, resta saber quão boa será a qualidade do som que ele produz. Tenho atualmente um par estéreo de HomePods na sala e o som é incrível, se o HomePod mini conseguir atingir pelo menos 70% da qualidade do seu irmão maior, ficarei bastante satisfeito.

O chip U1

Outro aspecto do HomePod mini que me chamou atenção foi a inclusão do chip U1. Para quem não está por dentro, o chip U1 (ultra-wideband) permite aos aparelhos reconhecerem o ambiente ao seu redor e localizar outros aparelhos equipados com o mesmo. Você pode pensar nessa tecnologia como um GPS que funciona somente no contexto de um cômodo da casa.

Os iPhones 11 e 11 Pro — lançados ano passado — já contavam com a tecnologia. O Apple Watch Series 6 — lançado mês passado — também é equipado com o chip U1. Com a adição do chip no HomePod mini, será possível obter o status do aparelho apenas apontando o iPhone na sua direção. Da mesma maneira, será possível transferir o que está tocando no iPhone para o HomePod mini e vice-versa.

A maior diferença entre o U1 e o Bluetooth é que o primeiro permite saber a direção e a distância de um aparelho para o outro com muita precisão. Apesar do uso tímido do chip até o momento, tudo indica que ele foi adicionado aos iPhones porque também fará parte das AirTags, produto que deveria ter sido lançado este ano, mas por conta da pandemia acabou ficando pra depois, já que não faz muito sentido lançar um dispositivo que serve para encontrar objetos perdidos quando as pessoas não estão saindo tanto de casa.

Sou bastante entusiasta dessa tecnologia, porque gosto muito da computação por proximidade que a Apple adota em vários dos seus produtos. Também acredito que o chip U1 — e outras coisas como o Spatial Audio — faz parte da estratégia de realidade aumentada da empresa. Num futuro não muito distante, se você perder algo em casa, poderá abrir o app Buscar (Find My) no iPhone e fazer uma brincadeira de "frio, morno, quente" até encontrar o que estava procurando, ou até mesmo entrar em modo AR e ver um balão flutuando em cima de onde o objeto perdido está.

iPhones 12

Chegamos na parte que todos sempre esperam nos eventos da Apple: novos iPhones. Embora eu tenha especulado sobre a possibilidade deste ser um "ano S" semana passada, parecia bem claro dados os rumores de que na verdade o ano traria um incremento numérico no nome dos iPhones, o que de fato ocorreu.

Não vou listar aqui toda a ficha técnica dos novos aparelhos, já que isso pode ser facilmente encontrado no site da Apple. Vou focar nas minhas impressões do que foi anunciado e tentar ajudar quem está em dúvida sobre se deve ou não comprar um iPhone novo este ano, ou sobre qual deles comprar.

5G

Me chamou atenção — e não foi só comigo — o foco absurdo que a Apple deu para a tecnologia 5G durante o evento. Digo isto porque trata-se de uma tecnologia que está ainda em sua infância e não fará diferença nas vidas da esmagadora maioria dos usuários. Isso é especialmente verdade para nós aqui no Brasil, onde o 5G não deve chegar tão cedo (o leilão para exploração do 5G só deve ocorrer em 2021).

Mesmo ignorando este fato, a tecnologia mmWave do 5G, que é a mais avançada e mais rápida, só estará presente nos modelos de iPhones vendidos nos Estados Unidos. Além disso, acredito que a reclamação da maioria dos usuários de redes móveis não seja o fato de serem lentas, mas sim a cobertura péssima que é oferecida pelas operadoras. Basta sair um pouco dos principais bairros da cidade que o sinal cai para apenas uma barra, ou degrada para 3G ou até mesmo EDGE.

Tudo indica que o 5G não resolverá essa questão. Pelo contrário: a tecnologia do 5G requer mais infraestrutura para cobrir a mesma área que o 4G/LTE. Então, se você não mora numa área nobre da sua cidade, pode esquecer o 5G por enquanto.

Por todos esses motivos, o 5G está longe de ser algo que eu considere importante, e esse foco absurdo na tecnologia durante o evento me deixou bastante entediado.

Design

Algo que não me deixou entediado — muito pelo contrário — foi o design dos novos iPhones. Eles voltaram a lembrar o que na minha opinião foi o melhor design de iPhone de todos os tempos, da era do iPhone 4/4S. O mesmo design já está presente nos iPads Pro mais recentes e, se a empresa quisesse continuar usando ele para sempre, eu não ficaria incomodado.

As cores também não decepcionaram. Minhas favoritas são o azul e o verde no iPhone 12 e 12 mini, mas pessoalmente pretendo comprar um iPhone 12 Pro azul. Atualmente tenho o 11 Pro verde e gosto bastante da sutileza no uso da cor, que dependendo da luz lembra mais um cinza, mas exibe um pouco a cor dependendo de como você olha para o aparelho.

Outra novidade que certamente agradará muitos é a introdução do iPhone 12 mini. Muitas pessoas preferem aparelhos menores e por muito tempo a Apple não oferecia uma opção com todas as novidades da geração atual, mas um tamanho mais confortável de usar. Prevejo que este modelo será muito popular, não apenas pelo tamanho menor, mas também pelo preço reduzido quando comparado aos seus irmãos maiores.

Câmeras e processador

Assim como faz todos os anos com novos iPhones, a Apple aprimorou o sistema de câmeras. Agora é possível fazer fotos em Modo Noturno com todas as câmeras do aparelho — inclusive a câmera frontal.

Para quem gosta de ter sempre o melhor em termos de câmera e não se importa com o aparelho grande, também tem novidade bacana no iPhone 12 Pro Max. Um sensor maior, além de estabilização de imagem avançada baseada em movimentos do sensor e não da lente, deverão garantir fotos e vídeos ainda melhores no aparelho.

Tudo isso é possível não somente graças aos novos sensores e lentes, mas principalmente graças ao chip A14. Todos os smartphones que possuem um sistema de câmeras avançado precisam em algum momento fazer fotografia computacional para melhorar o material que é capturado pelos sensores. Para fazer isso, a Apple tem investido pesado em machine learning, não somente em software mas também no hardware com sua Neural Engine.

As câmeras não costumam ser um fator decisivo para mim na hora de escolher qual smartphone comprar, mas entendo que é um fator decisivo para muita gente.

Acessórios (e a falta deles)

Como já era esperado, a Apple removeu o carregador e o fone de ouvido das caixas dos iPhones, alegando que isso será melhor para o meio ambiente. Segundo a empresa, além de reduzir o lixo eletrônico, a redução no tamanho das caixas permitirá o transporte de 70% mais aparelhos no mesmo contêiner para transporte, reduzindo as emissões significativamente.

Não tenho dúvidas de que isso é verdade. Não tenho dúvidas também de que o corte também beneficiou o custo de produção dos aparelhos deste ano, apesar desse benefício não ter sido repassado para os compradores.

No final das contas, acredito sim que o fator principal aqui tenha sido a questão ambiental, pois certamente a medida causará muitas críticas à empresa nos próximos meses — ou anos — e para tomar uma medida arriscada dessas, como diria o próprio ex-diretor de marketing da empresa, precisa-se de coragem.

Apesar de remover esses acessórios da caixa, o evento também trouxe um anúncio na área de acessórios que me deixou bastante empolgado: MagSafe. A Apple está reutilizando a marca que foi por muito tempo usada nos carregadores dos Macs, onde a tecnologia — inspirada nas panelas elétricas de arroz japonesas — era usada para previnir quedas por tropeços no cabo de carregamento, graças ao uso de ímãs para prendê-lo ao computador.

No caso dos iPhones, o MagSafe veio com um propósito diferente, de tornar o carregamento indutivo mais prático no dia a dia. Basta colocar o iPhone perto do carregador e ímãs estrategicamente posicionados e calibrados "grudam" o iPhone ao carregador, garantindo assim uma recarga mais eficiente e sem o risco do iPhone escorregar e parar de recarregar no meio do processo.

Além do carregador, o MagSafe também pode ser usado para outros tipos de acessórios como capinhas e a tecnologia está disponível também para que outras empresas desenvolvam acessórios para os iPhones.

Devo comprar um iPhone novo este ano? Qual?

A evolução anual do iPhone, assim como da maioria dos smartphones, já não é mais tão expressiva como era na época em que tudo ainda era novidade. Por conta disso, não costumo recomendar àqueles que me perguntam que comprem o iPhone do ano, caso já possuam o modelo mais atual.

Portanto, se você é um feliz dono de um iPhone 11 ou 11 Pro, não vejo motivos para atualizar este ano, a não ser que você simplesmente queria ter o design novo ou tenha se apaixonado por alguma das cores a ponto de querer atualizar.

Mesmo para quem tem um iPhone XR, iPhone XS ou XS Max, é difícil recomendar o upgrade. Já para aqueles que ainda estão usando um iPhone 8, iPhone X, ou anterior, começa a ficar bem mais interessante, pois os avanços de processador, câmeras, tela, entre outros, se tornam bastante atrativos.

Pra quem pretende comprar e está em dúvida sobre qual modelo escolher, eu diria que, se você precisa fazer essa pergunta, provavelmente está procurando um iPhone 12 mini ou um iPhone 12, a escolha entre um deles vai depender de qual tamanho você prefere (ou do orçamento). É difícil recomendar o iPhone 12 Pro ou o 12 Pro Max, a não ser que você seja um grande entusiasta da fotografia, ou queira o maior iPhone possível, nesse caso vá de 12 Pro Max.

Pessoalmente, se ter o iPhone do ano não fizesse parte do meu trabalho, não compraria o iPhone 12 este ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL