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Akin Abaz

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Empreender traz responsabilidades, e ter o olhar mais diverso é parte disso

Ono Kosuki/ Pexels
Imagem: Ono Kosuki/ Pexels
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Akin Abaz Akin Abaz

Akin Bakari D'Angelo dos Santos é fundador da InfoPreta e homem trans. Um curioso nato e um amante do desconhecido, sempre se interessou por montar, desmontar e entender o funcionamento dos eletrônicos. Fez cursos técnicos na adolescência e, aos 15 anos, já atuava na área da indústria com manutenção eletrônica de maquinário pesado. Em 2011, começou a consertar computadores em seu quarto e dois anos depois fundou a InfoPreta, empresa de serviços de manutenção que tem por objetivo inserir pessoas negras, LGBTQI+ e mulheres no mercado tech, aliando lucros a projetos sociais de grande impacto.

Akin Abaz

Colunista do UOL

01/07/2021 04h00

Tem quem acha que empreender é um bicho de sete cabeças. Já alguns pensam que hoje em dia todo mundo é empreendedor e que não há mais espaço para novas ideias. Faz uns anos que o empreendedorismo ganhou espaço e deixou de ser confundido com empresas e companhias, passando a ser cada vez mais difundido.

Podemos entender o empreendedorismo como a capacidade de idealizar, realizar e coordenar projetos, serviços ou negócios. Ou seja, é pegar aquele sonho e colocar a mão na massa para que ele aconteça. Mas é preciso estar atento ao que você quer fazer e como você quer fazer, afinal, empreender traz muita responsabilidade.

Quando comecei a idealizar a InfoPreta, tinha a ideia de que ter meu próprio negócio seria a resposta para várias questões.

Desde criança eu gosto de descobrir como as coisas funcionam e trabalhar com tecnologia já era uma certeza na minha vida, mesmo alguns anos antes das atividades na IP começarem.

O mercado de trabalho tecnológico ainda fechado para a diversidade e o desejo de mudar isso foram grandes impulsionadores para que esse projeto nascesse e continuasse crescendo ao longo dos anos.

Empreender atualmente pode ser mais fácil, principalmente porque abrir o próprio negócio tem sido menos burocrático. Com isso, o empreendedorismo tem se mostrado um caminho para quem deseja inovar, mas principalmente nesses anos de pandemia, também se tornou uma das saídas para quem teve sua renda comprometida de alguma maneira.

Como acham que é X como realmente é

Tem gente que ainda acha que ser empreendedor ou empresário é a mesma coisa. E esse discurso acaba assustando quem tem algum projeto, mas acredita ser muito difícil colocá-lo em prática.

O empresário geralmente abre, compra ou herda uma empresa. E seu foco é continuar administrando a companhia com foco em manter os negócios sob controle.

Já o que move o empreendedor é descobrir problemas e oportunidades, pensando em soluções que inovem e até gerem impacto social. Uma das chaves para empreender é não ter medo de arriscar, e acreditar no seu projeto e no seu próprio potencial para realizá-lo.

Claro que nem tudo são flores.

Hoje a InfoPreta é uma empresa com mais de 30 colaboradores e a responsabilidade de administrá-la é enorme. É impossível arriscar sem pensar que minha empresa é o meu sustento e de várias outras pessoas. Preciso estar atento aos serviços que oferecemos, mas também em como realizamos estes serviços.

O foco é inovar e arriscar sem perder a qualidade para assim continuar sendo uma empresa positiva para os meus clientes.

Tem muitos lugares que eu não teria chegado se não tivesse arriscado. Mas empreender não significa ser dono do próprio negócio e lucrar apenas com o trabalho das outras pessoas.

O empreendedorismo é o meu trabalho. Se eu não me dedicar em aprender mais, aplicar boas ideias, entender como funciona o mercado, de nada adianta ter uma equipe sensacional (o que modéstia parte, eu tenho).

Ser empreendedor talvez não tenha o mesmo glamour que ser um grande empresário branco, cisgênero e heterossexual em uma multinacional. Aliás, acho que um dos fatores interessantes do empreendedorismo, principalmente entre os mais jovens, é ser mais diverso.

Eu como um homem negro e transexual, me sinto realizado em saber que mudo a vida das pessoas ao meu redor: seja oferecendo um bom serviço para meus clientes ou seguindo o sonho de tornar o meio tecnológico mais diverso e inclusivo, tanto por meio das minhas contratações quanto das discussões que trago diariamente à sociedade.

* Colaborou Rhayssa Souza, jornalista e redatora de conteúdo da InfoPreta

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL