Paul McCartney faz show surpresa para 300 fãs em Brasília, em clima de Cavern Club

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - Habituado a encher estádios com dezenas de milhares de fãs em turnês ao redor do mundo em mais de 60 anos de carreira, Paul McCartney subiu ao palco de uma pequena e tradicional casa de música em Brasília com sua banda na noite de terça-feira, onde foram recebidos com histeria por um público de cerca de 300 pessoas, que foram proibidas de registrar imagens do evento.

Em apresentação de porte comparável às feitas pelos Beatles em início de carreira no Cavern Club de Liverpool, em palco simples e sem telão, o ex-Beatle não se intimidou com o calor intenso que fazia no local e apresentou ao público diminuto uma setlist de 22 músicas que mesclou sucessos dos Beatles e de sua carreira solo, suando intensamente sob uma camisa com a estampa “Liverpool”.

A servidora pública Amanda Cardoso, de 33 anos, classificou seu oitavo show de Paul McCartney, colada na grade do palco, exatamente em frente ao ídolo, como “a melhor e mais inesquecível experiência” que já teve.

"Foi como ganhar na loteria sem ter jogado", disse.

“Eu já tinha vivido momentos que achei que nunca poderiam ser superados, mas ontem eu pude ver a minha maior referência musical a um metro de mim, interagindo comigo em diversos momentos naquele lugar que durante uma hora e quarenta foi o Cavern Club brasiliense”, afirmou.

Em publicação feita na manhã da própria terça-feira em redes sociais, Paul McCartney anunciou que tocaria mais tarde no mesmo dia no Clube do Choro para celebrar a chegada ao Brasil de sua turnê “Got Back”, destacando que os ingressos seriam “extremamente limitados”.

A compra foi liberada apenas para parte do público que já havia adquirido bilhetes para a apresentação do ex-Beatle marcada para quinta-feira no estádio Mané Garrincha. As vendas, com preços de 200 e 400 reais, valor abaixo do cobrado em grande parte dos bilhetes da turnê, esgotaram em poucos minutos.

Os fãs que conseguiram comprar os ingressos receberam pulseiras do show, que não podiam ser repassadas a terceiros. Depois, a organização do evento pediu que chegassem com antecedência ao local da apresentação, onde todos os celulares e câmeras foram lacrados para impedir o registro de imagens -- quem descumprisse a determinação seria retirado do local pela segurança.

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Entre as músicas apresentadas, estavam “A Hard Day’s Night”, “Getting Better”, “Maybe I’m Amazed”, “Blackbird”, “Let It Be”, “Hey Jude” e “Helter Skelter”. O show não contou com a recém-lançada faixa “Now And Then”, anunciada como a última música dos Beatles, que traz a voz do falecido membro John Lennon, tratada com uso de inteligência artificial.

Fundado em 1977, o Clube do Choro fica no centro de Brasília, em prédio projetado por Oscar Niemeyer, e é conhecido por abrigar apresentações de ritmos brasileiros e oferecer samba e feijoada aos fins de semana. No show de Paul, o bar do local serviu cerveja e caipirinha enquanto garçons vendiam porções de pastel e batata frita.

No meio do público também estavam algumas figuras conhecidas da música brasileira, como Samuel Rosa, ex-vocalista do Skank, agora em carreira solo, e Augusto Nascimento, filho e produtor artístico de Milton Nascimento.

“Acabei de assistir a um show do Paul McCartney a quatro metros de distância dele, num bar, com pouquíssimas pessoas. Hoje é o dia mais feliz da minha vida”, publicou Nascimento em suas redes sociais.

E o ex-Beatle não encerrou as surpresas por aí. Alunos do departamento de música da Universidade de Brasília (UnB) receberam da coordenação do curso um comunicado informando que a produção do show convidou estudantes para a passagem de som a ser feita no estádio Mané Garrincha. Foram selecionados 50 jovens com idades entre 16 e 25 anos.

No Brasil, a turnê “Got Back” passará por Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro.

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