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Ricardo Feltrin

Opinião: Culpados do fogo na Cinemateca têm nome e sobrenome

Cinemateca na Vila Leopoldina pega fogo, na cidade de São Paulo, SP, nesta noite de quinta-feira (29 - RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Cinemateca na Vila Leopoldina pega fogo, na cidade de São Paulo, SP, nesta noite de quinta-feira (29 Imagem: RONALDO SILVA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

30/07/2021 11h07

Nem vou perder meu tempo falando em "tragédia anunciada" no caso do incêndio de mais uma parte da Cinemateca ontem em São Paulo, na Vila Leopoldina. E olhem que podia ser bem pior: se o incêndio tivesse ocorrido no acervo da Vila Mariana, que é muito maior, estaríamos falando de uma desgraça cultural inimaginável.

Outra parte do acervo já havia sido devastada no início do ano passado em um alagamento monstruoso. Boa parte do acervo original do Canal 100 se perdeu para sempre.

Assim como o Canal 100, o material destruído pelo fogo ontem também tem cópia digitalizada, o chamado "backup".

Mas, não é disso que se trata: estamos falando de acervo, de memória, de cultura original de um país. Não de cópia de segurança. É patrimônio legítimo.

Já estavam mais que avisados

Nos últimos dois anos por várias vezes escrevi textos aqui apontando o risco que o acervo —extremamente inflamável— corria.

As "condições de manutenção" nem sequer podiam levar esse nome. Geradores pifados, falta de segurança, nem sequer câmeras de acompanhamento havia lá.

O nome e o sobrenome do culpado por isso já temos: Abraham Weintraub, o ex-ministro da Educação (sic).

Foi esse o incompetente original e que já é apontado pela Justiça Federal como quem ignorou os alertas dos Ministérios da Economia e Cidadania quando, ao romper unilateralmente o acordo com a TV Escola lá no final de 2019, também poria a Cinemateca de São Paulo —um patrimônio nacional— em risco.

Ambos eram geridos pela Associação Educativa Roquette Pinto

Já o outro co-autor desse crime lesa-pátria cultural é conhecido mais como um sub-ator de novelas adolescentes.

No mais de um ano em que está lá no posto, em Brasília, na honrosa Secretaria Nacional de Cultura, Mário Frias, nada fez que preste. Aliás, isso parece ser uma sina no cargo, pois sua antecessora, Regina Duarte, foi outro completo zero à esquerda.

Exceto que, no caso de Frias, ele parece estar numa espécie de envelhecer tardio.

Vejam só, deu até de andar com arminha na cintura dentro do próprio gabinete em Brasília, ameaçando funcionários públicos, honestos e de carreira.

Como se para ser homem de verdade fosse necessário andar com pólvora, e não com um cérebro.

Weintraub e Mario Frias são simplesmente a cara escarrada do bolsonarismo lambe-botas, que corrói do mais alto ao mais raso este desgoverno decadente,

Estão lá sempre dispostos a bajular o chefinho ou seus filhos cínicos, mas sem a menor competência para ocupar qualquer cargo público.

O incêndio de ontem na Cinemateca não foi uma tragédia anunciada. Foi uma tragédia óbvia que só podia acontecer num país como o nosso: queimado por canastrões.

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