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Ricardo Feltrin

Artistas e TVs registram e começam a faturar com "memes" e bordões

A dupla Simone e Simaria registrou o bordão "Chora não, Coleguinha!" - Reprodução / Internet
A dupla Simone e Simaria registrou o bordão "Chora não, Coleguinha!" Imagem: Reprodução / Internet
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

12/07/2021 00h27

O termo "meme" foi criado em 1976 pelo zoólogo Richard Dawkins, criador da "teoria memética". Mal sabia ele que, 45 anos depois de seu estudo, artistas do mundo inteiro estariam faturando uns bons trocados com o fundamento de seu estudo —Brasil incluso, claro

No dicionário de Oxford, "meme" é um elemento cultural" que se reproduz velozmente (viraliza) na internet por meio do mimetismo. Ei, então não deveria ser "memetismo"? :)

Usados em propagandas por causa de sua linguagem direta e divertida, eles se tornaram também mais uma fonte de receitas para seus artistas ou personagens.

É o que mostra um artigo assinado por Fernanda Rosa Picosse e Alexandre Trinhain, sócios da Iplatam Marcas e Patentes. Ela é advogada especializada em propriedade intelectual; ele é engenheiro com especialização em marcas e patentes.

Caneta azul e desbravadora

Os especialistas mostram que o vigilante Manoel Gomes, autor de "Caneta Azul", registrou a marca e foi o garoto propaganda da Bic e da Tilibra durante o período da prova do Enen de 2019.

Segundo a coluna apurou, ele ganhou cerca de R$ 100 mil somente da Bic.

Francine de Campos Grando, por sua vez, é dona do registro da marca e do meme "O que Queremos?" (processo 905.615.719).

Segundo Picosse Trinhain, ela chegou a receber, em um único mês, mais de R$ 200 mil em "royalties" advindos de campanhas publicitárias que licenciaram o seu meme.

Entre elas estão Globosat, Nextel, Red Bull, Chevrolet e Grupo Zaffari.

Já André Luiz Crevilaro Camargo, titular do registro da marca "Dinofauro" (processo 914.644.270), faturou mais de R$ 11.000,00 em uma única campanha de licenciamento com o Google, licenciando também o seu "meme" para a Vivo e Mary Kay.

Simone e Simaria, por exemplo, são donas da marca "Chora Não, Coleguinha!" (processo 916.101.606). E Wesley Safadão se tornou dono da expressão "Vai Safadão" (processo 913.849.456).

TVs entraram na "onda"

Os donos da Iplatam Marcas e Patentes apontam que não só artistas, mas empresas estão se tornando proprietárias de bordões e memes.

A RecordTV é dona do bordão "Corta Pra Mim", criado por Marcelo Rezende (processos 908.684.126 e 908.684.126).

Também é dona do bordão "me Ajuda Aí", criado pelo jornalista Datena (905.201.809 e 905.202.457).

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