Ingresso já custa salário mínimo, mas Brasil segue forte no show business

A euforia das pessoas por shows está inflacionando o mercado do setor no mundo todo e, no Brasil, o valor do ingresso já chega a valer um salário mínimo: R$ 1.320 é o que custa, por exemplo, a entrada para um dia do Lollapalooza de 2024.

Há quem pague valor próximo a esse sem nem mesmo saber o que vai ver, apenas na expectativa de que, no final, sairá feliz. O festival Primavera Sound iniciou nesta quinta (7) a venda de seus "early birds", ingresso no escuro, sem qualquer atração da edição de 2024 confirmada, e o preço é R$ 1.200.

Por outro lado, como é costume, o Rock in Rio tem preços mais em conta do que todos os festivais concorrentes. Para o ano que vem, o Rock in Rio Card, espécie de pré-ingresso, sai por R$ 755. Mais adiante, com o lineup anunciado, o fã troca esse card por um ingresso para o dia que deseja ir ao festival. A venda desse tipo de ingresso abriu nesta quinta (7) e esgotou em duas horas. Segundo a produção, foram vendidos RiR cards para todos os estados do país e também para pessoas de 28 países.

O único festival que derruba o Rock in Rio nos preços é o I Wanna Be Tour. Trata-se, porém, de um evento temático, voltado ao público emo, que teve os ingressos esgotados em São Paulo ao preço de R$ 650 o mais caro.

Vale dizer que todos os grandes festivais brasileiros brigam por atrações não só entre si, mas também com festivais no exterior, que também precisam encher seus lineups com os artistas mais pedidos pelo público. Entram aqui os fatores cachê oferecido, interesse de vir e, principalmente, disponibilidade frente a tantos convites.

Turnês solo

Levantamento feito por Splash mostra também que os shows individuais internacionais, as chamadas turnês solo, em que o artista não passa por festivais, já têm valores próximos a um salário mínimo. No caso de Andrea Bocelli, um salário não paga nem a metade da inteira do ingresso mais próximo do palco, que custa R$ 4.620. O tenor vem ao Brasil em maio e canta para plateia com o público sentado.

Outros shows, na linha do pop ou do rock, chegam próximos a R$ 1.000 —ou até passam— a inteira do ingresso para o setor mais cobiçado: a Pista Premium, que dá possibilidade ao fã de tentar ficar próximo do palco, a famosa "grade". Mas aqui o preço dos ingressos continua obedecendo uma dinâmica em que atrações não tão badaladas custam menos. É o caso do Westlife, boyband meio esquecida do final dos anos 1990, que vem ao Brasil no ano que vem e tem ingresso mais caro a R$ 720.

Se ainda parece alto o valor, é bem mais baixo que os ingressos para atrações como Louis Tomlinson, cantor que virou uma febre no país, a R$ 1.000; ou o grupo de k-pop Twice, outro bombado aqui, por R$ 920. Mesmo o veterano Tom Jones, um dos maiores cantores vivos da música pop norte-americana, porém não tão conhecido entre a nova geração de fãs de música como Elton John e Rod Stewart, por exemplo, honra seu currículo e cachê com a entrada mais cobiçada a R$ 980.

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E "Deus" cobra mais. Vai custar R$ 1.200 a inteira da Premium para ver Eric Clapton em setembro de 2024. O músico inglês, que era costumeiramente chamado de "God" (Deus, na tradução), devido à sua habilidade na guitarra, é o nome mais icônico do calendário de shows, até o momento, entre os já anunciados oficialmente. A venda dos ingressos para seus shows será realizada a partir de 13 de dezembro.

Segundo apurou Splash, o valor ainda é mais baixo que o do ingresso dos shows de Clapton nos Estados Unidos, na conversão do dólar. A moeda americana, inclusive, é o principal fator para se estabelecer o preço do ingresso. O cachê é pago em dólar, e tem toda a parafernália do artista para transportar para o longínquo Brasil, um custo alto de transporte que as produtoras não têm quando o artista faz turnês na Europa e nos Estados Unidos.

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