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Silvia Abravanel pede volta do 'Bom Dia' ao SBT: 'Eu era a babá do Brasil'

Silvia Abravanel apresenta o "Sábado Animado" no SBT - Divulgação/SBT
Silvia Abravanel apresenta o "Sábado Animado" no SBT Imagem: Divulgação/SBT

De Splash, em São Paulo

03/08/2022 04h00

Silvia Abravanel, de 51 anos, está preocupada com o destino da programação infantil da TV brasileira. Coordenadora da área no SBT, emissora que pertence ao seu pai Silvio Santos, a apresentadora critica as regras para publicidade direcionada às crianças na televisão e vê uma lacuna deixada pelo fim de programas como a "TV Globinho" e o "Bom Dia & Cia", que ela apresentava até abril deste ano.

"Essa lei prejudicou, porque as crianças que têm condição vão para o streaming e para a TV paga, mas as que não têm ficam só no celular e na internet", afirma, em entrevista a Splash. "Linguagem de internet é aquela bagunça e você não consegue triar de verdade o que a criança está vendo. Na televisão, criança via e brincava com coisas de criança", argumenta Abravanel.

A lei em questão não é exatamente uma lei, mas a resolução nº 163 do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente). Pela regra, seria proibida a veiculação de propagandas direcionadas ao público infantil em todos os meios de comunicação, o que passou a ser visto como risco legal por emissoras e anunciantes e desencorajou produções.

Apresentadora do "Bom Dia & Cia" de 2015 a 2022, Silvia Abravanel diz que se via como uma espécie de "babá do Brasil" e que é procurada por adultos que relatam a ela que deixavam os filhos assistirem para se dedicar a outras atividades. "Muita gente está pedindo. Eu me tornei a mãe do Brasil, a babá do Brasil. Era o momento que elas tinham para cuidar da casa, dar atenção para outras coisas", relata.

Filha de Silvio Santos

Atualmente, a programação infantil do SBT está restrita aos finais de semana e às novelas direcionadas ao público. No lugar do "Bom Dia", a emissora inseriu uma segunda versão do jornal policial "Primeiro Impacto", que ocupa toda a faixa da manhã.

Apesar de ser filha do dono do canal, Silvia Abravanel diz que seu pleito não tem atenção diferenciada. "A gente entregou nas mãos de Deus, para que ele toque a direção do SBT e a gente possa voltar para as manhãs", diz a apresentadora a Splash.

Segunda filha de Silvio Santos, ela conta que estabeleceu com o pai uma relação de separação entre a vida familiar e a corporativa. Dentro do SBT, Silvia esquece a palavra "pai" e substitui por "seu Silvio".

"Eu que estabeleci, porque estava atrapalhando meu relacionamento interpessoal com o meu pai. Eu pedi a ele que me tratasse como funcionária da porta para dentro e como filha da porta para fora", conta.

A apresentadora Silvia Abravanel - Ricardo Pasquarelo/SBT - Ricardo Pasquarelo/SBT
A apresentadora Silvia Abravanel
Imagem: Ricardo Pasquarelo/SBT

Maísa, Priscilla e Yudi

Silvia Abravanel se tornou apresentadora de improviso. Ela já trabalhava nos bastidores, como diretora do "Bom Dia", e foi alçada à apresentação após uma decisão da Justiça impedir a dupla de atores mirins Mateus Ueta e Ana Júlia de apresentarem o programa.

Antes a "voz" que falava com os jovens que apresentavam a atração, ela foi para frente das câmeras. Ela conta guardar com carinho as lembranças da infância de alguns dos nomes que passaram pela sua direção, como Maísa Silva, Priscilla Alcântara e Yudi Tamashiro.

"A Maisa colocava todo mundo para brincar de boneca no estúdio, era muito bom", conta. As broncas também vinham. "As crianças têm que trabalhar, mas também têm que estudar. Yudi não queria concluir e eu convenci ele a procurar o supletivo. Conheci as crianças e fui vendo o crescimento. Primeira menstruação, primeiro sutiã, primeira namoradinha, tudo", relembra.

Silvia Abravanel diz que não vê problema algum que os talentos formados pela emissora sejam recrutados por outros canais, como Larissa Manoela, que surgiu nas produções infantis e se tornou protagonista de novela na TV Globo. Ou a própria Maísa, cotada para um programa na emissora carioca.

"Graças a Deus consegui criar as crianças muito bem. O Yudi, Priscilla, a Maisa. Cada um ficou no lugar em que queria. Naquelas quatro ou cinco horas que ficavam comigo, eram meus filhos. Hoje são grandes profissionais, grandes cabeças", diz.

"Eu fico muito feliz, porque eles entenderam meu recado. As portas do SBT sempre vão estar abertas, mas voem, têm que voar mesmo. É muito gratificante. É para eu deitar na cabeça e falar Senhor, muito obrigada."