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Marília Mendonça começou a compor aos 12 anos e estava no auge da carreira

Renata Nogueira

De Splash, em São Paulo

05/11/2021 18h27Atualizada em 05/11/2021 23h20

Aos 26 anos, Marília Mendonça acumulava dezenas de sucessos e já tinha até mesmo um Grammy Latino de Melhor Álbum de Música Sertaneja por "Todos Os Cantos", trabalho lançado em 2019. A partir de março do ano que vem, ela sairia em turnê com Maiara e Maraísa pelo Brasil com o Festival das Patroas.

Mas a história de sucesso da cantora que morreu hoje após a queda do avião em que estava tinha muito mais tempo.


Marília Mendonça começou a compor aos 12 anos de idade. Na música, ela estourou antes como compositora do que como cantora, escrevendo sucessos para vários sertanejos como Cristiano Araújo, Jorge e Mateus, Henrique e Juliano, João Neto e Cristiano e até mesmo artistas fora do sertanejo, como Wesley Safadão.

Em 2014, aos 18 anos, resolveu se lançar também como cantora e fez um EP com o seu nome. Em 2015, já estourada com suas composições, lançou seu primeiro single em parceria com Henrique e Juliano, chamado "Impasse". Foi apenas em 2016 que ela fez seu debute no cenário nacional com um álbum: "Marília Mendonça: Ao Vivo", disco que trouxe um de seus maiores hits, "Infiel".

Rainha da Sofrência

marilia 2018 - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Marília Mendonça em show no CarnaUOL, em 2018
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Um pouco antes de lançar seu primeiro disco, em entrevista ao UOL em dezembro de 2015, Marília Mendonça chegou a ser apresentada como revelação do sertanejo, grande aposta para 2016, e chamada de a "Adele brasileira".

"O escritório estava esperando o momento certo para me lançar. Meu empresário sempre falava: 'Marília, você ainda é muito nova. Quero que você fique nos bastidores'. Ter trabalhado esse tempo como compositora me ajudou muito. Pude ver como é a cena. Só não imaginava que tudo aconteceria tão rápido."

E não demorou mesmo para que Marília Mendonça ficasse gigante e conhecida como a "rainha da sofrência", estilo de sertanejo que ela ajudou a popularizar nacionalmente junto ao "feminejo" com uma onda de novas artistas femininas. Em 2015, antes mesmo de os termos se popularizarem, Marília parecia já prever o sucesso.

"A imagem que elas [as cantoras] estavam passando no sertanejo era de fragilidade, e isso não é respeitado pelo mercado. Agora está mudando. Estão aparecendo mais mulheres porque elas estão se impondo como homens. Paula Mattos, Maiara & Maraisa, eu. A gente chegou de um jeito diferente."

Estouro nacional

Já no primeiro álbum, Marília Mendonça conseguiu fazer com que "Infiel" virasse a segunda canção mais executada nas rádios do Brasil em 2016. O disco ainda teve sucessos como "Sentimento Louco" e "Como Faz Com Ela".

No ano seguinte, não deu para ninguém. Em 2017 Marília Mendonça foi unanimidade em todo tipo de ranking que mostrava o que o brasileiro tinha ouvido ao longo do ano. Entre as mulheres, ela foi a artista mais ouvida de 2017 tanto no Spotify quanto na Deezer, dois dos principais serviços de streaming de música.

Ela também foi a artista brasileira mais ouvida do YouTube, ficando em 13º lugar no ranking mundial. A justificativa era clara. 2017 ficou marcado pelo lançamento do álbum "Realidade", que trouxe hits como "Eu Sei De Cor", "Amante Não Tem Lar" e "De Quem É A Culpa". Naquele ano, ela fez 224 shows pelo país.

O ano seguinte ficou marcado pela parceria dela com Maiara e Maraísa, dupla que também estava estourada nacionalmente. Elas, que já eram amigas há anos, lançaram juntas o projeto "Agora É Que São Elas 2" e a música "A Culpa É Dele" em parceria.

Inseparáveis desde então, elas também criaram o projeto Patroas e sairiam em turnê com ele pelo Brasil a partir de 2022. Só para essa nova fase, chegaram a lançar nove canções juntas e inéditas. O projeto Patroas ainda tinha regravações de clássicos como "Nuvem de Lágrimas" e "Não Aprendi Dizer Adeus".

Ao longo da carreira, Marília Mendonça só ascendeu. A cada ano que passava, ela conseguia cravar mais e mais músicas aos topos das paradas. Antes da pandemia, com o seu disco "Todos Os Cantos", trabalho de 2019 que rendeu a ela o Grammy Latino, estourou com "Ciumeira", "Bebaça" e "Bebi Liguei", entre outras.

Em maio do ano passado, na onda das lives, chegou a atrair mais de 3 milhões de espectadores simultâneos em uma de suas apresentações na internet, provando que nem a falta de shows tirava sua força com o público.

Com o anúncio apoteótico da turnê das Patroas, em 5 de outubro, provou que estava no topo do mundo. A coletiva de imprensa no Allianz Parque prometia shows em quatro capitais com até 40 mil pessoas para curtir o som dela com as amigas Maiara e Maraísa. Mas Marília foi cedo demais.

Começo na igreja e maternidade

Marília Dias Mendonça nasceu em 22 de julho de 1995 em Cristianópolis (GO), filha de Ruth Dias e Mário Mendonça, que morreu quando ela era adolescente. A menina foi criada em Goiânia, cidade onde também vivia atualmente, e começou a se interessar por música na igreja.

A família da cantora sertaneja tinha um bar na cidade chamado Cantinho da Viola onde ela fez suas primeiras apresentações para clientes e amigos. Aos 12 anos ela começou a escrever algumas músicas e logo conseguiu se destacar como compositora, anos antes de se lançar como cantora.

Marília Mendonça deixa um filho, Leo, de 1 ano e 10 meses, fruto de seu relacionamento com o também cantor e compositor Murilo Huff. Ao todo, Marília e Murilo namoraram por quatro anos, mas se separaram mais de uma vez.

Mesmo após o nascimento de Leo, os dois nunca chegaram a se casar, mas sempre dividiram as responsabilidades com o filho. A separação mais recente e oficializada foi em setembro deste ano, quando a cantora explicou aos fãs que já não conseguia mais conciliar uma vida a dois com o parceiro.

Antes de Murilo, Marília Mendonça namorou o empresário Yugnir Ângelo. Eles chegaram a ficar noivos em dezembro de 2016, mas o relacionamento chegou ao fim em agosto de 2017. Segundo Marília, na época com 22 anos, ela estava muito jovem para um relacionamento sério.