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Zélia Duncan diz que Twitter a renovou e critica Bolsonaro: 'odeia Cultura'

Zélia Duncan
Zélia Duncan
Roberto Setton/Divulgação

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

23/05/2021 04h00

Zélia Duncan, 56, é uma pessoa ativa. Faz música, é atleta e ainda consegue tempo para tuitar.

Completando 40 anos de carreira, a cantora bateu um papo com Splash sobre seu mais novo álbum "Pelespírito".

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Com músicas inéditas, voz e violão gravados de forma caseira e uma parceria fina com o produtor pernambucano Juliano Holanda, seu mais novo trabalho é um alento em tempos de pandemia.

Estou falando de coisas comum a todos nós, que está muito difícil viver nesse Brasil. A dor do outro me interessa e estou querendo, com esse disco, falar sobre se sentir humano.
Zélia Duncan

Durante a entrevista, este repórter percebeu que a TV de Zélia estava ligada na GloboNews. Era quinta-feira (20) e a CPI da Covid ouvia pelo segundo dia o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello.

Quem está no Twitter deve ter percebido que a cantora é bem vocal na rede social e costuma tecer comentários sobre muitas coisas, principalmente notícias envolvendo direitos humanos e a política nacional. Por isso, é sempre bom estar de ouvido ligado em tudo o que está rolando.

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Nem acredito que tenho essa força toda no Twitter. Tento ir atrás de gente que vai me ensinar ali, discutir pautas importantes e que causem reflexões.
Zélia Duncan

Zélia acredita que o Twitter, a rede que gera muito "hate", também pode gerar muito "love". Ela é do time que bloqueia os chatões e a galera que só está ali para xingar, mas não se imagina fora da comunidade dos 280 caracteres.

Splash, inclusive, faz questão de esclarecer uma fake news comum contra a cantora:

Zélia Duncan não fuma maconha, muito menos usa o Twitter sob efeito de bebida alcoólica.

Eu sou meio careta, sou mais do esporte. Me chamam bastante de maconheira. Às vezes, estou falando alguma coisa e respondem: você está bêbada, né? [risos]
Zélia Duncan
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Para a cantora, o Twitter, mesmo com todos os problemas, serviu para aproximá-la de novos públicos.

Acho que tem muita gente que me conhece falando, mas conhece pouco meu trabalho. Acho que isso me renovou. Vejo pessoas se identificando com as minhas posições.
Zélia Duncan

Inspiração nos livros e #ForaBolsonaro

Em tempos de quarentena, Zélia disse que após fechar a parceria com Juliano, ela instalou uma espécie de estúdio caseiro onde gravou a voz e violão. Ela conta que quando precisou voltar a um estúdio profissional pela primeira vez, até se emocionou.

Estamos muito orgulhosos do som do disco. A [gravadora] Universal ficou muito surpresa com a qualidade técnica. Arrisco dizer que esse álbum está me fazendo feliz.
Zélia Duncan
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A palavra "arrisca" não foi escolhida por acaso. As mais de 430 mil mortes por conta do novo coronavírus causam impacto em todos os brasileiros, com a cantora não foi diferente

Crítica ferrenha do governo Jair Bolsonaro, Zélia criticou a condução do governo durante a pandemia e destacou que o presidente não é apenas um opositor quando o assunto é arte, ele é um inimigo.

Eles atacam o que eles têm medo e o artista é o povo. Eles odeiam tudo o que está relacionado à cultura porque temos liberdade.
Zélia Duncan
Reprodução/Youtube - Reprodução/Youtube
Imagem: Reprodução/Youtube

Mas para desanuviar um pouco, Zélia decidiu recorrer aos livros, principalmente aos romances. Ela cita três autores que vêm sendo sua companhia em tempos recentes: James Baldwin, Aline Bei e Conceição Evaristo.

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Por isso, encerramos com três livros que a cantora citou, e que Splash também reforça, para você também aproveitar:

  • "Se a rua Beale falasse" - James Baldwin
  • "O peso do pássaro morto" - Aline Bei
  • "Olhos D'Agua" - Conceição Evaristo