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Grammy não premia Beyoncé nas categorias principais, e o azar é todo dele!

Beyoncé recebe o prêmio na categoria melhor performance de R&B e se torna a cantora mulher mais premiada do Grammy
Beyoncé recebe o prêmio na categoria melhor performance de R&B e se torna a cantora mulher mais premiada do Grammy
Kevin Winter/Getty Images

Guilherme Lucio da Rocha

De Splash, em São Paulo

15/03/2021 17h28

O 63º Grammy consagrou ontem (14) Beyoncé como a maior vencedora da história da premiação. São 28 Grammys no total —superando a cantora e violinista Alison Krauss, que fez sucesso entre os anos 1990 e 2000.

A marca pode até dar uma dimensão do tamanho de Bey, mesmo a premiação não fazendo jus a isso.

Mais uma vez, Beyoncé empilhou troféus em categorias segmentadas de rap e R&B ou categorias que ficam longe dos holofotes, como melhor videoclipe.

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Não é novidade que o Grammy dá de ombros para grandes álbuns de rap e R&B e normalmente os ignora nas categorias prinicipais, mas, se tem uma artista que poderia transcender essa questão, seu nome é Beyoncé Giselle Knowles-Carter.

Dos 28 prêmios que Beyoncé levou, 23 são em categorias de R&B e rap.

Pasmem, a cantora NUNCA levou o prêmio de melhor álbum.

Seu principal prêmio individual ficou por conta de "Single Ladies (Put a Ring on It)", que levou o Grammy de melhor canção em 2010.

Para dar uma ideia de como a cantora é esnobada nas categorias nobres da premiação, vale a pena lembrar duas oportunidades:

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Nesse mesmo 2010, Beyoncé estava concorrendo na categoria álbum do ano com "I Am... Sasha Fierce".

Na produção do disco estavam nomes como The-Dream, que trabalhou com Justin Bieber, Rihanna e Mariah Carey, e Ian Dench. Coisa fina mesmo, de brilhar os olhos.

Além de "Single Ladies", o álbum tem músicas como "Halo", "If I Were a Boy" e "Diva". Mas quem levou o Grammy na categoria foi Taylor Swift com "Fearless".

"Fearless" foi um grande trabalho e, nesse caso, talvez não existissem motivos para Kanye West invadir o palco e sair reclamando sobre sua amiga ter sido esnobada com o melhor álbum de todos os tempos.

Mas se ele fizesse isso em 2015, teria um pouquinho de razão.

Naquele ano, Queen B (sou quase íntimo) estava concorrendo ao prêmio de melhor álbum com "Beyoncé". A crítica amou, ela encaminhou singles no topo das paradas, a impressão à época era de que "agora vai"...

...Mas não foi.

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O vencedor daquele ano foi o álbum folk "Morning Phase", do cantor Beck.

Dizem que o tempo é o senhor da razão. Pois bem, listas de sites especializados colocaram "Beyoncé" (o álbum) entre os melhores da década de 2010. "Morning Phase" ficou de fora da maioria das seleções.

Essas foram as duas esnobadas mais "é sério que isso está acontecendo?" da relação entre Grammy e Beyoncé. Já rolaram outras, como em 2017, com "Lemonade" ganhando apenas duas categorias de sete que disputava —melhor álbum de música urbana contemporânea e melhor videoclipe, com "Formation".

Até Adele, vencedora da categoria álbum do ano com "25", disse que não poderia levar o troféu e dedicou a Beyoncé.

Como diriam lá na minha terra: passou recibo para a academia.

Eu não posso aceitar esse prêmio. Tenho muita humildade e gratidão, mas a artista da minha é vida é Beyoncé. 'Lemonade' é monumental.
Adele, durante discurso no Grammy, em 2017.
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Beyoncé se disse feliz em bater o recorde de Grammys conquistados por uma mulher, o que faz total sentido. É um número super expressivo e que eleva seu patamar na história da música.

Para quem dá valor ao número de Grammys, no futuro a cantora não deve ser lembrada como alguém que levou uma penca de categorias segmentadas, por mais que a academia tente.

Se Beyoncé não levar nunca um prêmio de melhor álbum no Grammy, o azar será do prêmio.