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Tom King: O escritor que deixou a CIA para fazer HQs do Batman e do Visão

O escritor Tom King em painel da CCXP Worlds
O escritor Tom King em painel da CCXP Worlds
Reprodução

Beatriz Amendola

De Splash, em São Paulo

06/12/2020 15h28Atualizada em 06/12/2020 17h26

Antes de o último dia da CCXP Worlds ser dominado pela Warner, foi a vez de ouvir uma história daquelas que pode virar filme: a de Tom King, que deixou a CIA para escrever quadrinhos —e acabou sendo premiado várias vezes com o Eisner, o Oscar das HQs.

Em um papo de meia hora, o escritor que trabalhou com histórias do Batman e do Visão revisitou sua carreira e falou sobre como foi fazer uma mudança tão radical.

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As HQs sempre foram o caminho

Tom, hoje com 42 anos, sempre quis trabalhar com quadrinhos -e chegou a conseguir um estágio como assistente de Chris Claremont, que então escrevia histórias dos X-Men: "Para mim, era como estar nos Beatles".

Por influência da mãe, porém, Tom acabou optando por outro caminho. "Eu cresci em Hollywood, minha mãe era executiva de um estúdio. Ela era contra eu ir na vida criativa, porque ela via como uma loteria", contou.

Jack Ryan, é você?

Depois dos atentados de 11 de setembro, ele entrou para a CIA, onde trabalhou com contraterrorismo. Mas não se engane: o dia a dia dele não era parecido com o de Jack Ryan.

Na CIA, há analistas e operadores, e Jack Ryan é um analista. Os operadores vão ao campo, enquanto os analistas analisam os dados. Eu era um operador, então eu ia a campo. Era mais legal que Jack Ryan [risos].

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Quando nasceu seu primeiro filho, que hoje tem 11 anos, Tom resolveu deixar a agência. "Eu estava em zona de guerra, e não queria perder a infância deles. Eu e minha mulher passamos boa parte dos nossos primeiros anos separados", lembrou.

Não que a decisão tenha sido fácil. "Foi difícil sair, porque eu realmente acreditava que estávamos fazendo a diferença", disse Tom, que passou a se dedicar à escrita de noite, enquanto cuidava dos filhos de dia.

Aliás, o roteirista acredita que a paternidade foi o mais difícil de seus três trabalhos até hoje.

Na CIA, se você sobreviveu, a missão foi um sucesso. Como escritor, se você sobrevive ao Twitter, é um sucesso. Como pai, você não sabe. Não tem nenhum feedback, você só vai saber quando eles tiverem 40 anos.

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E o Alfred?

Um dos grandes choques para quem acompanhou Tom King nas HQs do Batman foi a morte de Alfred, o fiel mordomo de Bruce Wayne. Mas o autor fez questão de dizer que não foi dele a ideia de matá-lo.

Alfred não devia morrer. Era para ser um gancho falso, o chefe da DC me ligou quando a edição saiu e disse que o queria morto. Então eu falei com meus editores para encontrar uma forma de fazer isso. Alfred não podia só morrer, ele tinha que fazer um sacrifício. Ele é o coração do Batman.

Novos Deuses

No momento, Tom está trabalhando em outro projeto da DC: o roteiro do filme dos Novos Deuses (aquele que será dirigido pela Ava Duvernay). E ele ainda não pode dar detalhes, mas já adiantou que a equipe "está trabalhando muito" no longa.

Assim que a gente gosta, né?

Hype para WandaVision

Assim como a gente, Tom também está bem empolgado para a série "WandaVision", que estreia no dia 15 de janeiro no Disney+ e foi baseada em seu trabalho na minissérie "The Vision".

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Não é diretamente adaptada, mas é muito louco ver coisas que você criou indo para a TV. Tivemos até comercial no Superbowl aqui. É uma loucura, não consigo acreditar.