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Silvio Santos presidente 'teria sido revolucionário', diz autor

Campanha eleitoral de Silvio Santos, em 1989
Campanha eleitoral de Silvio Santos, em 1989
Reprodução

Daniel Palomares

De Splash, em São Paulo

30/10/2020 04h00

É muito comum vermos celebridades concorrendo a cargos políticos. Mas imagina se um dos maiores nomes da história da TV brasileira tivesse sido eleito presidente do Brasil? Bem, foi o que quase aconteceu com Silvio Santos em 1989.

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Silvio Santos fala sobre impugnação de candidatura à Presidência, em 1989
Imagem: Reprodução
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Sua campanha histórica está descrita e detalhada no livro "Sonho Sequestrado", de Marcondes Gadelha, presidente do PSC (Partido Social Cristão) e que foi vice na chapa do apresentador na época.

É uma história singular e rara. Uma campanha eleitoral diferente. Ninguém contou essa história adequadamente. Existem muitos livros sobre Silvio Santos, sobre sua vida pessoal e profissional. Mas um livro sobre sua participação política não existe. Me senti no dever e da obrigação de contar.

O que deu errado?

De acordo com Gadelha, Silvio teria boas chances de se eleger em 1989, mas foi impedido de concorrer por uma movimentação de nomes como Antônio Carlos Magalhães, o ACM, Roberto Marinho e Eduardo Cunha. Seu partido na época, o PMB, foi impugnado e proibido de participar da eleição.

A eleição estava polarizada entre a direita de Collor e a esquerda de Lula. Queríamos criar um polo de centro, alguém com força popular. A candidatura foi lançada na última hora, faltando 15 dias para a eleição. O Silvio foi o único candidato que deslocou o Collor do primeiro lugar nas pesquisas.

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Como seria Silvio presidente?

Gadelha defende que Silvio Santos poderia ter sido responsável por salvar o Brasil da crise política que se instaurou após a vitória de Collor. "Ele teria sido revolucionário no governo", opina.

O Silvio era o único capaz de tirar o buraco naquele momento. Inflação de 90% ao mês, PIB estagnado. Ninguém queria mais trabalhar no Brasil. O Silvio era exemplo de que trabalho compensa. Começou como vendedor em Niterói e se tornou dono de um império de TV que faturava 1 milhão de dólares por dia.

Gadelha conta que o apresentador tinha grande admiração por Franklin Roosevelt, presidente dos EUA na década de 1930, que instaurou um programa de recuperação econômica no país, o "New Deal", com investimentos em obras públicas e mais direitos trabalhistas, por exemplo.

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O Silvio era focado na questão da habitação, pensando nos dramas que ele vivia na TV, as famílias que pediam casas para morar. Ele queria também criar um programa de renda mínima para o Brasil. Ele queria até pessoas da oposição no governo. Cogitamos adotar o parlamentarismo, o voto facultativo.

Silvio aos 90

No prefácio do livro, Silvio deixa uma carta dizendo que seus órgãos e sua memória não funcionam mais como antes. O apresentador, que completa 90 anos em dezembro, ainda mantém uma amizade com Gadelha que, por sua vez, diz que as reclamações não passam de uma brincadeira.

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Silvio Santos (Foto: Divulgação)
Imagem: Reprodução / Internet

Acho que é uma malandragem dele! Ele está completamente lúcido, não tem nada errado na cabeça... Nos falamos sempre. Ele adorou o livro, está divulgando no SBT.

De volta à política?

Em 1992, Silvio disputou as eleições para prefeito de São Paulo, mas novamente teve sua candidatura impugnada. Gadelha revela que, em 2005, procurou o apresentador novamente para tentar convencê-lo a se candidatar como presidente mais uma vez. Silvio, porém, rejeitou a ideia.

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Depois da segunda eleição, ele ficou muito chateado. Fiquei preocupado de como aquilo ali afetaria sua saúde mental. Quando conversamos de novo sobre outra candidatura à presidência, ele disse: 'Venha ao meu hotel no Guarujá. Falamos de tudo no mundo. Mas política nunca mais'.