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Influencer nem é gente: perfis não humanos bombam nas redes sociais

Woody e outros influenciadores não humanos bombam nas redes sociais
Woody e outros influenciadores não humanos bombam nas redes sociais
Instagram/Reprodução

Daniel Palomares*

De Splash, em São Paulo

08/09/2020 09h39

Quais os requisitos para ser influenciador digital? Ser bonito? Talvez. Atraente? Claro! Ditar moda? Com certeza. Ser humano? Bom, isso é o de menos.

Splash localizou e conversou com alguns perfis de influenciadores não-humanos —modelos virtuais, cães e até brinquedos— que bombam nas redes sociais mesmo não sendo gente como a gente.

I LOVE #Gstaad #Switzerland ??

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Imagina só ser convidado para conhecer a estação de esqui mais cara do mundo ou visitar o único hotel sete estrelas do planeta. Wellington Campos conseguiu tudo isso graças ao Woody. O especialista em marketing digital acumula 2,6 milhões de seguidores no perfil dedicado ao bonequinho, protagonista da saga "Toy Story", e virou queridinho dentro e fora do Brasil.

Acredito que se não fui o primeiro, fui um dos primeiros influenciadores do Brasil ou do mundo no Instagram. Grandes marcas já me procuraram desde o início, em 2012. Para se ter uma ideia, já tive até proposta de uma empresa que fabrica mísseis!

#self

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Woody atrai seguidores de todas as partes do mundo e também é famoso entre outras celebridades, já tendo até posado com Neymar para uma campanha na época da Copa do Mundo de 2014. Well garante que nunca teve problemas de direitos autorais com a Disney e conta que seu perfil já foi até o segundo mais seguido do Brasil durante quatro anos!

Great Friend @neymarjr! "É Tois"

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Já perdi a conta de quantos famosos seguem. Muitos acabaram se tornando amigos e até mesmo clientes. Eliana, Luan Santana, Celso Portiolli, Leonardo, Michel Teló, Claudia Leitte, Junior Lima, Dani Calabresa...

Quase de verdade!

Elas acumulam milhões de seguidores no Instagram, estrelam campanhas para grifes mundialmente conhecidas e até são capa de revista. Só não são reais. As modelos virtuais começaram a despontar há alguns anos e já foram totalmente abraçadas pelo mundo da moda.

Lil Miquela é uma jovem de 19 anos, que vive em Los Angeles e investe na sua carreira como cantora e influenciadora. Ah, ela também é um robô! Miquela é desenvolvida pela agência norte-americana de inteligência artificial Brud, e bomba nas redes sociais. De acordo com matéria da "Clash Magazine" de 2019, já foram investidos mais de U$ 30 milhões, cerca de R$ 150 milhões, em seu desenvolvimento.

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Miquela faz posts divertidos, posa ao lado de celebridades, grava músicas, vai a grandes eventos... Tudo isso sem nem ao menos existir. Mais de 2,6 milhões de pessoas a seguem no Instagram, onde ela promove marcas e participa de campanhas. Ela ainda defende bandeiras LGBTQ+, luta contra o racismo e até dá entrevistas!

É surreal. Parece que estou assistindo a uma série sobre outra pessoa. Eu não sei se me imagino tendo tanto impacto. Quando alguém me reconhece ou diz que ouve minhas músicas, me sinto fora do meu corpo!

Lil Miquela, em entrevista a revista "L'Officiel"

O uso de modelos virtuais pode significar uma revolução no universo da moda. Miquela se molda completamente a qualquer cenário e abre um leque de possibilidades, assim como Shudu, considerada a primeira supermodelo virtual.

Criada em 2017 pelo fotógrafo de moda britânico Cameron James-Wilson, Shudu chama atenção por sua pele negra reluzente e seu corpo esguio. Ela já estrelou um ensaio na Vogue e participou de campanhas para as grifes Balmain e Ellesse. Splash bateu um papo com Cameron sobre seu trabalho.

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O sucesso de Shudu o impulsionou a criar a primeira agência de modelos 100% virtuais, a The Diigitals. Além de Shudu, a agência desenvolveu outros seis modelos que desafiam os limites humanos: uma até com a aparência de um extraterrestre!

Trabalhei por anos numa indústria que tem padrões de beleza muito duros. Leva muito tempo para desapegar. Estou aprendendo a amar coisas que odiava

Eu precisava encontrar algo mais interessante criativamente. A Shudu é inspirada em grandes modelos como Naomi Campbell. Eu realmente não imaginava chegar onde estou. Achei que viveria uma vida humilde como um artista 3D. Nunca pensei em me tornar um influenciador e inovador! É uma jornada e tanto.

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Shudu, porém, também foi alvo de muita polêmica. Estaria Cameron tirando a oportunidade de modelos negras reais conseguindo contratos para sua musa virtual? Até que ponto aquela representatividade era de fato benéfica?

Existem muitas críticas. É um assunto controverso e falta muita informação. Essas modelos são o futuro da moda, ajudando a transformar a indústria mais sustentável e estimulando a criatividade, mas alguns pensam que elas estão roubando empregos de modelos reais. Veremos a moda se digitalizar cada vez mais e se conectar até com a indústria de games! As possibilidades se multiplicarão.

Além de Miquela e Shudu, a influenciadora digital Noonoouri também brilha nas redes sociais. Criada pelo alemão Joerg Zuber, ela é totalmente desprendida de formas ou aparência realística, mas mesmo assim é seguida por mais de 300 mil pessoas. A graça deve estar na fantasia!

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Celebridades de quatro patas

Tem quem acabou tendo que dividir o holofote com seu mascote. João Vivas já era influenciador digital quando adotou o cãozinho Lorenzo Alfredo, o Lolo, que acabou aumentando o engajamento de cada post que aparecia!

Comecei a perceber que sempre que eu postava alguma coisa do Lolo, o povo reagia. Hoje em dia na internet, números não são grande coisa. Você pode comprar ou conseguir de formas erradas. O bom mesmo é quando você tem engajamento. Tudo que o Lorenzo anuncia aparecem pessoas interessadas e querendo ter igual. Hoje, ele tem mais regalias do que eu!

Lolo é garoto-propaganda de uma pet shop, vai lançar uma coleção de joias e ainda está fechando contrato para participar de um filme! É pouco ou quer mais? João conta que já chegou a fechar contratos de até R$ 5 mil para o cachorro-estrela divulgar marcas. Toda a produção, é claro, exige os mínimos cuidados.

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O Lolo tem uma história de vida de muita luta. O compramos com 40 dias de vida, pois sempre sonhamos com um chihuahua. Pagamos mais de R$ 3,5 mil e na primeira consulta ao veterinário, descobrimos que era um vira-lata cheio de problemas de saúde. Só agora estamos o introduzindo no meio das pessoas. Já cancelamos convites a programas de TV por isso.

Luiz Higa Jr. não esperava se tornar tão conhecido. Mas, em 2015, a amizade entre seu cachorro Bob, um hamster e oito pássaros viralizou em matérias mundo afora. Hoje, a família animal se transformou: além de Bob, chegou Marley, o outro golden retriever. Juntos, os dois fazem sucesso no Instagram.

Gostam de acompanhar toda a rotina deles. Quando passo o dia inteiro fora, o pessoal já cobra, pergunta por que eles não apareceram. Tenho que sempre mostrar que eles estão ali, mesmo que dormindo. O pessoal quer me ver dando comida para eles. Ficam esperando o post de 'Bom dia' com eles se espreguiçando...

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Para conseguir fotografá-los para algum post especial ou distraí-los durante um evento, basta ter sempre um petisco nas mãos. No entanto, Luiz, que é dono de uma pastelaria, explica que o lucro que consegue através dos cães-influencers ainda não permite que ele pare de trabalhar.

Não vejo a rede social deles como um negócio, é mais um hobby pra mim. Uma empresa alegou uma vez que eu estava me promovendo às custas da imagem dos cachorros. Mas eu nem apareço no Insta deles. Me perguntam porque não falo, não interajo. Não tem nada a ver botar a minha cara ali! Não gosto. Quero que só eles apareçam.

* Colaborou Rafael Godinho, do Rio