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Mauricio Stycer

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Livro mostra como a Globo se tornou exportadora de novelas para o mundo

Lucélia Santos e Edwin Luisi formaram par romântico em "Escrava Isaura" (1976) - Globo/Cedoc
Lucélia Santos e Edwin Luisi formaram par romântico em "Escrava Isaura" (1976) Imagem: Globo/Cedoc
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

04/04/2021 08h01

Diretor de vendas internacionais da Globo para quatro continentes, entre 1977 e 1999, José Roberto Filippelli decidiu fixar em livro as suas memórias de um período que foi fundamental para a consolidação da emissora.

"A Melhor Televisão do Mundo" (editora Terceiro Nome, 212 págs., R$ 37) descreve o papel do executivo na exportação de alguns títulos marcantes, como "Escrava Isaura", "Malu Mulher" e "Você Decide", e o impacto que alcançaram em diferentes países.

O título do livro não é exatamente uma ode à Globo, mas a todas as emissoras que produzem conteúdo nacional de qualidade. "A melhor televisão do mundo é aquela que dialoga com seu público sobre seus próprios costumes, seu cotidiano, suas dificuldades e suas aspirações", escreve.

Filippelli - Reprodução - Reprodução
"A Melhor Televisão do Mundo" (editora Terceiro Nome, 212 págs., R$ 37)
Imagem: Reprodução

Não espere grandes revelações ou indiscrições. Filippelli é muito elegante ao reconstituir a sua trajetória, mas enriquece a compreensão sobre a inserção internacional da Globo. "A verdade é que a Globo, tão grande no Brasil, era minúscula no mercado internacional", observa.

O executivo relata que os programadores europeus consideravam as novelas brasileiras longas e pouco sofisticadas. É quando surge uma versão de "Escrava Isaura" (1976) em 30 capítulos, editada para tapar um buraco da programação da Globo após a exibição de "Cabocla", em 1979.

É esta versão bem enxuta da novela protagonizada por Lucélia Santos que vai se tornar o cartão de visitas da Globo Internacional. É até difícil chamar de novela um programa com apenas 30 capítulos, mas foi assim que Filippelli conseguiu conquistar inúmeros mercados.

Menos conhecidas, mas igualmente muito interessantes, são as histórias sobre o impacto da série "Malu Mulher" e do "Você Decide" no exterior. Ambos os programas foram vistos como ousados e originais mesmo em mercados considerados mais progressistas ou avançados que o Brasil.

"Malu" (1979) teve um duplo impacto para a Globo. Primeiro, por se tornar o programa brasileiro de maior sucesso, depois de "Escrava Isaura", no mercado europeu. Segundo, e mais importante, a qualidade e ousadia da série agregaram valor à imagem da emissora, até então mais conhecida pelas novelas populares.

Já "Você Decide", em 1992, foi a primeira experiência da Globo na venda de um "formato", não de um programa pronto.

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