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Mauricio Stycer

Globo muda toda cúpula e reforça área de entretenimento com especialistas

Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

30/11/2020 16h06

Nos últimos 40 anos, a Rede Globo teve quatro diretores-gerais. O mais conhecido e lembrado foi o Boni. Ele entrou na Globo em 1968 e um ano depois se tornou diretor-geral da Central Globo de Produções. Em 1980, tornou-se vice-presidente de operações da emissora, cargo que na época equivalia ao de diretor-geral. Saiu da empresa em 1998.

Em seu lugar, assumiu Marluce Dias da Silva. Ela foi diretora geral entre 1998 e 2002. Era uma administradora, trabalhava na área de recursos humanos antes de assumir o cargo.

Octavio Florisbal assumiu interinamente o cargo em setembro de 2002, sendo efetivado nesta posição em 2004. Ficou até o final de 2012. Era um homem do marketing e da área comercial.

O último foi o jornalista Carlos Henrique Schroder, que ocupou a posição entre janeiro de 2013 e dezembro de 2019.

O cargo de diretor-geral foi extinto e ele se tornou diretor de criação e produção de conteúdo do Grupo Globo. Um ano depois, agora no finzinho de novembro, foi anunciado que ele vai deixar a empresa.

Ao longo de 2020, abaixo de Schroder estavam os responsáveis por jornalismo, esporte e entretenimento. Mas na prática era ele próprio que cuidava do entretenimento.

Para esta função, foi nomeado o diretor Ricardo Waddington, um conhecido diretor de novelas e programas de variedades, que há dois anos ocupava a função de diretor de produção da empresa.

É uma mudança significativa. Schroder era muito bem visto entre criadores e artistas, mas não era do meio. Sempre foi jornalista. Waddington é uma pessoa da área, especializada.

A Globo ainda não informou se manterá o cargo de diretor de criação e produção de conteúdo, mas já anunciou uma série de mudanças em consequência da saída de Schroder a partir do ano que vem.

Sergio Valente, diretor de comunicação, deixa a empresa no fim do ano e será substituído por Manuel Falcão. Monica Albuquerque, diretora de desenvolvimento e acompanhamento artístico também sai e seu cargo será extinto.

E, o mais importante, José Luiz Villamarim assume a direção de teledramaturgia, no lugar de Silvio de Abreu, que também deixa a Globo no início de 2021. Nos últimos anos, Silvio era o responsável por decisões sobre novelas, séries e programas de humor.

A nomeação de Villamarim também é uma sinalização importante. E não apenas por uma questão geracional. Silvio de Abreu está com 77 anos. Villamarim tem 57. É um diretor refinado, mas sintonizado com o gosto popular.

Villamarim integrou o núcleo de Waddington na direção de "Avenida Brasil" (2012) e, depois, na direção-geral das minisséries "O Canto da Sereia" (2013) e "Amores Roubados" (2014). Também dirigiu "Justiça" (2016), "Nada Será como Antes" (2016), "Onde Nascem os Fortes" (2018), além do remake de "O Rebu" (2014) e está dirigindo Amor de Mãe (2020).

É possível esperar boas novidades com esta mudança.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL