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Salve a cópia! Volta do "Show do Esporte" é uma ideia brilhante

Glenda Kozlowski e Elia Júnior comandam o Show do Esporte, aos domingos, a partir das 10h - Divulgação/Band
Glenda Kozlowski e Elia Júnior comandam o Show do Esporte, aos domingos, a partir das 10h Imagem: Divulgação/Band
Mauricio Stycer

Mauricio Stycer é jornalista desde 1985. Repórter e crítico do UOL, colunista da Folha de S.Paulo, passou por Jornal do Brasil, Estadão, Folha, Lance!, Época, CartaCapital, Glamurama Editora e iG. É autor de "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018).

Colunista do UOL

20/09/2020 14h09Atualizada em 20/09/2020 16h21

É verdade, como escreveu neste domingo o colega Ricardo Feltrin, que a televisão brasileira, festejando 70 anos, mais copia do que cria. Mas é preciso acrescentar que nem toda cópia é sinônimo de falta de imaginação. Às vezes, como no relançamento do "Show do Esporte", na Band, pode ser uma ideia brilhante.

Escrevo este texto sem saber se a audiência da estreia, neste domingo (21), correspondeu às expectativas. E registro estas observações antes mesmo de ver todas as atrações da tarde.

Minha primeira sensação ao ligar na Band hoje foi de nostalgia dos tempos em que a qualquer momento do domingo você encontrava alguma transmissão esportiva no "canal do esporte" - de sinuca a vôlei, de boxe a automobilismo, passando por futebol, é claro.

Mas deixo a nostalgia de lado para observar que o "Show do Esporte", exibido originalmente entre 1983 e 2004, faz todo sentido ainda em 2020 na TV aberta.

Com a sua iniciativa visionária, Luciano do Valle (1947-2014) ampliou o espaço da cobertura esportiva do canal e ajudou a dar visibilidade a muitos atletas e a esportes. Mais importante, o narrador e empresário antecipou a ideia de TV segmentada no Brasil, que ganharia corpo anos depois na TV paga.

O problema é que, cada vez mais cara, num país com a classe média empobrecida, a TV por assinatura não cumpriu a promessa que se imaginava. Hoje com 15 milhões de assinantes (chegou a 19,7 milhões em novembro de 2014), não alcança uma parcela importante do público.

Desta forma, continua fazendo muito sentido um canal segmentado de esportes, ainda que apenas aos domingos, na TV aberta.

Ex-Globo e quase-SBT, Glenda Kozlowski foi uma boa escolha para comandar o programa. E Elia Júnior um nome que conecta o espectador mais velho com o antigo "Show do Esporte". Campeonato alemão, campeonato italiano, futebol feminino, finais da NBA: as primeiras atrações também parecem muito boas.

Enfim, salve a cópia!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL