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Guilherme Ravache

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Confusão e briga de egos na Disney devem esquentar com resultados ruins

Crescimento do Disney+ decepciona mercado - Imagem: Mika Baumeister/Unsplash
Crescimento do Disney+ decepciona mercado Imagem: Imagem: Mika Baumeister/Unsplash
Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

13/05/2021 20h38

Resumo da notícia

  • Em meio às notícias de crescentes disputas internas, Disney divulga resultados com prejuízo em parques e desaceleração do Disney+
  • O lendário CEO Bob Iger está de saída e em seu lugar entrará Bob Chapek; os dois executivos não se entendem e há uma guerra de egos entre executivos
  • Uma reorganização das lideranças tinha o objetivo de integrar as equipes, mas gerou confusão dentro e fora da empresa
  • Analistas afirmam que a empresa deveria se desfazer dos negócios de TV tradicional, vendendo a ESPN e a ABC
  • A Netflix também sofreu com a desaceleração do número de novos assinantes no início deste ano

A Disney anunciou nesta quinta-feira seus resultados operacionais de seu segundo trimestre fiscal. E as notícias não foram boas. A empresa adicionou apenas 8,7 milhões de assinantes ao Disney +, encerrando o trimestre com 103,6 milhões de assinantes, em comparação com 94,9 milhões em 2 de janeiro. Analistas esperavam 109,3 milhões de assinantes.

Já no segmento de parques houve prejuízo operacional. A pandemia forçou atrações da Disney e resorts da empresa a seguirem fechados ou operando com capacidade reduzida. A queda de receita em comparação com o ano anterior foi de 44%. Essa divisão relatou um prejuízo de US$ 406 milhões.

Em geral, a receita total da Disney caiu 13% em relação ao mesmo período de 2020, ficando em US$ 15,61 bilhões. A expectativa do mercado era um número próximo a US$ 16 bilhões.

As ações da empresa caíram mais de 4% após a divulgação do resultado.

Conflitos internos

A Disney encontra-se em uma posição desafiadora. A pandemia afetou sua principal fonte de receitas, os parques e hotéis. A ESPN, e operações de TV, que já foram a joia da coroa, sofrem com a migração da audiência e dos anunciantes para o digital. Os bons resultados do streaming vinham mantendo os investidores animados. O Disney+ ultrapassou 100 milhões de assinantes em 16 meses, tempo recorde. Porém, o crescimento abaixo da expectativa no trimestre deve aumentar a pressão sobre os executivos da empresa.

Na área de filmes, "Raya e o Último Dragão", último lançamento da empresa realizado em streaming, faturou US$ 44 milhões, com boa parte dos cinemas ainda fechados ou operando com capacidade reduzida por causa da pandemia. Antes da pandemia, grandes lançamentos da empresa faturavam mais de US$ 150 milhões.

A Disney passa por um momento de transição na liderança. O lendário CEO Bob Iger está de saída e em seu lugar entrará Bob Chapek. O problema é que os dois executivos se entendem cada vez menos e há uma guerra de egos no topo da empresa, segundo recente reportagem da Variety.

Segundo a publicação, para alguns dentro da empresa de mídia, a decisão da Disney em outubro passado de reestruturar suas operações colocou os executivos que distribuem os filmes e programas da Disney acima dos executivos que supervisionavam essas áreas. "A mudança também concedeu grande influência a um importante aliado de Chapek, Kareem Daniel, que foi promovido a presidente da Disney Media and Entertainment Distribution de sua função anterior de supervisão de produtos de consumo".

A reorganização dos negócios de mídia e entretenimento da Disney em três grupos distintos de criação de conteúdo - estúdios, entretenimento em geral e esportes - causou surpresa para alguns gerentes seniores, bem como para aqueles que fazem negócios com a empresa, afirma a reportagem. A reorganização tinha o objetivo de acelerar a entrada da empresa no streaming, com as pessoas trabalhando de modo mais integrado em todos os meios, da televisão ao cinema, até o Disney Plus. Mas o resultado criou caos sobre como navegar na nova ordem.

Venda da ESPN

No mesmo dia em que a Disney anunciou seus resultados, analistas intensificaram os questionamentos de por que a empresa não vende a ESPN e ABC, emissoras de TV do grupo. Os negócios são vistos como entraves para o crescimento no streaming. Outro problema é que a Disney, por ser uma marca família, tem mais limitações que os concorrentes para explorar as apostas nos jogos que transmite. Nos Estados Unidos é crescente o número de estados que têm aprovado as apostas online.

A Disney não é a única a sofrer com a desaceleração do streaming nesse início de ano e o gradual fim dos lockdowns pelo mundo. A Netflix também apresentou crescimento decepcionante no primeiro trimestre e foi punida na bolsa, com suas ações caindo mais de 11%. Como se vê, não faltam dramas nos grandes grupos de mídia.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL