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Guilherme Ravache

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

YouTube pode ultrapassar receita da Netflix em 2021

Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

28/04/2021 07h48

Resumo da notícia

  • O YouTube está a caminho de gerar receita anual comparável à da Netflix
  • As receitas do YouTube dispararam, chegando a US$ 6,01 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 49% em relação a 2020
  • A plataforma de vídeo do Google está recebendo mais anúncios que estavam na TV tradicional
  • Se a trajetória de crescimento continuar, o YouTube registrará até US$ 30 bilhões em receitas este ano. A Netflix deve registrar US$ 29,7 bilhões
  • O tempo diário de consumo no YouTube seria 2,5 vezes maior que o tempo gasto diariamente por usuários na Netflix
  • Reed Hastings, CEO da Netflix, disse a analistas que seus maiores concorrentes em tempo de visualização são o YouTube e a TV aberta

Semana passada, Reed Hastings, CEO da Netflix, disse a analistas que seus maiores concorrentes em tempo de visualização são o YouTube e a TV aberta. Mas quando o assunto é crescimento, o YouTube é o verdadeiro concorrente. Enquanto a TV perde espectadores e anunciantes para o on-line e o crescimento do número de novos assinantes da Netflix desacelera, o YouTube não para de crescer.

Ontem, ao revelar os resultados do primeiro trimestre, o Google deixou evidente o tamanho da ameaça que o YouTube se tornou para todo o mercado.

As receitas do YouTube dispararam, chegando a US$ 6,01 bilhões no primeiro trimestre, um aumento de 49% em relação aos US$ 4 bilhões de um ano atrás. É quase o dobro da taxa de crescimento da Netflix, que relatou um crescimento de receita de 24% no primeiro trimestre, e espera que o crescimento desacelere para 19% no próximo trimestre.

O consumo de TV conectada (connected TV, que permite a venda de publicidade da mesma forma que no digital) é um dos fatores a impulsionar o crescimento explosivo dos anúncios no YouTube.

Se sua atual trajetória de crescimento continuar, o YouTube registrará entre US$ 29 bilhões e US$ 30 bilhões em receitas este ano. A Netflix deve registrar uma receita de US$ 29,7 bilhões em 2021, de acordo com estimativas de analistas.

No YouTube o tempo diário de consumo é 2,5 vezes maior que o tempo gasto diariamente na Netflix. Segundo o analista Rich Greenfield, sócio da Lightshed Ventures, mais de 1 bilhão de horas são transmitidas por dia. A Netflix tem 207 milhões de assinantes com cerca de 2 horas assistidas por dia, então são cerca de 400 milhões de horas transmitidas diariamente pela plataforma de streaming.

YouTube e Netflix têm modelos de negócio diferentes. A publicidade é de longe a maior receita do YouTube e seu número de assinantes ainda é pequeno em comparação. Já o Netflix tem a maior parte de sua receita vinda de assinaturas e não vende publicidade tradicional.

Fim da pandemia

Os ganhos robustos do YouTube refletem a expectativa dos anunciantes de que a reabertura da economia com o fim da pandemia irá gerar grande atividade no comércio. Os números mostram ainda como a plataforma está se tornado central no comércio eletrônico, visto que serviços de streaming em sua maioria não oferecem espaços comerciais.

A Alphabet (empresa dona do Google e YouTube) registrou vendas no primeiro trimestre de US$ 55,31 bilhões, um aumento de 34% em relação ao ano anterior, quando as vendas de publicidade despencaram por causa da Covid-19.

O lucro total atingiu quase US$ 18 bilhões em três meses, crescendo 162% em relação ao ano anterior.

Os resultados demonstraram a força das propriedades do Google. Até o momento, elas seguem sem dar sinais de fraqueza mesmo com o amplo escrutínio de governos e órgãos reguladores ao redor do mundo que investigam a empresa por supostas práticas monopolistas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL