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Guilherme Ravache

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Netflix diz que vai pegar leve no combate ao compartilhamento de senhas

Resultados da Netflix decepcionam - Reprodução / Internet
Resultados da Netflix decepcionam Imagem: Reprodução / Internet
Guilherme Ravache

Guilherme Ravache é consultor digital. Jornalista com passagens pelas redações da Folha de S. Paulo, Revista Época e Editora Caras. Foi diretor de atendimento da Ideal H+K Strategies e gerente sênior de comunicação e marketing de relacionamento da Diageo.

Colunista do UOL

21/04/2021 03h57

Resumo da notícia

  • O Netflix confirmou que está aumentando seus esforços para combater o compartilhamento de senhas, mas diz que não irá pressionar usuários
  • A medida chega no momento em que os resultados de crescimento da companhia ficaram abaixo da expectativa
  • Fim do lockdown em alguns países e diminuição do volume de novas produções que atrasaram por causa da Covid-19 são apontadas como causa da queda
  • Apesar do aumento da concorrência, a Netflix afirma que rivais não contribuíram para que a empresa não alcançasse as estimativas de novos assinantes
  • TV linear, seguida pelo YouTube, são apontados como os maiores concorrentes pelo Netflix
  • Plataforma deve gastar mais de US$ 17 bilhões em conteúdo este ano e prevê retornar o crescimento de assinantes no segundo semestre

A Netflix quer que mais pessoas paguem pelo uso de sua plataforma e confirmou que está aumentando os esforços para combater o compartilhamento de senhas. Mas o fundador da empresa e co-CEO, afirmou que qualquer ação da companhia neste sentido não será feita de maneira agressiva.

"Nós testaremos muitas coisas, mas nunca lançaremos algo que pareça 'pressionar' as pessoas que gostam do serviço", disse Hastings, na terça-feira, em conferência com investidores. "Deve parecer que faz sentido para os consumidores, para que eles entendam", acrescentou.

Mês passado, os usuários da Netflix começaram a receber o seguinte aviso: "se você não mora com o proprietário desta conta, precisa de sua própria conta para continuar assistindo". Para acessar o serviço, era necessário verificar a conta com um e-mail ou código de texto, ou criar uma nova conta com um teste gratuito de 30 dias.

Com o teste, a Netflix quer ter certeza de "que as pessoas que estão usando uma conta da Netflix - que estão acessando - são as que estão autorizadas a fazê-lo", disse o COO e diretor de produto Greg Peters na mesma entrevista terça-feira.

O teste de verificação de senha realizado pela empresa segue a mesma estrutura dos demais testes da Netflix, disse Peters. A partir dos resultados a plataforma vai decidir como irá proceder. O executivo disse que existem diferentes tipos de comportamento por país em termos de compartilhamento de senha.

"Nós realmente não sabemos qual é a melhor maneira,", disse Peters, referindo-se a como notificar quem usa senhas de terceiros. Ainda não está claro para a companhia se o melhor caminho seria cortar o acesso. O teste é "principalmente sobre como deixar esse processo se desenrolar e permitir que nossos usuários falem conosco sobre qual é o modelo ideal".

O aperto no compartilhamento de senhas chega justamente no momento que os resultados da empresa pioram. Consumidores em muitos países começam a sair de lockdowns relacionados à pandemia e a concorrência de outros serviços de streaming aumentou.

No primeiro trimestre de 2021 o crescimento de assinantes foi mais fraco do que o previsto. A empresa disse que adicionou mais 4 milhões de assinantes em uma base líquida global entre janeiro e março, menos do que sua previsão de 6 milhões. "Está um pouco vacilante agora", afirmou Hastings. No ano passado, no início da pandemia, a empresa adicionou mais de 15,8 milhões de assinantes no mesmo período.

A Netflix disse em uma carta aos acionistas que acredita que o crescimento de assinantes "desacelerou devido ao grande avanço da Covid-19 em 2020 e uma lista de conteúdo mais leve no primeiro semestre deste ano, devido aos atrasos nas produções causados pela Covid-19".

Apesar do aumento da concorrência, a Netflix afirma que seus rivais não contribuíram para que a empresa não alcançasse as estimativas de novos assinantes. "Não há nenhuma mudança real que possamos detectar no ambiente competitivo que teria afetado os resultados. Nós realmente analisamos todos os dados e simplesmente não conseguimos ver nenhuma diferença", disse Hastings.

Hastings afirma que a maior competição da Netflix no momento é a TV linear, seguida pelo YouTube, enquanto o Disney+ é "consideravelmente menor" do que os dois.

A Netflix espera que o crescimento de assinantes cresça no segundo semestre, quando alguns de seus programas de maior sucesso retornarão com novos episódios, incluindo "The Witcher" e "You". A Netflix deve gastar mais de US$ 17 bilhões em conteúdo este ano.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL