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Entrevista mostra que Harry e Meghan repetem história de Diana

Meghan Markle e Harry foram entrevistados por Oprah Winfrey - Harpo Productions/Joe Pugliese
Meghan Markle e Harry foram entrevistados por Oprah Winfrey Imagem: Harpo Productions/Joe Pugliese
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

08/03/2021 02h45

É impossível para conhecedores da família real - ou espectadores de "The Crown" - assistirem a entrevista do agora ex-príncipe Harry e Meghan Markle concedida a Oprah Winfrey sem traçar alguns paralelos. Exibida na noite deste domingo (7) nos Estados Unidos, a conversa mostra que, quase 25 anos depois, a história se repete, com a monarquia britânica sendo exposta na televisão de maneira bombástica.

Durante boa parte da conversa, surgiram grandes revelações. Desde amenidades, como a maneira com que Meghan descobriu que teria de prestar reverência à Rainha Elizabeth ou o uso do Google para se aprofundar nas tradições, até mesmo a rusgas internas. Neste caso, especificamente, o dano à imagem da família real é extenso. E mais: prova que, aparentemente, nenhuma lição foi aprendida com a vida turbulenta e também a morte da Princesa Diana, em 1997.

Em conversa com a apresentadora, Meghan afirma que nunca se sentiu tão sozinha. Isolada no palácio, não podia sair para encontrar as amigas. Ainda assim, ouviu de membros da monarquia pedidos para que aparecesse menos nos tabloides, algo que estava completamente fora de seu controle, uma vez que vivia em confinamento antes mesmo da pandemia. Angustiada, afirma ter chorado em eventos públicos e chegou ter pensamentos suicidas. Curiosamente, na última temporada de "The Crown", da Netflix, vemos Diana Spencer passar exatamente pelos mesmos problemas após o casamento com o Príncipe Charles.

Na conversa, há revela-se ainda uma discussão entre Meghan e Kate Middleton por causa do vestido de dama de honra de seu casamento e também fica claro que Harry não parece mais contar com o apoio do pai e do irmão, Príncipe William. O que mais assusta, no entanto, é como a família real não estava pronta para lidar com a diversidade em seu seio. Filha de pai branco e mãe negra, Meghan descobriu que havia preocupações sobre a cor que teria seu filho após o nascimento. Pior ainda: soube que a criança inexplicavelmente não teria título de príncipe e, quando crescesse, ainda que com a vida completamente exposta, não contaria com proteção do Palácio de Buckingham.

Não há como tratar isso de maneira diferente: Meghan foi alvo de racismo dentro da própria família real. A atriz, que abriu mão da carreira em prol do casamento, já vinha sofrendo ataques de baixo nível por parte dos tabloides ingleses, a ponto de criticaram até mesmo o que ela comia, como se portava e sua aparência. É absolutamente devastador para a imagem da realeza, já tão antiquada, que surja uma acusação como essa. Para evitar maiores danos, o casal preferiu não dar nomes aos que levantaram a questão. Fizeram questão, no entanto, de elogiar a rainha.

Ao abrir mão do título de realeza e procurar uma vida mais independente, Harry repete a história de sua mãe, que só pareceu reencontrar a felicidade depois de expor a família real para todo o mundo em uma entrevista explosiva para a TV. Ao contrário de Diana, no entanto, o ex-príncipe parece mais preparado para lidar com o assédio e proteger sua família. Ao contrário da família real, Harry mostra que aprendeu com o passado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL