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Para alguns influenciadores e famosos, a pandemia já acabou

Zé Felipe, filho do cantor Leonardo, em foto com Vírginia Fonseca: ao fundo, pessoa sem máscara fazendo churrasco - Reprodução/Instagram
Zé Felipe, filho do cantor Leonardo, em foto com Vírginia Fonseca: ao fundo, pessoa sem máscara fazendo churrasco Imagem: Reprodução/Instagram
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Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

13/07/2020 11h00

Resumo da notícia

  • Influenciadores como Virgínia Fonseca e Zé Felipe fazem viagens interestaduais e festas
  • Flávio Nakagima e Mario Velloso admitiram promover encontros regularmente
  • Que tipo de influência esses famosos pretendem ter sobre os que os seguem?

Há uma boa chance que alguns leitores não saibam quem é Virgínia Fonseca. Mas, assim como muitos influenciadores, a moça tem um grande número de seguidores: 8,2 milhões, número que aumentou consideravelmente quando a moça foi flagrada descendo do jatinho de Neymar, que, no auge da pandemia, teria enviado o avião para buscar a famosa na internet e uma amiga. Virgínia mora em Londrina, no Paraná, onde integra um grupo de youtubers.

Agora, a influenciadora voltou a virar notícia por engatar um romance com Zé Felipe, filho do sertanejo Leonardo. Não é difícil acompanhar a vida de Virgínia. De Londrina, ela teria ido até a mansão de Neymar, em Mangaratiba, no litoral do Rio de Janeiro. Atualmente, está em Governador Valadares, em Minas Gerais, onde vivem seus pais e para onde foi seu atual namorado. Semana passada, seu o jovem estava em Goiás, com a família. Assusta que, em plena pandemia e de isolamento, Virgínia e Zé Felipe naturalizem tantas viagens interestaduais.

Assusta ainda mais que os dois ainda tenham sido flagrados em uma festa, cantando karaokê a plenos pulmões. Segundo vários perfis nas redes sociais dedicados a eles, a polícia chegou a bater na casa onde estavam para acabar com a balada. No último domingo (12), ambos estavam em um churrasco. Todas as pessoas registradas nas redes sociais no evento apareciam próximas e sem máscara.

Virgínia e Zé Felipe não são os únicos. Flávio Nakagima, surfista e ex-participante do "De Férias com o Ex", debochou quando questionado pelos churrascos que promove nos finais de semana. "Passando só para deixar um recado para o pessoal que tá incomodado: fiz churrasco, faço todo fim de semana e, se você quiser comer uma carninha, faça o teste do covid".

Mário Velloso, DJ e ex-participante da "Casa dos Artistas" e do "Power Couple", chegou a dar uma festa na própria casa com direito a som alta e garçons. Em entrevista ao site da revista "GQ", tentou se defender: "Ia ser umas trinta pessoas, vinte e poucas pessoas. É uma turma que a gente já meio que se encontra, mesmo na quarentena". Ou seja: assim como Nakagima, admitiu que fura a quarentena com regularidade.

Mileide Mihaile, ex de Wesley Safadão, com 3,6 milhões de seguidores, que mora em Fortaleza, no Ceará, chegou a publicar vídeo do aeroporto de Manaus, no Amazonas, reclamando da quantidade de pessoas na sala de embarque. Deve ter esquecido que, no dia anterior, vazou um vídeo dela em uma festa fechada, sem máscara.

São muitos e cada vez mais numerosos os casos de famosos que parecem acreditar que já não há mais razão para se preocupar. Para eles, parece que a pandemia acabou. A todos resta questionar que tipo de influência querem exercer sobre as pessoas que os admiram. Será que os exemplos se resumem a sorteios de maquiagem, fotos em paisagens bonitas, festas e legendas tiradas de livros de autoajuda?

É curioso que, no último domingo, Virgínia comemorou seu 8,2 milhões de seguidores. Falta entender que as pessoas são mais que números somados. Mais que um passaporte para a fama. E ela tem responsabilidade sobre o que escutam dela.

O que parece é que ninguém aprendeu nada com o episódio de Gabriela Pugliesi, sumida das redes até hoje após dar uma festa dizendo "foda-se a vida". Resta saber se é desse tipo de "influência" que um país com mais de 72 mil mortos por causa do coronavírus precisa neste momento. E resta saber se as marcas querem continuar atreladas a quem fura quarentena.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL