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Afirmar que 'Glee' é amaldiçoada desrespeita a história da série

O elenco de "Glee" - Reprodução / Internet
O elenco de "Glee" Imagem: Reprodução / Internet
Fefito

Fernando Oliveira, conhecido como Fefito, é formado em jornalismo e pós-graduado em direção editorial. Teve passagens pela IstoÉ Gente, Diário de S. Paulo, iG, R7. Atuou como apresentador do Estação Plural, da TV Brasil, Mulheres, da TV Gazeta, e Morning Show, da Jovem Pan.

Colunista do UOL

11/07/2020 15h44

Resumo da notícia

  • Três dos protagonistas que participaram da Ryan Murphy tiveram destinos trágicos
  • Fãs falam em maldição, mas deixam em segundo plano discussões importantes trazidas pela série
  • Ao longo de seis temporadas, mais de mil atores passaram por "Glee"

O desaparecimento de Naya Rivera durante um passeio de barco com o filho alimentou uma tese crescente entre alguns fãs de "Glee", seriado pelo qual a atriz ficou famosa. Para muitos, há uma maldição pairando sobre o elenco da atração criada por Ryan Murphy. Isso porque, antes de Naya, o protagonista Cory Monteith foi encontrado morto, em 2013, em decorrência de uma overdose. Depois, em 2018, Mark Salling, um dos galãs da série, decidiu dar cabo da própria vida após ser preso acusado de pedofilia.

Quando colocados em conjunto, fatos como estes produzem a mágica de justificar para muitos algo tão difícil de entender. Afinal, como jovens tão talentosos tiveram destinos tão trágicos? Por mais sentido que uma explicação esotérica possa fazer, afirmar que o elenco de "Glee" sofre com uma maldição produz um apagamento de grandes discussões promovidas pela produção, sempre lembrada pela história sobre diversidade e tolerância.

De acordo com o portal IMDb, cerca de 1.000 atores passaram pelas seis temporadas do seriado. Ou seja: olhando pelo lado positivo, temos um número muito maior de pessoas vivendo suas vidas em paz. Para além de avaliar os destinos, há que se levar em consideração que, quando se envolve uma produção em uma, digamos, "lenda urbana", tudo o que ela representou passa a ficar em segundo plano.

Dessa maneira, o fato de Chris Colfer ser abertamente gay e afeminado e com altíssimo salário passa batido. Passam batidas também atuações icônicas de nomes como Jane Lynch, veterana que ganhou fama mundial após dar vida a uma antagonista esportista do coral do colégio. Se apagam discussões importante sobre bullying, racismo, LGBTfobia ou a existência de personagens não-binários.

Falar de produções "amaldiçoadas" em Hollywood não é exatamente novidade. Já aconteceu com filmes como "O Bebê de Rosemary", "Poltergeist" e "O Exorcista". Mas reduzir "Glee" a uma "maldição" é um desrespeito com o bem que a série fez a muita gente que a acompanhou. E deixa em segundo plano também discussões atuais, uma vez que nomes do elenco foram acusados de transfobia e racismo. O seriado segue gerando debate.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL