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Cores e simetria dos insetos inspiram objetos variados e cheios de charme

Peças da coleção de Joana Stickel para Massa Branca - Arquivo Pessoal
Peças da coleção de Joana Stickel para Massa Branca
Imagem: Arquivo Pessoal

Carol Scolforo

Colaboração para Nossa

27/10/2020 04h00

Joana Stickel

Joana Stickel

Quem é

Artista plástica formada pela Faap, escultora e produz pequenas esculturas de insetos

Depois de sair da faculdade de Artes Plásticas, Joana Stickel não se sentia uma artista no sentido mais hermético da palavra. "Eu me vejo como artesã. Gosto de trabalhar com as mãos e assim me realizo até hoje", conta.

Já naquele tempo, há mais ou menos 15 anos, ela começou a produzir esculturas para um estúdio de criação de animatronics e não parou mais.

Obras ganham delicadeza ao retratar os animais - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Obras ganham delicadeza ao retratar os animais
Imagem: Arquivo Pessoal

Ali, reconheceu o rumo que queria para a carreira. "Gosto de materializar o que me pedem, de fazer a cada hora um projeto, pesquisar sobre aquele assunto", diz ela.

Os insetos não tinham nada a ver com sua rotina. No entanto, são um fascínio que carrega da infância. "Quando era pequena, vi o filme-documentário 'Microcosmos' e fiquei extasiada com aquele mundo. Depois, 'Querida Encolhi as Crianças' e aí ganhei uma lupa para ver as formigas. Eram tantos detalhes minúsculos, que me apaixonei."

Quarentena criativa

Taças customizadas por Joana Stickel com imagens de insetos - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Taças customizadas por Joana Stickel com imagens de insetos para Massa Branca
Imagem: Arquivo Pessoal

Eis que com a quarentena, muitos artistas tiveram um bloqueio criativo. Não ela, que foi para uma fazenda passar 10 dias e estendeu a temporada para dois meses. E lá vêm os insetos de novo. "Peguei coisas da natureza, como pedras, e comecei a pintar. Amo as cores, a simetria dos bichinhos. Nesse tempo, eu que não sou muito comercial, passei a vender as peças que produzia", diz.

Para criá-los, ela parte do que gostaria de ter em casa. Cigarras são um caso de amor, em suas diversas tonalidades, tamanhos e estampas. O começo da criação é moldando a argila e depois, Joana parte para o clay, um material que não seca. "Essa matriz é perdida, mas tiro o molde de silicone e depois trabalho a peça na resina".

Pesquiso todas as formas de cigarras e às vezes coloco a cor de uma, as formas de outra, o que vou achando mais interessante".

São vários processos de finalização, que envolvem acabamentos, lixa, primer e pintura. Em seis ou sete dias fica pronta uma peça. "É um processo que demora, por isso não é muito rentável".

Há dois anos, uma parceria com a designer Nara Ota deu dimensão de design à sua coleção de insetos, com aplicação de decalque e uma apresentação bem pensada. Os traços, detalhes e cores de seus insetos encantam. E mesmo que não sejam sua arte principal, a gente torce para que se tornem um dia.

Criar uma escultura é dar forma, conseguir observar todos os detalhes e trazê-los ao plano tridimensional."

@s que me inspiram

@bluerhinostudio

“Esse estúdio produz esculturas para museus de história natural, em um trabalho que envolve muita perfeição. Não é arte de galeria, claro, mas sonho em trabalhar lá".

#ronmueck

“Admiro muito pela técnica, pelo que ele consegue fazer com sua escultura e pelo trabalho com dimensão, que é incrível".