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Entusiasmo e preocupação na reabertura dos cafés e restaurantes na Grécia

Visitantes se sentam nas mesas de café em Monastiraki, na Grécia - Socrates Baltagiannis/picture alliance via Getty Images
Visitantes se sentam nas mesas de café em Monastiraki, na Grécia Imagem: Socrates Baltagiannis/picture alliance via Getty Images

Da AFP

25/05/2020 17h03

As tabernas e os cafés com áreas externas, essenciais para a vida na Grécia, reabriram nesta segunda-feira uma semana antes do previsto para apoiar o setor de restaurantes, dizimado pelo coronavírus e que agora aguarda o retorno dos turistas.

"O café na Grécia tem uma dimensão social, é onde a vida do bairro acontece", disse à AFP Giorgos Karavatsani, aposentado "contente por romper o confinamento" e voltar a ver seus amigos no bairro de Pangrati, no centro de Atenas.

"Obviamente sempre há um pouco de medo", admite. "É um risco sentar-se em um café?", se pergunta.

Stella, uma estudante sentada em um terraço cheio em Kolonaki, um bairro moderno de Atenas, não tem medo.

"É o período do ano na Grécia em que você começa a viver fora (...) Se estamos no exterior a uma certa distância entre as mesas, acho que não corremos riscos enormes", ressalta.

No bairro de Thissio, próximo à Acrópole, vários atenienses retomaram seus costumes, bebendo seu café "freddo" ao sol e ouvindo os pássaros cantando.

Um garçom prepara as mesas para a refeição, que os gregos costumam fazer entre as 14h00 e 16h00 e deixa um mínimo de 70 centímetros de distância entre elas, com um máximo de seis clientes sentados de lado.

- "Não vale a pena" -Todos os cafés, bares, tabernas e restaurantes do país ficaram fechados desde 14 de março, dois dias após a primeira das 171 mortes por coronavírus e antes do decreto geral de confinamento em 23 de março.

Os terraços também reabriram nesta segunda-feira em Madri, Barcelona e na região alemã da Baviera.

"Muitos dos estabelecimentos preferem não reabrir porque não trabalham 100% e não vale a pena", disse Daniel Ocaña, funcionário de um bar de Madri.

Na Baviera, o proprietário do café Kava em Traunstein reclama que ele só pode ter cinco mesas, das 15 que tinha antes da epidemia.

"Essas mesas não cobrirão nossas despesas sob nenhuma circunstância", lamenta Simon Lange, questionado pela rádio pública regional Bayerische Rundfunk.

De acordo com suas previsões, ele alcançará apenas 40% de sua rotatividade pré-coronavírus.

Na Grécia, a reabertura de estabelecimentos estava inicialmente prevista para 1º de junho.

Sob pressão do setor, o governo autorizou a reabertura hoje, porque o país de 11 milhões de habitantes foi relativamente pouco afetado pela pandemia, com menos de 2.900 casos.

Em Pangrati, Vaggelis Daskalopoulos hesita entre "o desejo de trabalhar, não quebrar e o medo de contágio".

"Com o início da temporada turística [15 de junho], os riscos serão ainda maiores", diz ele, zangado com a ideia de que turistas com o vírus "nem sequer serão controlados" porque apenas testes aleatórios são planejados.

Também se preocupa com as "novas dificuldades econômicas" de seu pequeno café, inaugurado em 2010, em meio à crise da dívida. "Não sei como vamos fazer isso", diz ele.

"Durante esses meses de fechamento, tivemos despesas a pagar e nenhuma renda (...) e as medidas impostas têm um custo real para nós", explica.

De acordo com Nikos Nifoudis, da Initiative Restauration de Thessaloniki, com a regra que limita a capacidade dos estabelecimentos a 50%, três cafés ou restaurantes em cada dez podem não abrir nesta segunda-feira.

"O setor está muito preocupado e está esperando para ver como serão os estabelecimentos que abrem", disse ele à agência de notícias ANA.

"Ninguém pode prever se os clientes retornarão com confiança a cafés e restaurantes".