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Japão homenageia culturas tradicional e pop na abertura dos Jogos Olímpicos

24/07/2021 00h57

Tóquio, 23 jul (EFE).- Com referências ao teatro, à música e aos videogames, a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Tóquio homenageou nesta sexta-feira a cultura tradicional do Japão sem se esquecer do lado "descolado" que abriu tantas portas ao país em nível internacional,

O roteiro da cerimônia foi dividido em nove atos. Nos primeiros momentos foram exibidos breves vídeos e uma contagem regressiva desde que a capital japonesa foi escolhida como sede olímpica, em 2013, até o presente. O tiro de largada para o evento foi dado com 694 fogos de artifício.

A pirotecnia da cerimônia ficou totalmente a cargo da Japan HANABI Association, a associação de fogos de artifício do país.

Em seguida, foi iniciada uma atuação protagonizada pela boxeadora e enfermeira Arisa Tsubata e um grupo de bailarinos com coreografia de Shintaro Hirahara e música de Seigen Tokuzawa. Essa parte foi uma homenagem às dificuldades da sociedade, e principalmente dos atletas em treinamento, com a chegada da pandemia de covid-19.

Os bailarinos começaram dançando separados, simbolizando o distanciamento social aplicado no mundo inteiro, inclusive nos Jogos Olímpicos.

Inicialmente branco, o fundo da pista do estádio ganhou cores mais vivas para acabar juntando os bailarinos com um fio vermelho, uma referência à lenda popular do fio vermelho do destino, que representa a força invisível que une inconscientemente a vida das pessoas. A atuação foi dirigida pela coreógrafa Megumi Nakamura.

Depois, foi a vez de entrar a bandeira do Japão, acompanhada da interpretação do hino do país pela cantora Misia, famosa por canções folcóricas.

Na sequência, o ator e bailarino Mirai Moriyama interpretou uma peça lúgubre contemporânea para homenagear os falecidos, aos quais foi feito um momento de silêncio.

O luto deu lugar à festa e, ao ritmo de uma canção popular, os bailarinos se juntaram a membros de uma associação para a preservação da memória dos bombeiros de Edo, fundamentais para manter a segurança das casas de madeira do Japão, que continua tendo preferência pelo material na construção. O próprio Estádio Olímpico de Tóquio é feito de madeira.

O grupo dançou durante a música "Kiyari Uta" vestindo casacos tradicionais "haori" e "happi" e liderado pela atriz Miki Maya, ex-integrante da companhia de teatro Takarazuka Revue e famosa pelos papéis masculinos, os mais procurados do grupo.

O bailarino Kazunori Kumagai se juntou a eles enquanto chegavam a eles lanternas flutuantes e anéis olímpicos esculpidos em madeira. O material usado para a criação do emblema foi retirado de árvores cultivadas a partir de sementes levadas ao Japão por atletas que participaram dos primeiros Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964.

O economista bengali Muhammad Yunus, ganhador do prêmio Nobel da Paz em 2006, receberia o Laurel Olímpico na cerimônia, mas, como não pôde comparecer pessoalmente, enviou um vídeo de agradecimento.

O desfile de atletas começou logo depois. Durante mais de duas horas, os representantes dos países foram apresentados ao som de músicas de videogames, como "Dragon Quest", "Final Fantasy", "Chrono Trigger" e "Monster Hunter", em homenagem à cultura pop do país. As placas com os nomes dos países simularam balões de diálogo de mangás.

Houve também uma espectacular exibição tecnológica, com a logomarca dos Jogos Olímpicos formando um globo giratório com 1.824 drones pairando sobre o estádio, enquanto a canção de John Lennon "Imagine" era cantada por artistas dos cinco continentes: o espanhol Alejandro Sanz, a beninense Angélique Kidjo, o neozelandês Keith Urban, o americano John Legend e o coral infantil japonês Suginami Junior Chorus.

Uma das últimas atrações foi uma atuação de teatro kabuki a cargo do ator Ebizo Ichikawa XI, que interpretou o trecho de uma emblemática obra de sua família, "Shibaraku", além da pianista Hiromi Uehara, ganhadora de um Grammy em 2011 pelo melhor álbum de jazz contemporâneo.

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