PUBLICIDADE
Topo

Esporte

Ícone italiano, Alessandro Zanardi está entre a vida e a morte pela 2ª vez

Alex Zanardi durante treinamento para os Jogos Paraolímpicos do Rio, em 2016 - BMW AG
Alex Zanardi durante treinamento para os Jogos Paraolímpicos do Rio, em 2016 Imagem: BMW AG

23/06/2020 15h09

Roma, 23 Jun 2020 (AFP) - Hospitalizado desde sexta-feira (19) em Siena em estado grave após um acidente na estrada, Alessandro Zanardi está novamente entre a vida e a morte, como em 2001. Ícone na Itália, Zanardi teve duas vidas de campeão, a primeira como piloto de carro e depois como atleta paralímpico.

O italiano, que teve as duas pernas amputadas em 2001, perdeu na sexta-feira o controle de sua bicicleta pedalada com as mãos quando competia numa estrada da Toscana e colidiu com um caminhão que vinha no sentido contrário, sofrendo várias fraturas na face.

Já no hospital, Zanardi foi induzido ao coma. Os médicos explicam que seu quadro é "estável, mas grave" e esperam poder acordá-lo na semana que para iniciar a avaliação de sua situação neurológica.

Horas de incertezas, ficando entre a vida e a morte, já foram vividas por Zanardi em setembro de 2001, quando sofreu um terrível acidente no circuito alemão de Lausitzring.

Entre duas experiências de altos e baixos na Fórmula 1, de 1991 a 1994 e depois em 1999, o italiano brilhou na Fórmula Indy americana, conquistando dois títulos (1997 e 1998).

Coração parou de bater em 2001

Naquele fatídico dia do acidente, o carro de Zanardi parou no meio da pista após rodar e foi atingido em cheio por outro veículo que vinha a 300 km/h. O choque foi assustador. Zanardi perdeu muito sangue e os médicos se viram obrigados a amputar as pernas do italiano.

O coração de Zanardi parou de bater várias vezes e o piloto chegou até a receber a extrema-unção. No Hospital de Berlim, passou por 15 cirurgias.

"Quando acordei, eu só pensava nas minhas pernas. Pensei que restava a metade de mim", relatou.

Três meses depois do acidente, Zanardi fez a primeira aparição pública em Bolonha, sua cidade natal, durante cerimônia de entrega de prêmios automobilísticos. "Que emoção! Estou com as pernas tremendo!", brincou à época.

Campeão paralímpico

Esta forma de olhar para o passado para se concentrar no futuro acompanhou a segunda vida de Zanardi, um dos atletas mais queridos e respeitados da Itália.

Após alguns anos em que pilotou carros adaptados, Zanardi se tornou um dos maiores campeões paralímpicos na bicicleta pedalada com as mãos.

Em 2008, em sua primeira competição na nova modalidade, terminou na quarta colocação na maratona de Nova York. No ano seguinte, abandonou a carreira no automobilismo para se dedicar à preparação para os Jogos Olímpicos de Londres-2012.

Na capital inglesa, Zanardi conquistou duas medalhas de ouro, feito que repetiu nos Jogos do Rio-2016. Em 2010, ganhou a maratona de Roma e, no ano seguinte, a de Nova York.

Na Itália, Zanardi é um ídolo, "alguém que corre uma maratona sem pernas", segundo ele mesmo definiu. Para o mundo paralímpico, ele se tornou um embaixador planetário.

Carisma e coragem

"Pelos resultados e por seu carisma, ele mudou nossa percepção do esporte paralímpico", escreveu no sábado a "Gazzetta dello Sport", um dos três diários esportivos italianos que, no dia seguinte ao acidente, dedicou sua primeira página a Zanardi, algo num país em que o futebol reina absoluto.

Pelo carisma, sorriso e coragem, Zanardi impulsionou o crescimento do esporte paralímpico. O ex-piloto escreveu quatro livros, apresentou programas de televisão e participou até da dublagem em italiano da animação 'Carros'.

Zanardi resumiu seu sucesso à regra dos "cinco segundos": "Quando você já deu tudo de si, dê mais cinco segundos, é o que os outros não conseguem".

Há algumas semanas, Zanardi participou com outros atletas de um programa de televisão chamado 'Não desista nunca', com o intuito de animar a Itália em meio ao confinamento no país em função da pandemia do novo coronavírus.

Agora chegou a vez de todo o país pedir ao ídolo que escolha "a vida", como havia prometido em 2014.

"É sempre possível cair uma segunda vez. Mas ficar em casa para evitar isso seria deixar de viver. Eu escolho a vida", declarou na época.

Esporte