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Por que Darlan, campeão e recordista, pensou em desistir na véspera do Pan

Darlan Romani na prova do arremesso de peso do Pan-2019, em Lima - Washington Alves/COB
Darlan Romani na prova do arremesso de peso do Pan-2019, em Lima Imagem: Washington Alves/COB

Demétrio Vecchioli

Do UOL, em Lima (Peru)

07/08/2019 21h00

Número dois do ranking mundial, Darlan Romani confirmou o favoritismo e faturou a medalha de ouro no arremesso de peso dos Jogos Pan-Americanos, na noite desta quarta-feira (7), em Lima. O brasileiro fez todas as seis melhores marcas da prova e venceu com 22,07m, batendo o recorde pan-americano da prova, que era 21,69m. O ouro é o primeiro do Brasil nas provas de atletismo no Pan.

Agora o que a imensa maioria dos espectadores no estádio não sabiam é que, às vésperas do evento, Darlan estava combatendo forte febre e por pouco não ficou fora da prova. Ainda hoje, estava sob efeito de medicação, com antibióticos para atacar uma infecção na garganta.

"Ontem pensei em desistir. Até falei com os médicos de que poderia pedir baixa", afirmou o medalhista que, em sua primeira noite na capital peruana acordou com temperatura acima de 40 graus. "Mas hoje os antibióticos ajudaram bastante e consegui suportar bem, sem febre."

Darlan credita a doença a um deslocamento longo até Lima, com duas escalas no caminho. "Fiz uma viagem muito doida vindo de Madri. Foram 29 horas de voo. Quando cheguei, estava um pouco estranho. Na primeira noite acordei queimando de febre."

Às vésperas da competição, Darlan decidiu sair da Vila Pan-Americana para ficar sob cuidado intensivo num quarto de hotel, acompanhado e "tratado" por sua mulher, Sara, que também é atleta.

Na prova, para além de tanto esforço, o brasileiro também contou com a ausência na prova dos seus dois maiores rivais no mundo na atualidade: os norte-americanos Ryan Crouser, que tem 22,74m na temporada, e Joe Kovacs, que tem 22,31m. O brasileiro há pouco mais de um mês bateu o recorde sul-americano com 22,61m. Nesta quarta, ele quebrou pela segunda vez na carreira a barreira dos 22 metros.

A medalha é a primeira do catarinense de Concórdia em Jogos Pan-Americanos. Em 2015 ele já era um dos melhores do mundo na prova - tanto que foi campeão mundial militar naquele ano -, mas ficou em uma modesta sexta colocação. A vitória naquela prova foi do jamaicano O'Dayne Richards, que estava defendendo seu título na capital peruana e terminou em quinto, dois metros atrás do brasileiro. Não foi das jornadas mais felizes para o jamaicano, que agora teve seu recorde do campeonato quebrado.

O interessante é que, já campeão, Darlan admitiu que a quebra do recorde pan-americano veio depois de uma cobrança de seu técnico, o cubano Justo Navarro, durante a prova. "Fisicamente até me senti bem. Mas o psicológico estava balançado. No final até tomei um puxão de orelha do 'profe'. Ele me disse: 'Você está aqui, cara, você já treinou, está em condições... Vamos bater esse recorde'. Mas o resultado está aí. A gente batalha para isso."