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Bela exalta padrão Panicat e vê prestígio em esporte de fitness com dança

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

17/09/2013 06h00

O fisiculturismo é acompanhado de certo preconceito, por seus corpos sarados, poses incomuns e óleos bronzeadores que deixam os competidores com cores surreais. Mas muito disso é atenuado no fitness coreográfico, uma modalidade diferente, que aposta na sensualidade da dança para mostrar um lado diferente das atletas. É o caso da brasileira Janaína Matos, de 27 anos, vice-campeã mundial da modalidade em 2011, que venceu muitos olhares tortos até se convencer, mais recentemente, que era aceita pela sociedade.

Para a goiana, que começou ainda adolescente na modalidade, sempre dando ênfase à dança e não só aos músculos definidos, o “padrão Panicat” que se viu no Brasil nos últimos anos é que gerou essa mudança no olhar de quem não conhecia bem ou não gostava de corpos mais sarados. Em vez da magreza das modelos, mais curvas, seios e bumbuns maiores e até músculos passaram a ser vistos como o tipo de beleza mais atrativo no país – apesar, é claro, de não ser uma unanimidade.

“O fitness coreográfico é uma categoria da musculação e da ginástica, que nasceu na década de 1990”, explica a bela, que é casada e tem uma filha de seis anos. “Para o fisiculturismo ser mais comercial e assustar menos as pessoas, foi criada essa disputa, mais delicada. Nela, nós realizamos uma coreografia de 1min30, mostrando qualidades na dança, na ginástica e também de força e temos uma etapa de biquíni, para o corpo ser observado.” O peso maior na avaliação fica para a parte da coreografia, que vale 40% da nota.

Janaína começou neste mundo com 14 anos e competiu pela primeira vez aos 15. Naquela época, teve de convencer até a família. “Antes disso fiz ginástica olímpica e dança, mas não profissionalmente. Quando comecei a fazer musculação, o pessoal viu que eu tinha uma resposta muito boa. Eu não queria ser fisiculturista, então optei por dançar, o que reunia tudo o que eu gostava”, conta ela, que fez faculdades de fisioterapia e educação física.

“Como a rotina exige uma dieta rígida e treinos muito intensos, minha família se assustou no começo. Mas sempre tive acompanhamento médico, eles deram o parecer de que eu estava num caminho correto e eles viram que podiam me apoiar”, adiciona.

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O problema não era só em casa. Fora, ela também teve de aguentar o preconceito de quem a achava “fortona” demais, apesar de ela alegar que nunca buscou ter um corpo sarado do nível de uma fisiculturista.

“Nunca fui muito forte, mas era difícil antigamente ver o físico trabalhado em uma mulher, as pessoas achavam estranho. Hoje é diferente, já é visto como positivo, é totalmente o oposto. A magreza não passa mais sensação de algo saudável, e sim de doença”, defende ela.

Janaína é 7ª no Mundial

Neste fim de semana, Janaína esteve em Kiev para o Mundial feminino e não conseguiu repetir o vice-campeonato de dois anos atrás. Ela terminou na sétima colocação, mostrando uma coreografia com a música “Sweet Dreams”, com tango e alguns efeitos na música. A goiana já usou ritmos brasileiros, como o frevo, mas notou que regionalizar demais a escolha sonora acaba tendo efeito negativo com os jurados.

Neste ano, ela sentiu que o físico acabou fazendo a diferença no resultado final. "A minha coreografia ficou entre as melhores. Tanto o público, quanto os jurados gostaram muito da minha apresentação. Já na etapa de físico, eles escolheram o padrão europeu, em que as atletas são menores, mais magras e têm o tronco mais largo", explicou.

“Como é com as Panicats, eu não sinto que me vejam de um modo que não seja o de uma mulher. Não acho que pensem que sou masculinizada, e o fitness também é um esporte para mulheres, você não precisa ter um físico masculino. Eu gosto de me manter feminina. Tenho uma característica assim e levo isso para o meu corpo, mas de forma que também me adapte às competições”, explica.

Admiradores e admiradoras

Janaína admite que hoje o assédio cresceu. E, como seu forte é dançar, não são só os homens que acompanham seu trabalho. A goiana diz que ouve elogios tanto do público masculino quanto do feminino. Tudo com o olhar próximo do marido, Jango Guimarães, que é fisiculturista e a acompanha em toda a sua jornada.

“Tem bastante homem que acompanha a minha carreira, mas é bem dividido. Tenho muitos admiradores, mas também muitas admiradoras, em todos os sentidos”, diz a musa.

A rotina de Janaína é intensa e rígida. Além dos treinos, ela tem de acompanhar atentamente a alimentação. O ano é periodizado, para que ela esteja no auge nos momentos de competição. Carboidratos e proteínas magras, como peixe, frango e ovos, são obrigatórios. Além disso, suplementos alimentares também fazem parte da dieta. Vale lembrar que as competições com títulos em jogo tem controle antidoping, proibindo o uso de anabolizantes.

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