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Elvis foi faixa-preta de caratê. E o esporte até custou seu casamento

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

04/04/2014 06h00

É impossível pensar em Elvis Presley e não lembrar de seus movimentos no palco, que junto à sua música o transformaram no Rei do Rock. O que muita gente não sabe é que parte de suas requebradas e de seus trejeitos foram fruto de outra faceta do cantor: a de lutador. O norte-americano praticou por duas décadas caratê. Não só treinou, como virou faixa-preta na modalidade.

Foi durante o serviço militar que Elvis descobriu essa paixão, que ele conservaria por toda a sua vida – o certificado de sua faixa-preta, dizem, era mantido em seu bolso até sua (suposta?) morte, em 1977. O cantor nunca largou totalmente os treinos e acabou sendo visto como um difusor da arte marcial nos Estados Unidos, numa época em que a febre por Bruce Lee e Chuck Norris ainda estava por começar.

Mas nem tudo que envolveu a arte marcial acabou bem para Elvis, que ganhou o apelido de “O Tigre” como lutador, na década de 1970 - quanto também estudou o taekwondo. Foi também o caratê que motivou o fim de seu casamento com Priscilla Presley, por conta de uma traição cometida por ela. 

Começo: o soldado Elvis

  • Reprodução

    Começo: o soldado Elvis

    Elvis Presley conheceu o caratê no serviço militar. Em 1958, dois anos depois de lançar seu primeiro - e explosivo - disco, Elvis foi alistado e serviu na Alemanha. Lá, conheceu um professor de caratê hotokan e aprendeu seus primeiros movimentos. Em 1960, fez um intensivo de nove dias em Paris, abraçando ainda mais a arte marcial. O cantor passou por diversos estilos, como kenpo e chito-ryu.

O estilo de Elvis Presley foi um choque para quem vivia o fim dos anos 1950. O cantor chegou aos palcos com seu requebrado e até capas de disco eram alvo da censura, para que ele aparecesse apenas da cintura para cima. A partir dos anos 1960, Elvis adicionou um “tempero” novo aos seus passos. Com chutes, simulação de socos e movimentos combinados, o caratê acabou se tornando uma marca registrada em suas apresentações, que às vezes tinham trechos específicos para ele fazer sua demonstração. A influência também apareceu muito em seus filmes, em que muitas vezes ele atuava sem dublês, e até nas roupas que ele levava aos palcos.

Raça para se tornar faixa-preta

Elvis Presley se tornou um faixa-preta de caratê em julho de 1960. Mas não foi fácil. À época, não se entregava faixas-pretas a esmo. Então, seu mestre o mandou treinar com outro técnico mais casca-grossa, chamado Hank Slemansky, da escola chito-ryu. Foram semanas de preparação e testes, que levaram o cantor à exaustão. Slemansky queria saber “do que era feito” Elvis. Assim, logo na segunda sessão o colocou em um treino com contato total, uma briga pra valer. O cantor apanhou um bocado, mas mostrou seu espírito. Em 1974, ele tomou sua graduação máxima, com o oitavo dan.

O casamento arruinado

  • AP

    O casamento arruinado

    Elvis acabou influenciando sua mulher, Priscilla a treinar caratê. Certa vez, quando o cantor estava viajando em turnê, ela teve diferença com o técnico principal do casal, Ed Parker, e Elvis sugeriu que ela tomasse aulas com Mike Stone, instrutor a quem ela conheceu nos bastidores de um show em 1972. O problema é que Priscilla e Stone começaram um affair que foi o ponto de partida para a ruptura.

O filme perdido

O caratê trouxe a Elvis alguns projetos. Além da grande ligação que ele manteve com os militares, fazendo doações e ajudando ex-companheiros, ele também tentou investir em algumas ideias ligadas à arte marcial que iniciou como soldado. Em 1974, ele fundou o Instituto de Caratê de Tennessee, que era comandado por dois amigos. Mais tarde no mesmo ano, ele se envolveu nas gravações de um documentário sobre artes marciais. O cantor participou das gravações, parte delas retratando aulas de defesa pessoal. Mas na virada para 1975, o projeto chamado "The New Gladiators" acabou sendo descartado e restaram apenas as imagens registradas, sem que virassem realmente um filme (veja trecho na playlist de vídeos que abre a matéria).

Durão, mas não de ferro

  • EFE

    Durão, mas não de ferro

    Elvis costumava falar de caratê até nos intervalos de música em seus shows. Um dos papos que ele contava era sobre as vezes em que machucou suas mãos e pulsos enquanto tentava quebrar tijolos. Recentemente, um raio-X foi colocado à venda em um leilão beneficente, justamente trazendo esse tipo de situação à tona. A imagem mostra os ossos dos braços e mãos de Elvis com uma lesão causada pelo caratê.

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