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Grêmio: goleador da base jogou "de graça" no Guarani e tem mãe boleira

Elias Manoel é um dos destaques do time B do Grêmio que inicia o Gauchão de 2022 - Pedro H. Tesch/AGIF
Elias Manoel é um dos destaques do time B do Grêmio que inicia o Gauchão de 2022 Imagem: Pedro H. Tesch/AGIF

Jeremias Wernek

Do UOL, em Porto Alegre

26/01/2022 04h00

A temporada do Grêmio começa hoje (26), com a estreia no Campeonato Gaúcho. No time que enfrenta o Caxias, às 19h (horário de Brasília), Elias Manoel é o grande destaque. Goleador das categorias de base do clube nas últimas duas temporadas, ele chegou a Porto Alegre em 2018 depois de jogar literalmente de graça no Guarani, de Campinas. E o futebol, que virou a vida do atacante a partir dos 14 anos, chegou a ele pelos pés da mãe: dona Fátima.

Uma das maiores promessas da atual base do Grêmio, Elias renovou contrato no ano passado e tem multa rescisória de 100 milhões de euros (R$ 614 milhões na cotação atual).

O Grêmio joga as duas primeiras rodadas do Gauchão com o chamado time de transição. Elias foi cedido pelo grupo principal ao elenco B justamente para jogar. Ter ritmo. E ser observado por Vagner Mancini, que procura novas opções para o ataque.

Seis anos atrás, Elias vivia um cenário completamente diferente. Até os 14 anos, ele jogava bola nas ruas em um dos bairros de Campinas, no interior de São Paulo, e tinha uma rotina: voltar da escola, almoçar e logo depois amarrar os cadarços das chuteiras uns nos outros. O colar estava feito e iria fazer o trajeto até o campinho onde o Aliança de Ouro treinava. O time montado para a disputa da Liga Campineira foi a porta de entrada para o futebol.

Elias chamava atenção. Era mais alto e forte que os demais meninos da mesma idade. Não demorou e surgiu o convite para fazer um teste na base do Guarani. Teste feito, vaga garantida. O mais novo jogador do time sub-15, agora, trocava as caminhadas perto de casa pelos ônibus. Eram dois, da escola até o clube. Um trajeto de 1h30 até 2h de deslocamento. No Bugre, evoluiu fisicamente.

Foram três anos no Guarani, com contrato de formação. O vínculo até permite ajuda de custo, mas por conta da situação financeira do clube de Campinas, Elias não recebia nada. Os treinos e jogos rolavam para a busca do primeiro contrato profissional, possível a partir dos 16 anos. Foi aí que Elias cruzou o caminho do Grêmio.

Elias Manoel, do Grêmio, ao lado da mãe, Fátima - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Dona Fátima e Elias Manoel. Família conta que a mãe jogou na várzea no Mato Grosso do Sul
Imagem: Arquivo pessoal

Em outubro de 2017, a base do clube gaúcho fez uma excursão ao interior de São Paulo e realizou amistoso com o Guarani. O Grêmio venceu a partida entre os times sub-17, mas depois do jogo não quis comemorar muito. Foi atrás de informações sobre o atacante do outro lado. No mesmo dia houve convite para teste em Porto Alegre e em janeiro, Elias chegou no Rio Grande do Sul para ficar.

Mãe jogou na várzea no MS

O futebol está bem presente na família Alves de Paula. Além de Elias, o irmão mais novo Eliseu também é jogador e está na base do Grêmio. Os dois atacantes foram influenciados pela história da Dona Fátima, mãe e jogadora de várzea no Mato Grosso do Sul.

Reza a lenda familiar que Fátima jogava em campos de várzea, ao lado das irmãs Cristina e Rita, antes de se mudar para São Paulo. Os filhos nasceram depois da "aposentadoria", mas cresceram ouvindo que a mãe era boa de bola. O pai, Antônio, "só gosta de futebol".

Ponta ou centroavante?

A estreia do Grêmio no estadual deve apresentar a versão mais recente de Elias Manoel. Depois de se destacar na base como atacante de lado, ele passou a ser testado como jogador de área. E a função de centroavante tem sido desempenhada com frequência.

Elias é visto como possível substituto para Diego Souza, no grupo principal. Mas também uma alternativa para a vaga de Ferreira, pelo lado do campo. Em 2021, ele ganhou destaque ao ser protagonista na campanha do título do Grêmio no Campeonato Brasileiro de Aspirantes.

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