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Pix, "palaiada" e assertividade: a 1ª entrevista de Leila como presidente

Diego Iwata Lima

Do UOL, em São Paulo

16/12/2021 13h17

Leila Pereira assumiu a presidência do Palmeiras na tarde de ontem e, em sua primeira entrevista coletiva, concedida na tarde de hoje, trocou a emoção da cerimônia de posse pela assertividade.

A nova mandatária do clube chegou ao ponto de ter feito uma involuntária homenagem ao ex-presidente do clube Salvador Hugo Palaia, que, quando era diretor de futebol, concedeu uma autoentrevista —episódio que ficou conhecido como "Palaiada". E foram boas perguntas: Leila afirmou que tirará as suas empresas, Crefisa e FAM, da camisa do Palmeiras se uma empresa idônea cobrir os valores repassados por elas ao clube. A dirigente ainda ressaltou que é contra o Palmeiras alterar sua constituição de clube associativo para uma SAF.

Leila ainda disse que o Palmeiras vai buscar reforços que sejam jovens e tenham potencial de revenda futura, descartando a chegada de medalhões. Leila também garantiu, mas dessa vez indagada, que o técnico Abel Ferreira, o diretor Anderson Barros e todo o estafe do futebol seguem no Palmeiras.

A presidenta voltou a falar da emoção de chegar ao poder no Palestra como mulher, carioca e "Pereira".

"Não tenho um sobrenome italiano. O italiano mais perto de mim é o meu marido, que é descendente", brincou. Com isso, ela reforçou a ideia de um Palmeiras para todos. Contudo, ela se negou a empunhar uma bandeira feminista, dizendo que nunca entendeu que teria de trabalhar mais ou menos que seus colegas homens. "Eu simplesmente trabalhava".

Outro ponto inusitado de sua entrevista foi a revelação de que ela recebeu pix de torcedores em suas contas após ter seu CPF revelado durante a posse.

"E eles pediam centroavantes, expressavam até o nome que queriam ver contratados", contou ela, que vai reverter o dinheiro ao Palmeiras e pediu para que, em vez de transferências, os torcedores dobrassem o números de sócios Avanti, o programa de sócio-torcedor do clube.

Leila voltou a dizer que quer reaproximar o torcedor do clube, que ela entende ter se afastado um pouco da agremiação por conta dos valores de ingresso. "Jamais admitirei que nosso torcedor, nosso maior patrimônio, se afaste. Vou trabalhar para que o clube seja acessível, dando ao torcedor a chance de comprar um ingresso, uma camisa. O futebol é um esporte popular. E se é popular, o torcedor tem que estar próximo", disse.

Ela também negou que terá oposição no clube, quer ser a presidente que vai dialogar com todas as correntes políticas. Vale lembrar que há um enorme racha político entre o grupo de Leila Pereira e os nichos de influência de outras pessoas da oposição, como o grupo do ex-presidente Paulo Nobre.