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Posse de Bola

Programa semanal de futebol com Juca Kfouri, Mauro Cezar Pereira, Arnaldo Ribeiro e Eduardo Tironi


OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Posse de Bola #132: Crise na CBF, Tite criticado e a rodada do Brasileirão

Do UOL, em São Paulo

07/06/2021 12h15

Classificação e Jogos

Rogério Caboclo foi afastado ontem (6) da presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) pela Comissão de Ética do Futebol da entidade no momento em que vieram à tona denúncias de assédio moral e sexual por uma funcionária na última sexta-feira. O dirigente a princípio fica afastado do cargo por 30 dias, em meio a discussões sobre a disputa ou não da Copa América pela seleção brasileira e críticas do senador Flávio Bolsonaro (Patriotas-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do vice-presidente Hamilton Mourão ao técnico Tite.

No podcast Posse de Bola #132, os jornalistas Arnaldo Ribeiro, Eduardo Tironi, Juca Kfouri e Mauro Cezar Pereira analisam o cenário de crise envolvendo a CBF e a seleção brasileira, o silêncio dos clubes diante das acusações contra Caboclo e as críticas a Tite.

Juca afirma que dentro da CBF os próprios dirigentes já tinham conhecimento sobre o comportamento do agora presidente licenciado, Rogério Caboclo, e critica o silêncio deles e dos dirigentes dos clubes, lembrando que muitos deles costumam publicar campanhas em defesa da mulher, mas não se manifestaram no episódio.

"O problema na CBF é estrutural, três presidentes banidos, o quarto, que é filhote dos três, se mete nessa confusão. As pessoas que habitam no entorno da CBF, o 'secretário menor' e os vice-presidentes, todos estavam cansados de saber das bebedeiras do senhor Caboclo, dos assédios do senhor Caboclo. Todos sabiam, todos calados, quietos, como estão calados os presidentes dos clubes diante desse escândalo cafajeste. Todos, que se manifestam no dia contra o assédio, todos calados, feitos cordeirinhos abjetos, cafajestes", diz Juca.

Juca afirma que não acredita na possibilidade de boicote por parte dos jogadores da seleção após o afastamento de Caboclo, apontando que dificilmente o dirigente voltará ao cargo, lembrando os antecessores Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, que se licenciaram antes de deixarem o cargo definitivamente. O jornalista também aponta o coronel Nunes, vice que assume no lugar de Caboclo, como alguém que é manipulado por Walter Feldman, secretário-geral da CBF.

"Dirão que já está resolvido o problema. É óbvio que o Caboclo não vai voltar, não vai voltar, esses 30 dias, lembre-se, o Ricardo Teixeira pediu licença, pediu outra licença e acabou caindo fora, o Marco Polo Del Nero pediu licença, pediu licença, veio aí o coronel, que foi agente da repressão durante a ditadura e que recebe dinheiro como anistiado político, é um negócio de maluco. Eu o entrevistei durante a Copa da Rússia, hoje é uma figura folclórica", diz Juca.

"O passado dele [Nunes] é macabro, como agente da repressão contra indígenas e mineradores lá no Pará, mas hoje ele é apenas um boneco, um boneco do secretário menor, o secretário menor que tem filha, secretário menor que viu isso tudo calado, o senhor Walter Feldman. Então é uma situação de dar nojo", completa.

'Tite não tem nada a ver com João Saldanha'

Juca também comenta as críticas feitas ao técnico Tite por Flávio Bolsonaro e afirma que o atual treinador da seleção não tem qualquer semelhança com João Saldanha, que comandou a seleção brasileira no período anterior à Copa do Mundo de 1970 e era comunista. Para o jornalista, o treinador atual está apenas se posicionando de forma favorável aos jogadores.

"Regredimos 50 anos nessa conversa, porque em 1970, às vésperas da Copa, com seis vitórias, que classificaram o Brasil nas eliminatórias, a ditadura do general Garrastazu Médici trabalhou para botar o João Saldanha para fora porque seria demais um comunista assumido voltar tricampeão do mundo. O Tite está sendo rotulado como comunista, como petista, por esse idiota desse Flávio Bolsonaro", diz Juca.

"Essa gente tachar o Tite com qualquer posição política, porque o Tite de fato esteve junto com a direção do Corinthians entregando uma taça, levando a taça para o Lula ver, o Tite já se arrependeu disso, já disse que não faria de novo, não quer saber disso, o Tite não tem nada a ver com o João Saldanha, rigorosamente nada a ver com o João Saldanha. O Tite está apenas solidário com uma manifestação dos jogadores, que eu acredito, agora recuarão, tomara que eu esteja enganado, da posição de não jogar essa 'Cova' América", conclui.

Posse de Bola: Quando e onde ouvir?

A gravação do Posse de Bola está marcada para segundas e sextas-feiras às 9h, sempre com transmissão ao vivo pela home do UOL ou nos perfis do UOL Esporte nas redes sociais (YouTube, Facebook e Twitter).

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL