PUBLICIDADE
Topo

Série B - 2021

Reforço do Coxa vira meme e brinca com fama de gato: "Parecia ter 60 anos"

Willian Alves é o novo reforço do Coritiba e virou meme na internet com fama de gato - Chaves/Portugal
Willian Alves é o novo reforço do Coritiba e virou meme na internet com fama de gato Imagem: Chaves/Portugal

Bernardo Gentile

Do UOL, no Rio de Janeiro

04/06/2021 04h00

Classificação e Jogos

Formado nas categorias de base do Botafogo, Willian Alves teve poucas oportunidades no Alvinegro e fez carreira no exterior. Pouco conhecido no Brasil, o atacante reforçou do Coritiba e tem previsão de estreia em duas semanas. Ele, no entanto, virou meme antes mesmo de entrar em campo. É que uma foto sua de quando defendia o Chaves, de Portugal, viralizou. Atualmente com 29 anos, o jogador aparentava ser mais velho na imagem, o que gerou muitas brincadeiras e uma fama de "gato".

Descontraído, Willian tira sarro da situação. Em meio a risadas, ele revelou que entrou em contato com o clube português para reclamar da divulgação da foto. O reforço do Coritiba diz que essas brincadeiras fazem parte do futebol.

"Eu até mandei mensagem para os caras lá de Portugal. 'Pô, vocês me postam uma foto dessa?' [risos]. Milhares de fotos para os caras colocarem e botam essa? Tá de sacanagem comigo... Falei com eles que virei meme aqui por causa disso [risos]. Mas levo na esportiva, não ligo para isso, não. Mas realmente falei com os caras, postaram uma foto que parece que tenho 60 anos, parece que sou meu pai. Futebol é isso, levar na esportiva. Sou tranquilo com isso", disse Willian ao UOL Esporte.

Readaptação ao Brasil

Sem jogar desde o fim de fevereiro depois de uma curta volta ao Chaves após duas temporadas no futebol da Arábia Saudita, Willian precisa de aproximadamente duas semanas para estar pronto para voltar aos gramados.

"Ainda estou me adaptando aqui com questão de fuso horário e tudo mais. Voltando para a minha terrinha para ficar perto da família. Estava sem jogar há um tempo, então tenho que recuperar a questão física. Lá na Arábia também não é o ritmo daqui, mas logo eu fico pronto. Talvez para o jogo contra o Flamengo [pela Copa do Brasil], por aí", completou.

Cadê o casaco?

Quando foi jogar no exterior, Willian sofreu na pele a falta de experiência. Com apenas 20 anos, ele foi para Eslováquia sozinho e saiu do Brasil de calça e camisa. O casaco? Bom, ele não sabia que fazia frio no país e teve uma surpresa ao chegar no aeroporto local.

"Quando cheguei na Eslováquia estava um pouquinho diferente. Abriu a porta do aeroporto, vi o chão cheio de neve e 15 graus negativos no termômetro. Uma 'friaca' danada [risos]. Abri a mala no meio do saguão e peguei o casaco. Mas saí do Brasil e nem imaginava como estaria lá. Quando fui para o exterior é que tive que meter a cara e aprender as coisas", afirmou.

Outra curiosidade é que assim que se instalou no novo clube ele começou a fazer aulas de inglês. A professora era uma espanhola e, por incrível que pareça, eles chegaram a uma conclusão um tanto quando surpreendente.

"Eu queria aprender o inglês, né? Porque é a linguagem universal, e você consegue se virar em qualquer lugar do mundo. Mas acabou que aprendi o eslovaco antes do inglês [risos]. Tinha uma espanhola lá no clube, e a gente entendeu que era mais fácil ela me explicar o eslovaco que o inglês. Até porque lá o pessoal não é muito aberto para o inglês, então teria dificuldade da mesma forma. Mas aí virou um passatempo e acabei gostando. Hoje eu aprendi legal, não sou fluente, mas falo bastante, entendo tudo. Demorei um ano e pouquinho para aprender", disse.

"O mais engraçado é que o inglês eu só fui aprender quando joguei em Portugal [risos]. Mas tem uma explicação. É que eu conseguia entender tudo o que me falavam e justamente por isso comecei a ter as aulas de inglês. Foi mais fácil entrar no curso de inglês em Portugal para poder tirar dúvidas e tudo mais. E foi muito importante para mim porque depois eu fui para a Arábia e me salvou. Até aprendi algumas palavras em árabe, dá para desenrolar, mas falar mesmo foi com inglês", completou.

Casamento das arábias

Sua ida para Arábia Saudita precisou acelerar algumas situações na vida pessoal. Ele havia acabado de conhecer a namorada, mas para ela entrar no novo país eles teriam que se casar. Mesmo com poucos meses de relacionamento, a decisão foi de seguir em frente.

"Sempre que vou para um país novo eu dou uma pesquisada. Quando fui para Arábia já sabia que lá era mais fechado, diferente. Na Eslováquia dei mole e não sabia do frio, mas depois eu aprendi [risos]. Mas chegar lá e ver todo mundo tampado é diferente, não tem como. Eu estava iniciando um namoro, e para ela entrar junto comigo tivemos que tirar uma certidão de casamento e provar no clube, senão não poderia entrar no país. Só casado. Agilizamos tudo para poder entrar. Foi engraçado porque a gente não estava há muito tempo junto, e falei para ela que para entrar no país só dessa forma. Ela achou bom [risos]", afirmou.

"A gente sabe que é mais fechado, mas quando chegou lá tem coisas que só descobre na hora. Mulher não podia ir ao estádio, não pode dirigir... Os restaurantes lá são divididos entre família e solteiros. Não mistura. A minha namorada estava comigo de cabelo solto, e não pode também. Aí a mulher de um árabe falou para o marido não falar comigo porque ela se sentiu incomodada, como se minha mulher tivesse se oferecendo para o marido dela só por estar de cabelo solto. É a cultura deles, a gente está no país deles e temos que nos adaptar", finalizou.

Atacante Willian corre durante treinamento do Botafogo - Pedro Ponzoni/UOL Esporte - Pedro Ponzoni/UOL Esporte
Atacante William Alves, com apenas 19 anos, durante treinamento do Botafogo em 2011
Imagem: Pedro Ponzoni/UOL Esporte