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Como será a Copa do Qatar para torcedores? Começa com cerveja a R$ 60

Um copo de cerveja no Aqua, restaurante no último andar do hotel Mandarin Oriental em Doha: região dos hotéis 5 estrelas vende alcool principalmente para turistas e a preços altos no Qatar - Rubina A. Khan/Getty Images
Um copo de cerveja no Aqua, restaurante no último andar do hotel Mandarin Oriental em Doha: região dos hotéis 5 estrelas vende alcool principalmente para turistas e a preços altos no Qatar Imagem: Rubina A. Khan/Getty Images

Tiago Leme

Colaboração para o UOL, em Doha (Qatar)

21/04/2021 04h00

Os brasileiros que querem ir ao Qatar para a Copa do Mundo de 2022 não precisam se preocupar: vai ter cerveja, sim. Mas é bom preparar o bolso: em dias normais, o copo de 500ml custa pelo menos R$ 60...

Como o consumo de álcool é proibido pela religião islâmica, o país tem normas rígidas para venda e consumo, mesmo durante o Mundial do ano que vem. A restrição ao álcool é apenas uma das normas a que torcedores terão de se adaptar para a primeira Copa do Mundo em um país árabe e de religião islâmica. Quem for para lá em novembro de 2022 terá de prestar atenção ao que está vestindo (nada de saias ou bermudas curtas, nem decotes ou ombros descobertos) e terá de lembrar que é proibido para casais demonstrarem afeto em público —além disso, homossexualidade é crime no país.

Essa é a segunda matéria da série A Copa no Qatar. O primeiro episódio conta como os operários que estão construindo os estádios do torneio sofrem com más condições de trabalho e moradia.

"A questão cultural depende muito da educação de cada um. Eu viajo o mundo inteiro. Quando a gente vai em um país, sempre acaba respeitando a cultura do lugar. Estamos no país de alguém, na casa de alguém, tem que respeitar. Existem preconceitos que causam esse problema, mas temos que levar em consideração a cultura deles. Eu não vejo problema nenhum em não poder beber na rua, por exemplo", disse o veterinário brasileiro Silvio Arroyo Filho, que mora em Doha há dez anos. "Agora, talvez a parte de mulher de biquíni, shorts curtos, alguns qataris podem ficar um pouco mais ofendidos. Sinceramente, acho que na época da Copa do Mundo vão pegar o avião e ir para a Europa, sair daqui para não ter incômodo", completou.

Grande Mesquita de Doha, ou Imam Muhammad bin Abdulwahhab, o maior templo muçulmano do Qatar - Tiago Leme - Tiago Leme
Grande Mesquita de Doha, ou Imam Muhammad bin Abdulwahhab, o maior templo muçulmano do Qatar
Imagem: Tiago Leme

Restrição de bebidas alcoólicas

Quem vai ao Qatar sempre pergunta: o consumo de álcool é proibido? A resposta é não, mas existem restrições. Só é permitido beber em lugares específicos. Além disso, espere abrir a carteira. A venda e o consumo de bebida alcóolica só são permitidos em bares e boates com licença para isso, que ficam dentro de grandes hotéis internacionais, geralmente de quatro ou cinco estrelas. Esses lugares funcionam com horário limitado, no máximo até as 2h da manhã. E são caros. Um copo de 500ml de cerveja custa pelo menos o equivalente a R$ 60, na cotação atual —em alguns lugares, o preço pode chegar a R$ 84,00.

Durante a Copa do Mundo, também será permitido beber nas Fan Fests criadas pela Fifa. Isso já aconteceu no Mundial de Clubes de 2019, quando o Flamengo perdeu na final para o Liverpool —dentro desses eventos, o preço deve ser mais baixo, mas não há, ainda, divulgação de quanto mais barato. Dentro dos estádios, cerveja estará nas áreas VIPs. A Fifa ainda debate com as autoridades sobre a comercialização em demais setores. Ainda não há confirmação.

Residentes também podem conseguir uma licença especial para comprar bebida alcoólica e consumir em casa, com quantidade mensal que varia de acordo com o salário recebido. Beber nas ruas é proibido, com risco de multa, prisão ou até deportação. Por causa da religião islâmica, a tradição local diz que é uma ofensa beber álcool em locais públicos ou ficar bêbado publicamente.

Souq Waqif, tradicional mercado árabe que fica no coração da cidade de Doha - Tiago Leme - Tiago Leme
Souq Waqif, tradicional mercado árabe que fica no coração da cidade de Doha
Imagem: Tiago Leme

Roupas adequadas: cubra joelho e ombros

O Qatar é mais liberal do que outros países muçulmanos e não é necessário usar túnicas ou véus para cobrir o cabelo, como os locais fazem. Mas a recomendação é simples: homens e mulheres devem estar sempre com os joelhos e ombros cobertos. Nada de saias ou bermudas curtas, blusas com decote ou sem manga e calças justas que marquem o corpo. As normas são rígidas para entrar em certos lugares, como mesquitas, e há risco de ser barrado em shoppings e estabelecimentos comerciais.

Sem beijo na boca em público

Não é permitido demonstrar afeto de maneira exagerada em público. Andar de mãos dadas não é um problema, mas beijo na boca (e mesmo abraços mais calorosos) não são aceitos. Ou seja: nada de "pegação". Algumas regiões de Doha são consideradas mais conservadoras, como o Souq Waqif, um mercado árabe típico. Na área dos grandes hotéis internacionais, a tolerância é maior.

Homossexualidade é crime

Homossexualidade é considerada crime no Qatar, mas isso não significa que não há homossexuais no país. Existem gays vivendo por lá, mas eles escondem a sexualidade. Apesar da proibição, turistas estrangeiros homossexuais também visitam normalmente o Qatar.

Grande Mesquita de Doha, ou Imam Muhammad bin Abdulwahhab, o maior templo muçulmano do Qatar - Tiago Leme - Tiago Leme
Grande Mesquita de Doha, ou Imam Muhammad bin Abdulwahhab, o maior templo muçulmano do Qatar
Imagem: Tiago Leme

Carne de porco e pornografia também são proibidas

Segundo o Alcorão, o livro sagrado do Islã, a carne de porco é impura e os muçulmanos não podem comê-la. No Qatar, é proibido consumir e entrar no país com qualquer derivado suíno. Outras proibições no país da Copa de 2022 são a pornografia (sites na internet de conteúdo adulto são bloqueados), livros religiosos e drogas. Na chegada ao aeroporto de Doha, as bagagens podem ser escaneadas e inspecionadas por agentes de segurança.

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