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Sem acordo, Neto, ex-Chapecoense, se diz injustiçado pela seguradora

Neto deu entrevista à jornal argentino entrevista falando sobre situação das indenizações - Chapecoense/Divulgação
Neto deu entrevista à jornal argentino entrevista falando sobre situação das indenizações Imagem: Chapecoense/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

02/03/2020 11h40

Um dos sobreviventes da queda do avião que levava o time da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana em 2016, o zagueiro Neto afirmou que se sentiu injustiçado com a proposta feita pela corretora de seguros AON.

"Eles nos ofereceram um fundo humanitário de US$ 225 mil [cerca de R$ 1,124 milhão], mas quem aceita deve assinar um compromisso de não processar a empresa. As pessoas precisam saber que coisas injustas acontecem conosco. Eles nos usam como produtos deles. E nós não somos", disse o ex-jogador ao jornal argentino Olé. Após três anos da tragédia, as indenizações referentes ao seguro da aeronave ainda não foram pagas. "Se eles [os donos da empresa área] sabiam, como deixaram o avião sair sem seguro e gasolina? Como a Bolívia permitiu que decolasse?"

As famílias obtiveram um documento mostrando que a avaliação do seguro caiu de R$ 1,24 bilhão em 2015 para R$ 104 milhões em 2016 após renovação. As empresas envolvidas são a AON, a seguradora Bisa e a empresa aérea LaMia. Esse acordo excluía voos que passassem pelo território colombiano. Neto e algumas viúvas de ex-jogadores viajaram para a sede da empresa em Londres e realizaram um protesto em setembro de 2019.

"Eu sou um sobrevivente e na minha condição de ex-jogador recebi um seguro que correspondia a 20% do que tinha direito. Mas todas as famílias careciam de compensação. Em relação a Bolívia e Colômbia, esses países precisam se envolver. Também no Brasil, porque 90% dos passageiros eram brasileiros".

Atualmente, Neto é superintendente do departamento de futebol da Chape, fazendo uma ponte entre time e diretoria. "Faço um pouco de tudo. Devo estudar mais para ter conhecimento", conta. Ele se aposentou após não conseguir voltar aos gramados por conta das lesões. "Tentei voltar por amor ao futebol, por estar vivo, estar saudável".

O ex-zagueiro também falou sobre o dia em que conheceu Messi, o melhor do mundo na sua opinião e sobre a amizade com os também sobreviventes e amigos: Jackson Follmann e Alan Ruschel. "Eles sabem o que passamos, ficamos muito tristes nesse momento, compartilhamos muito, sempre tentamos ajudar um ao outro".

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