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Novo Messi: craque muda, questiona Barça publicamente e até briga com juiz

Lionel Messi gesticula durante jogo do Barcelona contra a Inter de Milão - Sergio Perez/Reuters
Lionel Messi gesticula durante jogo do Barcelona contra a Inter de Milão Imagem: Sergio Perez/Reuters

João Henrique Marques

Colaboração para o UOL, em Paris

10/10/2019 04h00

Esqueça a imagem de um jogador calmo, monossilábico e tímido. Aos 32 anos, Lionel Messi motiva quem está ao seu lado com uma mudança radical de personalidade e assume, enfim, o papel de líder do Barcelona também fora de campo. A exemplo do que ocorreu na seleção argentina, o camisa 10 agora é a voz do elenco nos bastidores e se preocupa com a evolução dos jovens jogadores do time.

Em Barcelona, todos estão cientes de que passar pelo crivo do camisa 10 é fundamental. Não à toa, Neymar o procurou para pedir ajuda ao tentar voltar para o clube catalão, confiando que o desejo do argentino já seria o suficiente para selar o negócio.

"Não quero cutucar [a diretoria do Barcelona]. Mas é verdade que não sei se fizeram todo o possível para trazer o Neymar, pois eu não estava presente. Eu só sei o que falava com o Neymar, e não a outra parte envolvida", disse Messi, em entrevista concedida ontem (9) à rádio catalã Rac1.

Antes raras, as entrevistas de Messi agora são frequentes e duradouras. O discurso em defesa dos mais criticados é sempre adotado em Barcelona. Um exemplo é Ernesto Valverde, apontado por muitos como culpado pela derrota por 4 a 0 para o Liverpool em semifinal da última edição da Liga dos Campeões, resultado que eliminou o time catalão após vitória por 3 a 0 no jogo de ida.

"Não foi culpa do Valverde a derrota em Anfield. A verdade é que nós jogadores sofremos um bloqueio pelo mesmo cenário vivido em Roma um ano antes e entramos em desespero. O vestiário ficou muito feliz que o Valverde ficou com a gente", disse Messi, referindo-se à eliminação no ano anterior, quando o Barça perdeu para a Roma por 3 a 0 após ter vencido a ida por 4 a 1.

Messi falando publicamente surpreende tanto que após a vitória por 2 a 1 sobre a Inter de Milão, na semana passada, pela Liga dos Campeões, boa parte dos jornalistas já havia deixado a zona de entrevistas. A informação vinda da Uefa de que o argentino realizava exame antidoping já era suficiente para a imprensa dar o trabalho como encerrado. No entanto, o camisa 10 avisou que queria falar.

"Eu sofria muito com entrevistas e ainda sigo sofrendo um pouco, pois não me sinto cômodo. Mas cresci e estou mais solto com a idade. É normal", explica Messi, que entre 2013 e 2016 não concedeu nenhuma coletiva pelo Barcelona.

A mudança

Nos bastidores do Barcelona, a mudança do comportamento de Messi foi notada desde a temporada passada. Na ocasião, o argentino foi colocado como capitão após a saída de Andrés Iniesta. O efeito foi o mesmo causado na Argentina pós-Copa do Mundo, quando o astro herdou a faixa deixada por Javier Mascherano. Por lá, o camisa 10 virou o porta voz do elenco.

"Acima de tudo, ele quer ganhar a Liga dos Campeões e se colocou como líder. Fez esforço para jogar contra a Inter de Milão mesmo com dores e fora de forma e arriscou. E ainda saiu para falar, pois havia polêmicas envolvendo Piqué, a diretoria e uma especulação de que ele não gosta do Griezmann. Ele era um líder técnico, silencioso, e agora quer ser exemplo dentro e fora do vestiário. Ele nunca falaria mal de um companheiro do time e sabe que sendo capitão, passando confiança, o Barça fica fortalecido" opinou José Álvarez, repórter do programa de televisão esportivo "El Chiringuito", da Espanha.

Messi não tem um assessor de imprensa ou de marketing para elaborar seus discursos. Sincero, foi suspenso e não pode defender a Argentina na data Fifa por acusar a Conmebol de corrupção durante a disputa da Copa América.

Sem se apresentar à sua seleção, Messi ficou no Barcelona para treinar ao lado dos jovens das categorias de base. O cuidado do astro com a nova geração passou a ser reverenciado internamente. Em outra ferramenta de comunicação que o camisa 10 pouco utilizava, a rede social Instagram, o argentino demonstrou carinho e vibração com o sucesso inicial da joia Ansu Fati, de 16 anos, no clube.

No último jogo do Barcelona, que terminou em vitória por 4 a 0 contra o Sevilla, no Camp Nou, pelo Campeonato Espanol, Messi deixou sua marca de falta e se destacou no papel de líder ao peitar o árbitro após a expulsão de Ousmane Dembelé. "Ele não sabe falar espanhol", se explicava o argentino, após suposto xingamento do companheiro de ataque em direção ao juiz.

"Quando o Messi diz alguma coisa, todos os demais vão seguir o caminho que ele demarca. Ele se coloca à frente do grupo, e sabemos que está com a razão", elogiou Ivan Rakitic.

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