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Romero decolou em 6 a 1 e já foi essencial, agora sai pela porta dos fundos

Atacante deixa Corinthians após 222 partidas e 38 gols (27 destes na Arena, onde é artilheiro) -  Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians
Atacante deixa Corinthians após 222 partidas e 38 gols (27 destes na Arena, onde é artilheiro) Imagem: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

13/07/2019 04h00

A partir de amanhã, Ángel Romero não é mais jogador do Corinthians. O torcedor pode até sentir estranhamento com isso, afinal foram cinco anos seguidos do paraguaio no clube, incluindo protagonismo em uma séries de conquistas recentes e entrega total em campo; mas, sim, o atacante está deixando o Timão. Após ver a carreira mudar de patamar com uma goleada em clássico e se tornar ícone de anos vencedores, ele está se despedindo em baixa.

Em meia década no Corinthians, Romero superou a timidez com as câmeras e a aversão a entrevistas para se tornar uma peça fundamental em campo. Tanto que virou artilheiro da Arena e tornou-se um dos estrangeiros mais importantes da história do clube: o que mais jogou, o que mais foi campeão (ao lado de Rincón) e o terceiro que mais fez gols (atrás apenas de Guerrero e Tevez). Uma trajetória que acaba em parte ofuscada pela saída sem diálogo, com rompimento entre a diretoria e seus empresários.

Romero trocou de representantes em junho de 2018, e logo recebeu propostas para deixar o Corinthians. Até novembro, o clube mostrava otimismo por sua renovação, mas daí em diante tudo se complicou. A diretoria alvinegra se enervou com os agentes, que exigiam aumento salarial, e a negociação frustrada terminou com o atacante treinando à parte.

A quarentena de Romero aos poucos foi afrouxada e ele até voltou a treinar com bola, mas não foi relacionado uma vez sequer em 2019 - só jogou uma partida pela seleção paraguaia no período. As conversas por renovação já não existiam há alguns meses, mas duas semanas atrás o próprio Romero alimentou falsas esperanças em quem ainda torcia por sua permanência. Em uma publicação misteriosa nas redes sociais, usou um 'emoji' de assinatura como legenda de uma fotografia ao lado de Fábio Carille. Apesar da empolgação de alguns corintianos, tudo não passou de uma brincadeira do paraguaio.

A despedida vai custar ao Corinthians 3 milhões de dólares (R$ 11,3 milhões na cotação atual). É o valor da devolução devida a Beto Rappa, agente que pagou para tirar Romero do Cerro Porteño (PAR) em 2014 - à época, a operação era permitida. Nos bastidores, a diretoria corintiana entende que o jogador "já se pagou" com as atuações e títulos vencidos no clube.

A trajetória de Romero no Corinthians

No Corinthians, Romero precisou de apenas dois jogos saindo do banco para virar titular. Sob comando de Mano Menezes, venceu a concorrência de Luciano e Romarinho pela velocidade, retenção de bola e enorme capacidade de marcação no lado do campo, ainda que fizesse poucos gols.

O paraguaio viveu jejum de quase um ano, mas manteve-se em alta internamente e ganhou o então técnico Tite pelo esforço nos treinamentos. Teve propostas para sair, mas preferiu ficar no Corinthians mesmo com pouco espaço em 2015 - às vezes sendo menos falado no clube do que seu irmão gêmeo, Óscar. Seja como for, Ángel escolheu permanecer e foi recompensado: marcou dois gols no 6 a 1 sobre o São Paulo, a cereja do título brasileiro daquele ano.

Foi precisamente a partir daquele clássico que Romero deslanchou no Corinthians. Com Tite, ele de certa forma redefiniu a posição de ponta direita e virou "atacante-lateral", dando tanta importância à marcação quanto ao ataque. A função foi mantida no conturbado segundo semestre de 2016, quando Romero virou artilheiro da Arena, e alcançou o auge com Fábio Carille a partir do ano seguinte.

"Ele é um cara a quem sou muito grato. Participou muito, ajudou demais no começo da minha carreira", reconheceu Carille há algumas semanas. De fato, Romero voou em 2017, sendo peça fundamental dos títulos estadual e brasileiro e tirando até selfie em dérbi decisivo. Em 2018, foi mais questionado, mas viveu período mágico no pós-Copa e chegou a somar seis gols em três jogos. Foi mais ou menos nesta época que os rumores sobre sua saída ficaram mais fortes, e a renovação emperrou.

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