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Por que ressentimento e silêncio definem Peru após vaga na semifinal

Gabriel Carneiro

Do UOL, em Salvador

30/06/2019 12h00

Apenas o capitão Paolo Guerrero e o técnico Ricardo Gareca, por força do regulamento, concederam entrevistas após a seleção do Peru vencer o Uruguai nos pênaltis e garantir classificação para a semifinal da Copa América, em que enfrenta o Chile.

Uma das poucas respostas do atacante, inclusive, foi para rebater uma declaração do ex-técnico e atual comentarista Muricy Ramalho, que tratou o Uruguai como "favoritaço" para o jogo de ontem, na Arena Fonte Nova. Jogadores e membros do estafe da seleção peruana estão incomodados com as cobranças da imprensa, brasileira e local, ao time.

As maiores razões deste ressentimento foram as reações à goleada por 5 a 0 sofrida pelo Peru contra o Brasil, no terceiro jogo da primeira fase. Jornais e portais do país estamparam termos como "vergonha" e "humilhação", além de críticas diretas a jogadores e ao técnico Ricardo Gareca. O próprio comandante discutiu com um repórter que, em meio a uma pergunta, afirmou que houve um erro na escalação peruana para a partida. "O senhor pergunta e responde. Já fez a análise da partida você mesmo, por que vou respondê-lo?".

O clima bélico se manteve na entrevista coletiva seguinte, quando Gareca reclamou de responder a uma pergunta sobre um enfrentamento com Óscar Tabárez em 1987, pois gostaria de falar somente do jogo contra o Uruguai. As faíscas entre treinador e jornalistas foram comentadas após a entrevista coletiva.

Seleção peruana se classificou à semifinal da Copa América ontem, nos pênaltis, contra o Uruguai - Divulgação
Seleção peruana se classificou à semifinal da Copa América ontem, nos pênaltis, contra o Uruguai
Imagem: Divulgação

Ontem, o grupo de jogadores se reuniu antes, no intervalo e especialmente depois do jogo, sempre com palavras firmes de Paolo Guerrero. No vestiário decidiram que apenas o capitão falaria com a imprensa, já que há uma obrigatoriedade de que isso aconteça por conta da exposição de patrocinadores da Conmebol. Mesmo destaques do time, como o goleiro Pedro Gallese e o zagueiro Zambrano, passaram em silêncio pela zona mista, assim como os outros dois jogadores que atuam no Brasil, Miguel Trauco e Christian Cueva.

É uma reação semelhante à que a seleção peruana teve durante as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. Após quatro derrotas nas seis primeiras rodadas houve muitas críticas da imprensa local, já que eram 36 anos sem disputar o Mundial, e os jogadores decidiram adotar o silêncio. Depois, por coincidência ou não, o time embalou duas vitórias, empatou com a Argentina e entrou na disputa pela vaga. Por fim, se classificou e o feito foi muito comemorado.

"Nós trabalhamos muito concentrados, muito focados sempre. Em toda partida meus companheiros se dedicam, demonstram seu futebol. Hoje demonstramos a superação desse grupo, então fico contente pelo sacrifício. O time está acostumado a isso, eu conheço há muito tempo, o professor Gareca já está há um tempo conosco. Começamos as Eliminatórias mal, mas nos classificamos. É um grupo que tem muita superação", discursou Guerrero após a classificação para as semifinais.

Ressentida pelas críticas e silenciosa, a seleção peruana treina hoje, às 10h, no estádio de Pituaçu, e à tarde viaja para o Rio Grande do Sul. A partida contra o Chile pela semifinal será na quarta-feira, às 21h30, na Arena do Grêmio. Quem passar enfrenta o vencedor do clássico Brasil x Argentina.

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