Topo

Seleção Brasileira


Crises políticas marcam Brasil x Venezuela e respingam em Copa América

Bolsonaro vai ao Morumbi acompanhar a estreia do Brasil na Copa América e posa com cartolas - Reprodução/Twitter
Bolsonaro vai ao Morumbi acompanhar a estreia do Brasil na Copa América e posa com cartolas Imagem: Reprodução/Twitter

Danilo Lavieri, Gabriel Carneiro, Marcel Rizzo e Pedro Lopes

Do UOL, em Salvador

18/06/2019 04h00

Brasil e Venezuela, adversários dentro de campo hoje (18), às 21h30, na Fonte Nova, pela segunda rodada da Copa América, ocupam lados opostos no clima de crescente polarização política da América Latina. Cada um à sua maneira, com diferenças de intensidade, atravessam momentos de crise que, ainda que sutilmente, afetam o dia a dia das seleções e da própria competição continental.

O vizinho sul-americano passa por uma grave crise humanitária no governo de Nicolás Maduro, em meio a uma queda de braço com a oposição. Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional, se autoproclamou presidente, recebendo apoio público de alguns países, incluindo o Brasil.

No Brasil, Jair Bolsonaro é adversário ideológico de Maduro, e um dos presidentes a reconhecer como legítima a proclamação de Guaidó. O mandatário tem como principal bandeira a reforma da previdência, anunciada como remédio para que o país deixe para trás a recessão econômica dos últimos quatro anos.

A presença do presidente brasileiro na Copa América é tímida até o momento. Bolsonaro esteve no jogo de abertura, diante da Bolívia, na última sexta-feira. Posou com dirigentes, com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, e o da CBF, Rogério Caboclo. Não discursou e não chegou a entrar no vestiário - sua interação com jogadores foi limitada a uma visita a Neymar no hospital depois do amistoso contra o Qatar, na madrugada do dia 6. Com uma lesão no tornozelo direito e se defendendo de uma acusação de estupro, o camisa 10 foi cortado.

O tema político é mais delicado para os venezuelanos. O técnico Rafael Dudamel orienta seus atletas para que evitem entrar no assunto. Dentre os próprios jogadores, há pluralidade de pensamentos e opiniões. Quando questionados sobre o assunto, normalmente dão respostas vazias e evasivas, para evitar qualquer tipo de reação da torcida.

Dudamel não se negava a receber representantes tanto de Guaidó como de Maduro até março, quando um episódio causou mal estar. Antonio Ecarri, um embaixador designado por Guaidó na Espanha registrou com fotos e vídeos um encontro com a seleção, e postou em redes sociais. O autoproclamado presidente retuítou o post, levando o técnico venezuelano a ameaçar pedir demissão.

O próprio Dudamel não revela sua posição sobre a crise na Venezuela, e mantém silêncio para evitar problemas com a Federação e com patrocinadores.

"Se quiser amanhã tomamos um café e falamos disso. Mas aqui temos que falar de futebol. Respeitamos a posição política dos nossos jogadores, claras em suas vidas privadas, mas na seleção a única cor que representam é a vinho tinto e ela abarca todos no país. Não estamos isentos do que acontece, seja bom ou mau, porque temos nossa família. Sofremos e desfrutamos, depende da situação. Acho que é assim com todo mundo. O importante é que com futebol podemos construir o país que todos queremos", se esquivou o treinador, em entrevista coletiva ontem (17).

Fracasso de público em meio à crise em países da América do Sul

Com vários países do continente enfrentando crises econômicas e políticas, a Copa América vem fracassando em público nessas primeiras partidas. Até o início da rodada de ontem, a taxa de ocupação nos estádios era de apenas 39,4%. A edição anterior, nos EUA, em 2016, teve ocupação média de 58,9%. A de 2015, no Chile, 76,1%.

"Claro que preocupa. Sempre preocupa. Trazemos os melhores jogadores do mundo. Temos a possibilidade de trazê-los a um país que vive o futebol, gostaria que a gente participasse. Há partidas com muito boas vendas e outras que não tanto" disse o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez.

A atual Copa América, o próprio Comitê Organizador Local sofreu dois cortes de orçamento, e opera com menos da metade do pessoal inicialmente previsto. A primeira semana de competição foi marcada por problemas de organização, com reclamações sobre gramado de campos de treinamento, problemas no credenciamento de imprensa e até banho frio de jogadores.

O confronto entre Brasil e Venezuela será às 21h30 de hoje, na Fonte Nova, em Salvador. Depois da partida, a seleção volta a atuar em São Paulo, no dia 22, diante do Peru, na Arena Corinthians.

FICHA TÉCNICA
BRASIL X VENEZUELA

Copa América - 2ª rodada
Data/hora: 18 de junho, 21h30
Local:
Arena Fonte Nova, Salvador (BA)
Árbitro: Julio Bascuñan (Chile)
Assistentes: Christian Scheimann e Claudio Rios (Chile)
VAR: Roberto Tobar (Chile)

Brasil: Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos e Filipe Luís; Casemiro, Arthur (Fernandinho) e Coutinho; Richarlison, David Neres (Everton) e Roberto Firmino. Técnico: Tite

Venezuela: Fariñez; Rosales, Chancellor, Feltscher e Villanueva; Moreno, Herrera e Rincón; Savarino, Rondón e Murillo. Técnico: Rafael Dudamel

Mais Seleção Brasileira