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Cruzeiro nega dívida de R$ 26 mi ao Mineirão e cita investigações em nota

Estádio Mineirão é utilizado pelo Cruzeiro, mas diretoria se irrita com gestora do local - Divulgação/Mineirão
Estádio Mineirão é utilizado pelo Cruzeiro, mas diretoria se irrita com gestora do local Imagem: Divulgação/Mineirão

Do UOL, em Belo Horizonte

09/04/2019 23h12

O Cruzeiro publicou uma nota oficial, na noite de hoje, respondendo às declarações de Samuel Lloyd, diretor do Mineirão, sobre o embate entre o clube e o estádio. No comunicado à imprensa, o clube diz que não reconhece a dívida de R$ 26 milhões com a concessionária e cita uma possível investigação à empresa, a qual ainda deve ser submetida à apreciação dos deputados de Minas Gerais na Assembleia Legislativa.

"Diferentemente dos valores declarados por Samuel Lloyd, o Cruzeiro acredita que o atual montante esteja na casa de R$ 18 milhões, motivo de nova contestação judicial, uma vez que a Minas Arena alega que o valor chega a R$ 26 milhões. O Clube ainda esclarece que, desde junho de 2016, 25% da renda líquida em todos os seus jogos são depositados em juízo, valor este acumulado em mais ou menos R$10 milhões", escreveu a diretoria do clube.

"(...) é de conhecimento público que a Minas Arena vem sendo alvo de investigações e denúncias em órgãos especializados, como a CPI da Minas Arena, requerida pelo deputado estadual Léo Portela, que será submetida à apreciação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais", acrescentou.

Na tarde de hoje, o dirigente da Minas Arena, Samuel Lloyd, disse ao UOL Esporte que a gestora do estádio cobra mais de R$ 26 milhões do clube mineiro.

"De 2013 a 2015, já tivemos uma cobrança judicial que soma R$12,1 milhões aproximadamente. Entre 2016 e 2017, também tem outro processo judicial de cobrança que está na casa de R$12,4 milhões. E entre 2018 e 2019, ao contrário que o Itair disse na entrevista, a dívida já soma R$1,8 milhão. Para a gente é complexo, isso significa que a Minas Arena desembolsou R$26 milhões para pagar custos de operação dos jogos do Cruzeiro. Por causa do contrato, a Minas Arena subsidia 30% do custo e o Cruzeiro fica com 70%. Todos os outros clubes que jogam no Mineirão pagam 100% dos custos", comentou.

Por outro lado, no período da manhã, Itair Machado, vice-presidente de futebol da Raposa, havia dito que o débito da atual gestão com o estádio era de R$ 350 mil:

"A nossa gestão deve R$ 350 mil e vão ser pagos. O outro valor, o Cruzeiro ainda não deve, porque está sob júdice, um valor, se eu não me engano é de R$ 12 milhões, mas a maioria já está bloqueado, porque o Cruzeiro tem depositado 25% da renda e com isso, já temos quase R$10 milhões na Justiça. Então, é fácil de resolver", falou à 98FM.

Confira, abaixo, a nota na íntegra do Cruzeiro contra a gestora do Mineirão:

"O Cruzeiro Esporte Clube vem a público se manifestar a respeito de declarações dadas nesta terça-feira, 9 de abril, em diversos veículos de comunicação pelo Sr. Samuel Lloyd, diretor da Minas Arena, envolvendo o contrato em vigência entre o Clube e a concessionária que está responsável pela gestão do estádio Mineirão.

Em suas declarações, Samuel alega que o Cruzeiro não teria repassado à concessionária um montante que ultrapassa os R$ 26 milhões, valor contestado pelo Clube, relacionado ao custo operacional de seus jogos no estádio.

Devido ao contrato de fidelidade firmado pelas partes no ano de 2012, o Clube possui a prerrogativa de analisar as condições que a Minas Arena oferece para que outros clubes atuem no estádio e, caso queira, adotar este modelo desde então.

Desta forma, desde o mês de julho de 2013, após o Atlético-MG atuar no Mineirão sem a necessidade de pagar pelos custos operacionais em uma partida, o Cruzeiro - se baseando no contrato - entendeu que tinha o direito do mesmo tratamento e a questão entrou na esfera judicial, na qual permanece.

Diferentemente dos valores declarados por Samuel Lloyd, o Cruzeiro acredita que o atual montante esteja na casa de R$ 18 milhões, motivo de nova contestação judicial, uma vez que a Minas Arena alega que o valor chega a R$ 26 milhões. O Clube ainda esclarece que, desde junho de 2016, 25% da renda líquida em todos os seus jogos são depositados em juízo, valor este acumulado em mais ou menos R$10 milhões.

Cabe ressaltar que o montante relacionado à atual gestão administrativa do Cruzeiro Esporte Clube, do triênio 2018-2020, presidida por Wagner Pires de Sá, está na casa de R$ 1,8 milhão.

O Cruzeiro reitera que, mesmo tendo voltado a pagar por tais despesas, isso não significa que o Clube concorde com o que é cobrado pela Minas Arena, mas, sim, uma sinalização pela busca de uma melhora na relação cotidiana com a concessionária.

O Clube ressalta que, apesar de algumas declarações de Samuel Lloyd darem a entender que a Minas Arena poderia ter prejuízo devido à parceria, a concessionária possui diversas fontes de receitas que só são estimuladas pelos jogos do Cruzeiro, entre elas 2/3 do lucro do estacionamento e dos bares, exploração publicitária de forma exclusiva do espaço do estádio que não sejam placas no gramado, venda de cerca de 6 mil ingressos nas áreas nobres do Mineirão, comercialização dos camarotes e de pacotes anuais de ingressos, uma vez que o Cruzeiro é o único clube que garante ao estádio um calendário fixo de eventos durante todo o ano.

Por mais que o discurso por parte da concessionária e de seu principal representante seja o de cumprimento de contrato, é de conhecimento público que a Minas Arena vem sendo alvo de investigações e denúncias em órgãos especializados, como a CPI da Minas Arena, requerida pelo deputado estadual Léo Portela, que será submetida à apreciação na Assembleia Legislativa de Minas Gerais".

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